A percentagem da população que passou a auferir de transferências directas do Estado aumentou significativamente nos últimos 20 anos, e parte significativa destes beneficiários têm nestas transferências o seu principal meio de subsistência. Este mesmo período de tempo foi inegavelmente marcado por uma hegemonia do PS, hegemonia essa que tem neste aumento do números de dependentes do estado a sua principal marca. Poderão dizer que não, que a principal marca deste período da nossa história é a estagnação económica, mas essa é apenas outra face da mesma moeda.
É eleitoralmente difícil sair desta armadilha, pois como sabemos é possível ter uma maioria absoluta com pouco mais de 40% dos votos, e a percentagem dos que não querem mudar a actual situação é bem maior.
Aquando da mais recente falência do estado português, os nossos credores exigiram que mudássemos de rumo. Nesse período de tempo foram-nos impostas diversas reformas que acabaram por permitir uma recuperação. A chegada da geringonça apelidou de “reposições” ao recuar deste processo e assim regressamos ao imobilismo e à estagnação. A actual crise política foi desencadeada pelo esgotar das “reposições”, sendo que durante esse processo lá nos continuamos a afundar nas comparações com outros países europeus.
Nestas duas décadas a dívida pública aumentou de 70 mil milhões para 270 mil milhões. Não estivessem as taxas de juro a ser distorcidas pelo BCE e a ilusão da sustentabilidade desta dívida seria impossível de manter. No dia em que as taxas de juro subam 1 ou 2 pontos percentuais entraremos numa nova bancarrota.
Perante uma conjuntura como a actual, em que os aumentos das matérias-primas e da energia provocam uma subida consistente de preços, seria normal contar com um aumento das taxas de juro. As pressões políticas para que o BCE não o faça são significativas, mas não sabemos até quando o ADN do Bundesbank, que corre nas veias do BCE, adiará a tomada das medidas recomendadas pelos livros de economia para travar a inflação.
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Sendo este o cenário de fundo, António Costa afirmou na entrevista de ontem que em 2022 pretende aumentar a função pública, o salário mínimo e as pensões. Essas são as variáveis que considera adequadas para atingir os objectivos do PS, que se resume e continuar no poder.
Num cenário pós-eleitoral em que António Costa não consiga reunir apoio parlamentar que lhe permita governar, já sabemos que sairá de cena. É aí que poderá entrar Pedro Nuno Santos, a quem será mais fácil novos entendimentos à esquerda. Esta possibilidade colocar-nos-á a caminho de mais uma ruptura financeira, embrulhada nas lamechices habituais. E sim, podemos sair destas eleições tendo Pedro Nuno Santos como PM. Votar PS pode ter essa consequência.
António Costa diz que agora, e se tal for necessário, até se poderá entender com o PSD, mas nada diz sobre outra coisa que não seja manter o PS no poder. Certamente seguindo as notas dos seus assessores de comunicação, e para contrapor com Medina, ontem mostrou-se humilde batendo várias vezes com a mão no coração. Mesmo recorrendo a estas mensagens subliminares, nada diz como pretende inverter a estagnação das últimas duas décadas e sobre o que deve ser feito para que se possam aliviar as gerações futuras da dívida que nestes 20 anos quase quadruplicou.
É por isso que as próximas eleições serão uma oportunidade única para invertermos o triste caminho que o país tem trilhado. Para isso, será necessário levar as gerações mais novas às urnas de voto. Só com a entrada dos eleitores que votam pela primeira vez, e dos que normalmente se abstêm, será possível reduzir o peso relativo dos que não querem saber do futuro do país e votam apenas olhando para o respectivo umbigo.

“Aquando da mais recente falência do estado português, os nossos credores exigiram que mudássemos de rumo. Nesse período de tempo foram-nos impostas diversas reformas que acabaram por permitir uma recuperação. A chegada da geringonça apelidou de “reposições” ao recuar deste processo e assim regressamos ao imobilismo e à estagnação. A actual crise política foi desencadeada pelo esgotar das “reposições”, sendo que durante esse processo lá nos continuamos a afundar nas comparações com outros países europeus.”
