Era uma vez um muro


Cristina Torrão,

Berlim, Setembro de 1984

Recordações de um mundo que já não existe, no ano em que a União Soviética boicotou os Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Ninguém imaginava que, passados cerca de cinco anos, a 9 de Novembro de 1989, o muro começava a cair.

 

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17 comentários em “Era uma vez um muro”

  1. Um texto a relembrar outros tempos, e serve para alertar os que berram que o mundo nunca esteve tão perigoso como agora.

    1. Também se pode dizer, sim.

      Ao fim da tarde de 9 de Novembro de 1989, Günter Schabowski, alto funcionário do SED, o partido comunista/socialista da RDA, anunciou, numa conferência de imprensa, que passaria a ser permitido aos alemães de Leste atravessarem a fronteira para a RFA. À pergunta quando essa lei entraria em vigor, ele respondeu algo como: “Tanto quanto sei… a partir de agora”. Alguns alemães de Leste, em Berlim, dirigiram-se para os pontos fronteiriços do Muro. Gerou-se uma situação caricata, pois os guardas fronteiriços ainda não tinham sido informados. Mas tiveram de abrir a fronteira e, quando isso foi conhecido, milhares de berlinenses atravessaram-na, nessa noite.
      A partir desse dia, o muro deixou de fazer sentido.

  2. Agora querem construir um muro como este, pelo meio da floresta a separar a Bielorrússia da Polónia. Parecido com aquele que separa Ceuta de Marrocos.

    1. que barbaridade! imagine-se lá porquê. Exactamente pelas mesmas razões da primeira vez: o resultado de ter comunistas e esquerdistas a tentar mandar nisto.

      E vai piorar.

        1. Pois tem. Mas resto dos países não — e é por causa disso que esta gente quer vir para a Europa ocidental onde sabem que os complexados lhes vão facilitar a vida. E são empurrados pela Turquia e pela Rússia para uma destruição programada do ocidente: descobriram o calcanhar de Aquiles.

          1. O que diz é verdade, mas também não deixa de ser verdade que, desta vez, quem quer construir o muro é a direita (a sua vertente conservadora demais para o meu gosto).

            A fórmula da destruição do ocidente já eles conhecem há muito. Mas não vai acontecer, isto é do estilo da antiga Guerra Fria. A Alemanha sabe lidar com os turcos e os russos. Apesar de o Lukashenko ameaçar com o corte de gás à Europa, Moscovo já veio assegurar que o fornecimento de gás não está em causa. Eles precisam dos euritos. E a Turquia também já comunicou que a Turkish Airlines vai proibir naturais da Síria, do Iraque e do Iémen de viajarem nos seus aviões para a Bielorrússia. Isto li hoje na imprensa alemã.

  3. no ano em que a União Soviética boicotou os Jogos Olímpicos de Los Angeles

    Que foi quatro anos depois de os Estados Unidos da América terem boicotado os Jogos Olímpicos de Moscovo.

  4. Excelente apontamento, Cristina. E muito oportuno, atendendo à data.
    Estive em Berlim um ano antes – e fui também ao lado de lá. Pude comparar.
    Conhecemos uma paisagem – física, humana, cultural, política, ideológica – única. Irrepetível. Num momento que então parecia demasiado longo e afinal, visto à distância, foi página fugaz na História da Alemanha e da Europa.

    1. É verdade, Pedro.
      Também estive do lado de lá por algumas horas. Mas tenho apenas duas ou três fotografias que não mostram nada de especial. Avisaram-me tanto que não fotografasse certas coisas, que fiquei mesmo com receio.

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