Contra os islamofascistas: uma lição de oposição em Londres


Pedro Correia,

 

“What we know about fascists is that they need to be defeated.”

Um dos melhores discursos de que há memória na Câmara dos Comuns, aplaudido por parlamentares em todas as bancadas. John Crace, no Guardian, chamou-lhe “um Sermão da Montanha aos trabalhistas”. Foi pronunciado quinta-feira por Hilary Benn, ministro-sombra dos Negócios Estrangeiros britânico, em colisão com a tese do líder do seu Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, opositor da intervenção de Londres contra as hordas totalitárias do chamado Estado Islâmico na Síria.

Sessenta e seis deputados trabalhistas contrariaram a orientação de Corbyn, votando ao lado do Governo conservador de David Cameron para autorizar os bombardeamentos aéreos britânicos aos islamofascistas do Daesh. A votação no Parlamento britânico foi categórica: 397 votos a favor, 223 contra.

No Reino Unido ou em qualquer outro país, esta é a única forma inteligente e patriótica de fazer oposição: o combate ao Governo termina onde começa a defesa do bem comum sem miopias partidárias e do interesse nacional sem espírito de trincheira.

Hilary Benn – filho de Tony Benn, ex-ministro e ex-deputado que chegou a liderar a ala esquerda do Labour – percebeu as lições da história no país que em 1939 com tanta coragem se ergueu contra os esbirros de Hitler e Mussolini. Resta saber se Corbyn, tão louvado por algumas boas almas lusas, percebeu também.

24 comentários em “Contra os islamofascistas: uma lição de oposição em Londres”

  1. Temos uma reedição da guerra justa contra o Iraque.

    Mas não faz mal. Os seus promotores, umas centenas de milhares mortos depois, pedem desculpa pelo engano e a vida segue.

    Entretanto vão incubando o ovo da serpente nos seu seio e acusam sempre outros daquilo que os seus cidadãos fazem.

      1. Como raio pode dizer que o autor de cabeceira do Jo é o N. Chamberlain?

        O Chamberlain pode ter sido naif mas não era má pessoa.
        Foi Chamberlain que declarou guerra à Alemanha.

        The Transcript of Neville Chamberlain’s Declaration of war
        http://www.bbc.co.uk/archive/ww2outbreak/7957.shtml?page=txt

        Não, o Jo que deturpa a História só como um Comunista sabe fazer.

        O Jo que nos diz acima que os milhares de mortos no Iraque provocados pelos Islamistas -contra os quais ele não quer guerra- em praças, mercados, mesquitas, igrejas, pontes afinal são culpa dos EUA.

        O Jo em 1945 estaria a dizer que os milhões de mortos provocado pela Segunda Guerra aconteceram porque se respondeu ao Nazismo e foi para o lucro das industrias capitalistas.

        Isto claro se a União Soviética não participasse.
        Como participou a culpados milhões de mortos passa para os Nazis.

        O Jo não tem nada de Chamberlain. O Jo pertence ao outro lado. Ao lado Marxista.

          1. Segundo a bitola do Jo o 1.5 milhões de pessoas, entre os quais centenas de milhares de ex. portugueses é bom não esquecer, que morreram devido às guerras de descolonização são culpa dos apoiantes da descolonização.

            Salazar e o Estado Novo deveria ter ficado tal como Saddam.

  2. Os Deputados no Reino Unido não são funcionários dos partidos.

    No RU os Deputados representam os eleitores, dos seus circulos eleitorais, em nome.
    Ganharam face a outros candidatos ao título.
    Os vencedores, nos seus circulos eleitorais, que até originalmente podem ser independentes de partidos, ou não, posteriormente congregam-se, ou não, em partidos para efeitos de votações. Exibem personalidade. Merecem respeito.

    Por muito brilhantes que sejam alguns dos deputados por cá, a verdade é que têm um
    pecado original inultrapassável que os menoriza perante a opinião pública, e que torna irrelevante o seu falacioso exercício político. Alvitrante no fundo.

  3. Enquanto a verdade for considerada (por aqueles que calam) um conceito de geometria variável a vitória de perfídia estará sempre assegurada.

  4. Um discurso absolutamente notável, que foi muito elogiado no Reino Unido; e, tristemente, algo que não podemos esperar escutar em Portugal.
    Mas eu também destacaria o primeiro minuto, porque não vale tudo para diminuir os adversários. Creio que Cameron, a avaliar pela sua expressão facial, percebeu.
    Abraço.

    1. Sim, Carlos. Por isso optei por deixar aqui a transcrição mais completa do discurso. Foi bom, todo ele. O facto de ter sido aplaudido por opositores políticos revela o melhor lado da cultura política britânica, capaz de reconhecer mérito nos adversários. E não ter receio de seguir o ditame da consciência, acima de fidelidades na hierarquia do partido, constitui um exemplo que deveria começar a ser adoptado também em Portugal. Infelizmente por cá estamos ainda muito longe disso.
      Abraço.

  5. “Resta saber se Corbyn, tão louvado por algumas boas almas lusas, percebeu também.”

    Não percebo como alguém pode escrever isto. Só sendo naif como Neville…

    Corbyn está e esteve sempre do lado do inimigo, ao longo de toda a vida.
    Corbyn é um Marxista e por isso odeia o Ocidente.

    Corbyn mandou os cães de fila à boa maneira bolchevique intimidarem os deputados que votaram com Benn.

      1. e…

        “Now Corbyn’s friends compare ISIS to heroes who fought Franco: Hard-Left pressure group liken jihadists to freedom fighters who battled to save Spain from fascism

        A Hard Left pressure group compared Islamic State to freedom fighters
        Stop the War triggered outrage by attacking Hilary Benn’s speech
        Benn evoked spirit of the International Brigades of the Spanish Civil War
        Stop the War said: ‘The jihadist movement is far closer to the International Brigades than Cameron’s bombing campaign’

        http://www.dailymail.co.uk/news/article-3346940/Now-Corbyn-s-pals-compare-ISIS-heroes-fought-Franco.html

        1. Alguma extrema-esquerda actual idolatra os degoladores de gargantas e lapidadores de mulheres. Não surpreende. Os pais desses imbecis, há 30 anos, andavam a entoar hossanas ao Pol Pot e outros canalhas.

  6. Tento, tento, mas não consigo.
    Não consigo compreender a fé tão convicta de toda esta gente.
    Gente que acredita ser possível vencer o terrorismo recorrendo apenas à guerra.
    Derrotas: Vietnam, Afeganistão, Iraque, Líbia…
    Vitórias: nenhuma (a não ser que se considere vitória a venda de material de guerra ou o acesso ao tão cobiçado petróleo).
    Vitórias políticas: País Basco, Irlanda do Norte…
    É mesmo uma questão de fé.
    Porque a razão não entende!

    1. Há sempre alternativas. Podemos enviar-lhes umas pombinhas brancas em sinal de paz e cantar-lhes umas musiquinhas do John Lennon. Eles deitam as kalaches ao chão e correm ao nosso encontro num longo abraço fraternal. Peace & love, oh yeah!

    2. Você tem a fé de querer paz com fanáticos religiosos que o querem matar ou converter.

      De facto é preciso ser muito sofisticado.

      Tão sofisticado como os tipos que fizeram as regras de combate no Vietname…

  7. Em Portugal os deputados são, em geral, carneiros. Elegeram para seu presidente uma pessoa que insulta justiça e prefere o apoia a amigos suspeitos de pedofilia à verdade. Mais, não nos esqueçamos que be e pcp também votaram favoravelmente. Portanto, pcp, catarinas e companhia não têm moral para falar de quase nada.

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