Tem noção que durante o governo de Passos Coelho e da Troica a política económica foi uma fraude:
Foi dito que se pretendia-se
aumentar o rendimento das famílias, desceu;
cortar os impostos, subiram;
controlar a economia, não se conseguiu executar um orçamento sem o retificar várias vezes, a dívida subiu;
o sistema bancário que se dizia que era seguro e tinha de ser protegido, implodiu numa cascata de más opções e fraude generalizada;
foram privatizadfas empresas altamente lucrativas e monopólios essenciais para o Estado e nacionalizaram-se bancos falidos
os nossos mentores, os sábios do BCE e do FMI, além de exigirem privatizações ruinosas não se entenderam em política nenhuma consistente, chegando ao ponto de parte do FMI dizer que a política do que o FMI estava a aplicar não servia.
Se este é o melhor exemplo de boa política económica que tem, mais vale não ter nenhum.
durante o governo de Passos Coelho e da Troica a política económica foi uma fraude
É um facto. O governo de Passos Coelho somente mudou a lei laboral (e, um pouco, a lei do arrendamento, mas não muito – os inquilinos com mais de 65 anos, que são a ampla maioria, mantiveram o direito à sua casa). Foi a única reforma minimamente significativa que fez. De resto, em matéria fiscal e noutras, foi um fracasso.
Lá vamos começar com a cantilena habitual, o programa da Troika foi negociado pelo PS, o PEC IV teria resolvido tudo, as cativações não são rectificações ao OE que não passam pelo parlamento, o BES estava de pedra e cal, as empresas altamente lucrativas como a TAP foram privatizadas (também de acordo com o que foi negociado pelo PS com a Troika), um quinto dos portugueses não são pobres não senhor e o país está óptimo porque vivo dentro da minha bolha e não quero saber de comparações com outros países para nada. Ficando sempre no ar a pergunta a que ninguém sabe responder: Porque é raio que o PS chamou a troika?
O raciocínio para defender o governo de Passos Coelho é sempre o mesmo. Primeiro diz-se que foi um governo corajoso que promoveu mudanças. Quando alguém faz notar que falharam todos os indicadores económicos que eles próprios consideraram como essenciais, isso deve-se ao programa da Troika ter sido negociado pelo PS.
Têm de se decidir, ou foi um governo corajoso que promoveu mudanças ou fez as asneiras que fez porque foi obrigado. Não pode ter sido os dois ao mesmo tempo
Num país em que a habituação à mama faz das promessas eleitorais condição de sucesso, toda a eleição é uma fraude.
Onde as promessas de investimento público da geringonça, em que a ‘reposição’ foi a sua negação?
E assim vamos até ao próximo colapso.
No futuro haverá sempre outro colapso. As medidas que a OCDE sugere servem apenas para o adiar.
Então se a percentagem dos que não querem mudar é maior do que 40% qual é a sua solução?
É ter um governo a governar para uma minoria?
Ou a sua ideia de sucesso era continuar a roubar dinheiro às pessoas, nos vencimentos e nas pensões?
Se querem efectivamente aliviar as gerações futuras do peso da dívida, comecem a investigar as off-shores, vejam quem é que rouba dinheiro a sério e deixem de utilizar a treta do costume de que estamos a viver acima das possibilidades.
As mudanças a que me refiro passam por reformar diversos sectores do país. Veja as sugestões da OCDE e da SEDES.
Mas se você quer excluir o PS, vai reformar o quê e como?
Não é melhor deixar a partidarite aguda de lado e começar a olhar para o país como um todo? Ou os que votam no PS são todos atrasados mentais?
Será atrevimento fazer-lhe exactamente a mesma recomendação e a mesma pergunta?
Não, não é atrevimento, pode fazer a mesma pergunta. A diferença é que eu não lhe disse que para o país ir para a frente era preciso diminuir o partido A ou B.
Mas o país não deve seguir em frente, pois o que tem mesmo é de mudar de rumo e por isso precisa de uma outra configuração parlamentar.
Para quê? Para ter eleições todos os anos?
O país precisa é de estabilidade e não de joguinhos de poder, ou você pensa que se não houvesse a bazuca havia toda esta ganância de ir ao pote?
Quer dizer, não se entendem para arrumar a própria casa mas acham que têm condições para arrumar o bairro inteiro?
Ó Paulo Sousa, por favor.
Estabilidade para continuar estavelmente a empobrecer.
“Se querem efectivamente aliviar as gerações futuras do peso da dívida, comecem a investigar as off-shores, vejam quem é que rouba dinheiro a sério e deixem de utilizar a treta do costume de que estamos a viver acima das possibilidades.”
