Trout, aliás, escrevera um livro acerca de uma árvore de dinheiro. Tinha notas de vinte dólares como folhas. As suas flores eram títulos do tesouro. O seu fruto eram diamantes. Atraía seres humanos que se matavam uns aos outros em torno das suas raízes e davam excelente fertilizante.
Kurt Vonnegut, Slaughterhouse-five. Tradução minha.

Isso era na altura em que os títulos do tesouro eram para pagar…
Especuladores como estes também não merecem que lhos paguem.
Não uma árvore mas um bosque de promessas,há muitos anos.E vamos indo nos contos.E foguetório a condizer.
Pois é. Mas qualquer fruticultor sabe que as promessas são um fruto delicado: têm de ser colhidas no momento certo e apodrecem depressa.
O Douglas Adams tem uma história parecida num dos volumes do Hitchhiker’s. Um grupo de humanos chega a um planeta e estabelece a sua sociedade. Como não têm dinheiro, decidem que as folhas de um determinado tipo de árvore servirão como notas. Como toda a gente pode colher as folhas e isso leva a uma inflação desmesurada, o “ministro das finanças” lá do sítio manda incendiar a maior parte das árvores para limitar a sua circulação.
A melhor descrição que alguma vez vi sobre economia. E fez-me rir no processo.
Nunca li Douglas Adams mas:
1. A história é excelente. 🙂
2. Do que sei, o tipo de humor dele terá pontos de contacto com o do Vonnegut.
Excelente, excelente. O único risco, irónico, é que o fertilizante passe a moeda (de tão valioso) e que as árvores acabem a matar-se por ele. E tudo voltará aos dinossauros.
Na história só é referida uma árvore. Mas mesmo que fossem várias, enquanto tivessem folhas e dessem fruto, não lhes faltaria o adubo. 🙂