Era impensável


Luís Naves,

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Se estivesse em 1915 a tentar imaginar o mundo do século seguinte, teria provavelmente uma perspectiva pessimista do futuro. Em 1915, as pessoas morriam cedo, em média com pouco mais de 40 anos: a mortalidade infantil atingia valores astronómicos, as mulheres morriam de parto e eram raros os casais que não perdiam filhos ou os velhos que passavam de 65 anos, geralmente com problemas que tornavam o prolongamento dessas vida num inferno de dor, sofrimento e pobreza.

Havia tempo para ler e amar e talvez se possa afirmar que as pessoas eram mais felizes, mas encontramos muitos relatos estranhos desse tempo: os jornais estão cheios de cenas de pancadaria e notícias de crimes passionais. O mundo rural era violento, as pessoas viviam com dificuldade e trabalhavam muito, por pouco dinheiro e sem rede social. Não havia apoios à velhice nem medicina gratuita; os poderosos tinham mais direitos e os pobres analfabetos obedeciam. Temos tendência para mitificar a vida quotidiana do passado e a nossa imagem de 1915 vem dos relatos de uma burguesia com privilégios, que vivia em certo conforto luminoso e protegido. As classes baixas, sobretudo os camponeses, tinham na realidade uma existência de pouco alimento e muita doença. As suas vidas eram curtas e as oportunidades raras. Nas décadas anteriores, a emigração permitira a abundância dos “brasileiros”, mas por cada aventureiro que fez fortuna, morreram dezenas, de febres e fome.

Em 1915 havia uma guerra mundial cujos efeitos devastadores tinham sido previstos por alguns visionários e futuristas: sonhava-se com máquinas voadoras e houve os primeiros bombardeamentos aéreos; o mundo entrara na era do aço, na modernidade industrial a sério, com produção em massa e nações em armas, exércitos de milhões e guerras tridimensionais. Eram impensáveis as ideologias totalitárias, mas o primeiro grande genocídio foi nesse ano. Foi também o ano da relatividade, os impérios europeus dominavam o mundo e era difícil prever os conflitos imperiais que iriam durar até 1989. Eram certamente impensáveis o Holocausto e a bomba atómica, o computador e os antibióticos, os aviões a jacto e o módulo lunar. E como será daqui a cem anos?

8 comentários em “Era impensável”

  1. Quando fiz a tropa(1968) um velho sargento ao ver uma praxe forte sobre um recruta dizia: Isto agora são muito pacificos, no meu tempo eram mais violentos; vez ali aqueles sentados no muro(de 5 m alto), no meu tempo já estavam todos lá em baixo.

  2. o primeiro grande genocídio foi nesse ano

    Antes dele tinha havido os genocídios em África. Por exemplo no Congo belga. Ou na Namíbia alemã. E antes desses, é claro, tinha havido os diversos genocídios de índios americanos.

  3. Em 1915, as pessoas morriam cedo, em média com pouco mais de 40 anos

    Esse foi o estado normal da humanidade ao longo de 99% da sua história: raras pessoas ultrapassavam os 50 anos de idade. As pessoas que atingiam a idade adulta tinham filhos a partir dos 20 anos e, com grande probabilidade, aos 40 anos já tinham morrido num qualquer acidente.

  4. Não há medicina gratuita, tudo tem um custo.

    Previsões?

    Se alguém dissesse há 10 anos que existiria um Estado Islâmico no Médio Oriente que atacava um pouco por todo o mundo e degolava cabeças que colocavam em vídeo com orgulho você dira que era de um mau filme de Hollywood a mostrar a xenofobia americana contra o estrangeiro.

    Sem esquecer a referência ao mau que era o moralismo de ver tudo a preto e branco.

  5. Parabéns pelo texto, estou completamente de acordo!
    Quando recordamos tempos antigos, temos essa tendência para olhar para as classes favorecidas, que eram, claro, uma minoria. A esmagadora maioria das pessoas vivia em grande miséria, com fome, sem qualquer tipo de cuidados, fossem médicos ou higiénicos. As crianças começavam a trabalhar cedo, nem sabiam o que era brincar nem ir à escola.
    O trabalho infantil era normal, a partir dos cinco anos; a violência era normal, dentro de casa, mesmo na educação das crianças pequenas (e não estou a falar na “palmada pedagógica”, expressão que eu aliás abomino, mas isso é outra história). Havia crimes terríveis, de que ninguém falava, porque não eram noticiados.

    Há dias, escrevia eu no meu blogue:
    «Quase toda a gente recorda nostálgica os bons velhos tempos, desejando que voltem. Mas eu pergunto-me quando foi o mundo mais justo, mais pacífico, mais igualitário. Quando viveram as pessoas com mais conforto e mais cuidados? E houve tempos em que houve menos guerras do que hoje? E em que as crianças eram mais bem tratadas?»

  6. Para coisas Impensáveis, talvez fosse melhor começar por daqui a… menos de 15 anos porque, neste momento, parece que vamos acabar por ser “limpos” até não restar nada… repare no que vai começar na Grécia, em Janeiro de 2016, onde os impostos passam a incidir sobre o que os cidadãos tiverem em casa, como dinheiro, ouro, joias, pedras preciosas…

    “Greeks told to declare THIS in their tax returns”
    Matt Clinch
    Wednesday, 2 Dec 2015 | 7:47 AM ET
    CNBC.com
    First reported by the Greek business news website Enikonomia.gr, the new addition to the rules mean Greeks will have to declare any cash holdings above 15,000 euros ($15,888) – outside of a bank – and any jewelry and precious stones worth over 30,000 euros.
    The rules only apply for the whole household and will come into effect on January 1, 2016. It forms a “joint ministerial decision” by the Ministry of Justice and Finance, according to Enikonomia.gr, and sets out a new category of Greece’s online tax declaration, called the “assets declaration.”