Você não tem mesmo a noção do que fala e do buraco em que Portugal está metido.
Desde o 25 de Abril que Portugal vive acima das suas possibilidades. Mesmo no tempo da Troika a UE subsidiou Portugal com fundos da União.
O país faz da esmola um modo de vida.
Talvez eu não tenha a noção do buraco onde Portugal está metido mas penso que você também não tem a noção de quanto é que nos roubaram aqueles que detêm o poder desde o 25 de Abril.
Se calhar deve andar ela por ela, não? O que é que me diz?
Refere-se ao roubo do futuro dos jovens que se querem progredir têm de emigrar? Sim a estagnação dos últimos 20 anos roubou muito a muita gente.
Não há problema, o Rangel já se está a preparar para abrir a tal agência de emigração do tempo do Passos.
E quanto ao roubo dê uma olhadinha ao BPN, ao BPP, Novo Banco e junte aí mais uns dois ou três e veja lá quanto é que dá. E pode pôr também os submarinos que é para dar conta certa.
Mas nem precisa de a abrir a tal agência, pois mesmo com a porta fechada ela já está a funcionar há vários anos. E quaannta clientela já por lá passou …
É verdade e não queira saber a quantidade de bidonvilles que os nossos emigrantes fizeram graças a essa agência.
Pois, há gente que quando é apanhada na curva, ou faz-se desentendida ou utiliza o expediente “chama-lhes aquilo que tu és!”.
Os socialistas/marxistas são pródigos nessas saídas!
Perante uma conjuntura como a actual, em que os aumentos das matérias-primas e da energia provocam uma subida consistente de preços, seria normal contar com um aumento das taxas de juro.
Errado. Leia por exemplo a revista Economist desta semana. Quando a inflação é provocada por efetiva escassez de bens (pela Lei da Oferta e da Procura) não se recomenda aumento da taxa de juro, que nada pode fazer para eliminar tal inflação. O aumento da taxa de juro é recomendado quando a economia se encontra “sobreaquecida”, com desemprego muito baixo e subidas irrazoáveis dos salários; não quando os preços aumentam devido à Procura ser superior à Oferta.
O debate sobre a subida de preços está em curso. Se hoje ainda não há motivos para subir as taxas de juro, quem é que consegue garantir que isso se mantém daqui a 6 meses ou 1 ano?
António Costa […] nada diz sobre outra coisa que não seja manter o PS no poder
Se, como algumas sondagens indicam, o PS obtiver entre 35% e 40% dos votos, é natural que se mantenha no poder. Nem António Costa nem nenhum democrata pode falar em apear o PS do poder se este vier a ser, por larga margem, o partido mais votado. Ou pensa Paulo Sousa que seria viável, a nível nacional, uma aliança do PSD com o PCP e o BE para apear o PS do poder???
As sondagens cheiram bem, cheiram a Lisboa.
Votar em quem se todos são iguais, da direita à esquerda se é que há direita e esquerda?! Todos iguais sem excepção, apenas muda a retórica porque no final todos dizem amém e nada muda. O PSD tem a coragem de querer mudar a constituição e os outros, perante tal barbaridade nem uma palavra contra, logo mais uma vez vamos votar em quem?!
Muitas reformas são possíveis sem que se altere a CRP. Como disse acima, basta seguir as sugestões da OCDE e da SEDES.
Se o país chegar à conclusão que insistindo nas formulas aplicadas se não obterão resultados diferentes, terá de procurar quem se proponha a realizar essas reformas.
A percentagem da população que passou a auferir de transferências directas do Estado aumentou significativamente nos últimos 20 anos
Como é que aumentou significativamente? Não vejo razão para tal. O número de funcionários públicos não aumentou significativamente. O número de reformados e pensionistas terá aumentado, devido ao aumento da idade da população, mas não de uma forma muito significativa. O Rendimento Mínimo de Inserção tem deveras pouco beneficiários.
Não vejo que nos últimos 20 anos tenham sido feitas mudanças tão radicais que tenham aumentado significativamente o número de beneficiários de transferências do Estado.
https://www.dn.pt/dinheiro/criacao-impr essionante-de-emprego-assenta-em-subida-r ecorde-de-funcionario-publicos-14050394.h tml
Se tiver curiosidade recomendo que investigue a tendência das últimas duas décadas por exemplo na Prodata.
