Em quem votaria Putin em França?


Pedro Correia,

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Marine Le Pen com Putin em Moscovo (24 de Março de 2017)

 

Os franceses vão amanhã às urnas para escolherem quem ocupará o Palácio do Eliseu nos próximos cinco anos.

Se eu fosse francês, não hesitaria um momento: o meu voto ajudaria a reconduzir o actual Presidente. Emmanuel Macron enfrenta nesta segunda volta uma recauchutada Marine Le Pen, que para seduzir eleitores não pertencentes à direita radical abandonou as bandeiras mais extremistas que agitara no escrutínio de 2017. Riscou o anterior slogan “Frexit”, inspirado no Brexit: deixou de querer a França fora da União Europeia. E não voltou a exigir o regresso ao franco como moeda nacional: agora já aceita o euro.

Macron é a antítese da sua adversária: não imita os televangelistas no púlpito, não proclama frases demagógicas, não faz cedências ao populismo. Nem andou a mendigar financiamento russo, como o partido da candidata que em 2011 se confessava «admiradora» de Vladímir Putin, em 2017 recusou haver «qualquer ilegalidade» na anexação da Crimeia e no passado dia 8 de Fevereiro, em entrevista à BBC, declarava sem pestanejar: «Não acredito que a Rússia queira invadir a Ucrânia.» Dezasseis dias antes da invasão.

Nesta eleição presidencial francesa, com a guerra a decorrer na Ucrânia, impõe-se a pergunta, para arrumar ideias: quem escolheria o ditador russo, se pudesse votar? Marine Le Pen.

Razão suficiente, desde logo, para eu me encontrar na margem oposta.

20 comentários em “Em quem votaria Putin em França?”

  1. 1 – O Putin é um herói para 85% dos russos, chineses e para todos os países de África e Médio Oriente que foram durante anos colonizados pelo poder imperial do Ocidente.
    2 – Vêem no Putin, o líder que conseguiu desafiar os EUA/Nato, tendo-os posto cheio de medo da 3.ª guerra mundial. Para eles o Putin é o símbolo da derrota do «poder Ocidental» sobre o Mundo.
    3 – A Le Pen (representa quantos franceses?), os alemães, os húngaros e mais alguns países europeus que dependem do gaz russo … até tremem de medo.

    1. Ninguém tem medo de Putin, a começar pela heróica resistência ucraniana. Como ficou bem patente na humilhante retirada da tropa russa, derrotada na batalha de Kiev. Durante a invasão que a Le Pen, assumida fã do ditador do Kremlin, garantia dias antes que jamais aconteceria.
      Uma visionária…

      1. Em Mariupol, o Putin até se dá ao luxo de transformar os que eram para ser os heróis-mártires, símbolos da resistência … em símbolos da derrota e capitulação da Nato/EUA.
        Isto sem sacrificar sequer um dos seus soldados na tomada à força da metalúrgica.
        Só os deixa sair das catacumbas se acenarem com uma bandeira branca e pedir a rendição.
        Podem lá ficar um ano ou mais, que, quanto mais demorarem mais o desafio “então, não vêem buscar os vossos amigos do azov? Venham cá. Ou não são capazes?» mais o torna vencedor.
        Conseguiu inverter a coisa a seu favor.

        1. Mariúpol, a nova Estalinegrado, resiste heroicamente dois meses depois.
          O carniceiro do Kremlin mandou arrasar a cidade, que está 90% destruída. Pior que Coventry em 1940, pior que Dresden em 1945.
          E nem assim conseguiu conquistá-la.
          A Le Pen, embaixadora oficiosa do Kremlin em França, fica com mais esta “medalha” no seu cadastro: confessa admiradora dum genocida.

          1. 1 – O “Ocidente” (EUA/nato/UE et alli) queriam relegar a Rússia para o estatuto de pária a nível mundial. Mas não conseguiram. Os “países em desenvolvimento”, em particular, recusaram-se a aderir à campanha de isolamento da Rússia desejada pelo “Ocidente”, como se viu, recentemente, na votação liderada pelos EUA para retirar a Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU. É verdade que 93 países apoiaram a iniciativa, mas 100 outros países não o fizeram (24 contra, 58 abstiveram-se e 18 não votaram). Ainda mais impressionante é, esses 100 países, representarem 76% da população mundial.
            2 – A Ucrânia representa a derrota do “Ocidente”, isto é, a derrota do desejo imperial e unipolar de submeter o Mundo, iniciado nas Cruzadas.

    2. colonizados pelo poder imperial do Ocidente.

      É o que eles querem, sobretudo em África: carros, computadores e telemóveis. Ou achas que querem andar a correr atrás de macacos com uma lança? Até os comunistas gostam de hamburgueres e roupa quente.