    Depois de abrir o precedente, será fácil, também passar a taxar, os eletrodomésticos, os móveis… até às peúgas… deve ser o sonho do clube, nacional, dos “amantes do Syriza”
    Há muita coisa que não concordo com Chomsky mas, começo a ficar convencida, da sua teoria sobre os filtros que controlam a informação que chega ao cidadão comum, esta notícia de 2 de Dezembro, como outras, parecem não passar, onde não convém. Outro exemplo, a moeda chinesa ter tido autorização de entrada no cabaz de moedas do FMI no próximo ano, a do Banco Mundial querer que toda a população mundial tenha identificação ID… muitas notícias que, mesmo que não pareça, vão ter um “estranho” impacto no Futuro da população, a nível global.

    Portanto, daqui a 15 anos ou menos… talvez tenhamos uma ideia, com o livro de George Orwell – 1984.
    O que ele sabia, não teria nada a ver com adivinhação mas, talvez, por causa da sua passagem por uma sociedade secreta (ainda no ativo) na companhia de Aldous Huxley que, contrariamente a Orwell, era mais adepto da ideia da construção de um Mundo, totalmente, controlado por uma elite e já, nesse tempo, se falava na New World Order que, em conjunto com outros grupos, uns mais ou, menos secretos, têm andado atrás de algum objetivo muito específico e, até faz todo o sentido porque, não devem existir há tantos anos, só para andarem a “exibir os aventais”.
    Quando Draghi continua a afirmar que tem de conseguir aumentar a inflação e, para isso, vai continuar a injetar dinheiro (ou seja, a imprimir papel) aumentando a dívida (as dependências económicas dos países europeus), curiosamente, disse, exatamente, o mesmo, no ano passado e, a inflação estava mais alta, portanto, só pode estar a pensar que está a falar para imbecis porque, se persiste na “receita” que não está a resultar, o objetivo só pode ser outro…

    Claro que, com uma ajudinha de governos esbanjadores, internamente e, a ajudar com os seus orçamentos, numa despesa de guerra onde, mais de 6 países vão bombardear a Síria, num espaço pouco maior que Portugal (daqui a nada são tantos que têm de fazer fila para largar tanta bomba … vamos acabar, exatamente, no sítio, onde há muito tempo, nos querem pôr… na Total dependência económica e, acrescentando o fator medo, por exemplo de ataques terroristas, estarão quase no ponto, de conseguirem que, sejam os próprios cidadãos europeus a não se importarem de, também, trocar as suas liberdades civis, por uma falsa perceção de segurança e, com a ajudinha da tecnologia, vai ser fácil acabar por controlar “o rebanho”.
    Curiosamente, com o grande número de políticos europeus que deixam muito a desejar, das suas capacidades governativas, muitos deles, são facilmente manipuláveis e, nem se devem dar conta que, apenas, estão a servir desejos alheios.

    Recordar 2 frases de George Orwell :
    “Who controls the past, controls the future, who controls the presente, controls the past”
    “If you want a vision of the future, imagine a boot stamping on a human face… Forever”
    Numa série da BBC sobre a vida de George Orwell, o seu aviso final, começa a fazer, cada vez, mais sentido.
    George Orwell – A Final Warning
    YouTube:
    https://www.youtube.com/watch?v=JXm5hklbBsA

    1. Quando começar a ver que o jornalismo é política, e que se não fosse você não conheceria Chomski, um dos grandes beneficiados do jornalismo político.

      Coisas que os jornais não falam:
      -a tentativa de acabar com o dinheiro físico.
      -o fim da privacidade e anonimato.
      -as listas de devedores.
      -voto electrónico onde tudo ficará registado.

      Tudo coisas apoiadas pelo jornalismo. Não houve escândalo, não houve protestos e não haverá, porque o objectivo da sociedade actual é simplesmente sacar o dinheiro ao outro com a força do Estado.

      1. Claro que o jornalismo tem a ver com política e, é mesmo para acabar com o dinheiro físico, o fim da privacidade, tudo registado, até o que fazemos na net e… o pior… seremos mesmo e, apenas, um rebanho, controlado e rentável mas, para alguns, isso é impensável, dizer isso a alguém que ainda viva na ilusão, ainda passamos por maluquinhos a grande maioria, até pensa que o nosso governo ainda tem alguma autonomia para fazer o que quiser. O conceito de nação é para acabar… é tanta coisa que só, quem andar a investigar este assunto há muito tempo… é que começa a aceitar que, realmente, tinha andado a viver uma ficção.
        Na sociedade atual, o que se vai confirmando é, precisamente, a aproximação do ponto de não retorno e, há muito, pré determinado, até podemos seguir a história de cada decisão tomada e concluída.
        Se quiser saber detalhes de, apenas, um desses grupos e seus objetivos (porque há muitos mais) e, apesar dos convites serem secretos, até lhe posso dizer que Costa, foi convidado, pelo menos, duas vezes, Seguro uma e, não voltou a ser convidado, se calhar, demasiado patriota para os objetivos do Grupo. A lista de políticos portugueses é longa mas, por acaso, apanhei um convite a Portas mas, nenhum, a Passos Coelho. No entanto, o melhor é sempre bom… começar por uma ponta 😉
        Google:
        http://www.globalresearch.ca/the-true-story-of-the-bilderberg-group-and-what-they-may-be-planning-now/13808

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