Rapidamente a caminho de nova intervenção da Troika.
Se o país quiser seguir os planos que António Costa apresentou ontem, esse destino espera-nos. Será apenas uma questão de tempo.
Não há problema, depois aplicamos as medidas em dobro, roubamos os salários e as pensões e dá tudo certo.
Não será um roubo, mas sim uma retenção da mesada. No resto concordo.
Pois, a “gente” viu como foi. Se não fosse revertido, era limpinho.
Eu queria ver como faziam agora na pandemia se o SNS tivesse levado o corte de 300 milhões. Ou a Segurança Social com menos 600 milhões.
Tretas como sempre, criticar é fácil, fazer é um bocadinho mais difícil.
O SNS é um excelente exemplo de como regar um problema com dinheiro não o resolve. O pessoal da saúde abdica das 35 horas de trabalho e prebendas várias, para trabalhar no privado. Acabaram com os contratos de gestão dos hospitais que funcionavam bem, para nivelarem tudo por baixo. Talvez isso não lhe diga respeito porque terá um outros sistema de saúde, mas para os plebeus (os que não são patrícios) isso significa traduz-se em miseráveis tempos de espera e numa tremenda falta de qualidade nos serviços. Para quem vê isso de fora será apenas uma estatística desagradável.
Estamos de acordo. Regar um problema com dinheiro não o resolve.
Mas penso que roubar uma boa fatia também não o vai resolver, antes pelo contrário, só o agrava.
Estamos óptimos e já entendi que prefira o imobilismo. Representará neste debate essa faixa de população, conforme identifiquei no texto.
Fico contente por você ter tanta certeza nestes tempos de incerteza.
Eu sou um bocadinho mais racional, e não estou a ver como é que você consegue agregar valor e imprimir uma nova dinâmica com métodos ultrapassados.
Portugal tem um tecido empresarial envelhecido e com muito pouca formação, e isso reflete-se na produtividade e na velocidade de recuperação da economia. Tudo o que se possa dizer em contrário não passa de pura demagogia.
O tecido empresarial envelhecido continua vivo porque não se agilizam as falências. Isso é visível todos os dias.
A Dielmar tem infelizmente os dias contados. Não conheço detalhes sobre a empresa que me permitam fazer grandes considerações, mas há uma coisa que sei. O Banco de Fomento, que foi apresentado como sendo a solução para os grandes projectos para o país, meteu lá 320 mil euros, em plenas eleições autárquicas. O PS lá conseguiu manter a Câmara mas entretanto esse valor já não chega e esse será apenas o mais recente dos empréstimos incobráveis. Tudo porque se insiste em esticar a existência do que não é viável e isso impede que outras ocupem o seu espaço no mercado.
Se quer agilizar a dinâmica empresarial tem de se facilitar também as falências, não só mas também.
Reduzir impostos (leia-se irs, o resto é a bombar), subir salários da FP e pensões, subir salário mínimo (fica bem).
A receita de sempre. Com o resultado do costume.
Sem surpresa.
Não há mudança. Há uma mole que vota entre PS e PSD que, bem vistas a coisas, é farelo do mesmo saco. E assim será.
Por mais que inventem, este país não é “de esquerda” (aquela representada pelo PCP e Bloco, que fala como se representasse algo que se visse), e muito menos liberal.
Ciclicamente aparecem uns cromos agregadores dos desagradados, seja o Tino, o PRD, o PSN, a Dra Joacine ou o Camarada Ventura; apanham alguns abstencionistas profissionais ou os ditos indecisos. Mas jamais em tempo algum há vontade popular de arriscar e tirar o bloco central do poder.
As reformas? Todos as querem, excepto quando lhes toca.
Subscrevo a ideia que se o PSD tivesse nos últimos 20 anos o papel que o PS teve no nosso país, também se comportaria com a mesma arrogância e sobranceria.
Mas como não teve… não pode ser acusado desses excessos.
Não esteve nos últimos 20 anos mas podemos avaliar pelo período que lá esteve.
Desvalorização do escudo.
Buzinão na ponte.
Buraco no BPN.
Durão Barroso.
Santana Lopes.
Novo Banco.
O Irrevogável.
E isto é uma amostra apenas pela rama, porque se fôssemos a aprofundar…