      Já com os outros poderes colonizadores ou levam com uma missa e com o focinho tapado ou apanham com porrada e vodka porque esses poderes alternativos, saloios, abrutalhados, não têm mais nada para dar se não punição e morte. É esse o problema que vocês não entendem: o islão, os palestinos, os africanos, os russos, os chineses, toda essa tropa fandanga que não presta para nada, não têm absolutamente nada para oferecer ao mundo se não miséria.

  2. Recebi ontem um MMS de um amigo com a foto
    de Freud e esta legenda:
    En France deuxième tour très œdipien, entre celle qui a
    tué son père et celui qui a épousé sa mère.

  3. Em 2011, num trabalho para a Universidade de Lisboa (FLUL), escrevi:
    1 – Perante um objecto é difícil encontrar uma resposta plena para as perguntas: «Estou a ver o quê? Como, dentro de mim, e por que parte de mim, estou a vê-lo? O que é que sempre vi do que estou a ver, e o que poderei ainda não ter visto? O que é que esse ver não me deixou ver? Qual é a responsabilidade na comunicação que se faz dele à comunidade?».
    2 – Porque, onde alguém vê no objecto a prova de uma vitória militar, outra pessoa vê no mesmo objecto um acto criminoso de colonialismo; onde alguém vê no objecto o lado positivo outra pessoa vê o lado negativo.
    3 – O objecto é simultaneamente o verso e o anverso, a afirmação e a negação, a lembrança de algo e o esquecimento de outra parte, e assim sucessivamente.
    4 – O carácter polissémico e indecidível do objecto, e a necessidade desse problema ser constantemente resolvido nos actos comunicativos que são as expografias em contexto de Património, constituíram o ponto de partida deste trabalho e o desafio colocado à Cultura.
    5 – Em suma, o problema de um objecto assumir vários significados, e de estar sempre para além da evidência empírica e do positivismo do contexto onde está inserido.
    6 – Este problema de partida entronca num debate muito antigo, para o qual recentemente Junqua & Lacouture contribuíram a propósito do património dos gestos, ao afirmarem que: “O erro do empirismo é crer que os factos constatados contêm já a explicação do fenómeno. Exactamente ao contrário, é necessário encontrá-la.” (Junqua & Lacouture, 2001, p.9).
    7 – Antes, Karl Popper tinha afirmado que: “a raiz desse problema está na aparente contradição entre o que pode ser chamado de «tese fundamental do empirismo»  tese segundo a qual só a experiência pode decidir acerca da verdade ou falsidade de um enunciado científico  e o facto de Hume se ter dado conta da inadmissibilidade de argumentos indutivos.” (Popper, 1985, p.44).
    8 – E Fernando Gil acrescentaria ao debate a afirmação de que: “Experiência e Juízo partem do mesmo ponto. A experiência é «evidência dos objectos individuais» e a evidência dos objectos individuais constitui «o conceito de experiência no sentido mais lato». (…) Evidência do objecto individual e Experiência definem-se uma pela outra. (…) a concreção do individual exprime-se por um poder de fascinação por onde passa a função de apresentação: eis o segredo da operação da evidência.” (Fernando Gil, 1986, pp. 253/254).
    (PM-C, 2011, Biblioteca Nacional)

  4. Quanto ganhará o SAP3i para andar por aqui, e por outros lados, a defender o Putin, tão desesperadamente? Uma coisa é certa: ele tem um horário de trabalho longo, logo deve auferir um bom salário.

  5. entre ó-micron e le-penis
    escrevia no boletim de voto «não f…. + a minha França»
    por cá faço o mesmo
    qualquer gaja ou gajo serve para se sentar nos ministérios e aparecer nas tvs a mostrar a sua competência
    ammazza la vecchia col flit!

  6. Não é preciso Putin para votar contra Le Pen. Não foi preciso em 2002 contra o pai, nem em 2017. Inquietante é a tendência: 82% contra em 2002, 66% em 2017, seria bom se ultrapassarem os 55% (e uma boa surpresa se ultrapassassem os 60%) em 2022.

    1. Se Macron vencer por 10 pontos percentuais, será um bom resultado. A partir daí, já será óptimo.
      Mas França é sempre uma incógnita. Dela se diz ter a esquerda mais estúpida da Europa e a direita mais cretina do continente.

      1. Pretensiosa,incompetente e muito perigosa
        neste contexto em que nos encontramos actualmente.
        Seria um verdadeiro desastre .

          1. Os milhões que ela recebeu do filho da Putina
            e que provavelmente são um presente “generoso “ do grande líder,
            deixam-na completamente dependente desses monstros .
            A Europa está numa situação muito delicada.
            Temos que cruzar os dedos com muita força para que Macron ganhe
            estas eleições.

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