
Helena Sacadura Cabral: «Passaram hoje 90 anos sobre a travessia do Atlântico Sul. A Marinha e a Aviação comemoraram a data e convidaram os familiares próximos. Sacadura Cabral era o irmão mais velho de meu Pai e um homem de que toda a família se orgulha. Não só pelo feito glorioso mas, sobretudo, pelas qualidades humanas que possuía e que fizeram com que, após a morte de meu avô, tenha tomado a seu cargo os onze irmãos que ficaram órfãos. Foi por isso, com muita satisfação, que estive presente na cerimónia, honrando um nome que é o meu e o de alguém que, para nós, foi sempre uma figura exemplar!»
Ivone Mendes da Silva: «Aprendi a ler muito cedo e, por isso, cheguei rapidamente aos livros. Comecei pelas aventuras exóticas e pelos policiais da Agatha Christie e um dia, ao abrir o Mar Morto de Jorge Amado, li: Pastoreávamos a noite como se ela fosse um bando de irrequietas virgens na idade do homem. Pensei que devia haver vida para além do crime e peguei nos primeiros volumes que estavam à mão na estante. Era o Guerra Paz ou, pelo menos, coisa que se assemelhava. Não parei deste então. Fui andando pela estante de casa e por outras estantes e li tudo em que consegui pôr os olhos.»
José Navarro de Andrade: «É só para dar uma noticiazinha de rodapé que parece ter ficado esquecida: voltem a pôr a rolha no champagne, Carla Bruna deverá morar mais 5 anos no Eliseu (e Sarkozy também). Para Portugal isto nem é bom nem é mau, ou alguém ainda se iludirá com a hipótese de Hollande defender uma política europeia para a França (esta frase é assim mesmo) diferente da actual?»
Leonor Barros: «A crítica é rapariga para não gostar. Vociferar pela falta de elipses, paralaxes, pleonasmos e eufemismos, a ausência de polifonia, cacofonia e telefonia, não tem nada a ver mas apeteceu-me, a critica gosta desta palavras difíceis e herméticas, não vá o povo entende-las, e ele escreve ao correr da pena, sem presunções, é dono de uma miraculante imaginação ou detentor de mais histórias do que a história permite e um pedaço vivo da História contemporânea. Chegou a Berlim directamente de Moscovo em 1990 e lá ficou até hoje. E escreve.»
Luís M. Jorge: «Há cerca de dois anos os socialistas escolheram o deputado Ricardo Rodrigues (do gangue) para liderar um combate sem tréguas à corrupção. A estratégia deve ter dado frutos, porque este mês o PS já homenageou Paulo Campos nas jornadas parlamentares e propôs Conde Rodrigues para juiz do Tribunal Constitucional. Em marketing chama-se a isto um posicionamento: o PS procura diferenciar-se como o partido dos bandidos na opinião pública portuguesa.»
Rui Rocha: «Geir Haarde, antigo primeiro-ministro islandês, escapou a ser preso no processo em que era julgada a sua responsabilidade na bancarrota do país. A honra de ser o primeiro político a cumprir pena por tal motivo ainda pode caber a algum velho conhecido.»
Eu: «Se somarmos os 6,4 milhões de eleitores de Marine Le Pen (que conduziu a Frente Nacional ao seu melhor resultado de sempre) aos quatro milhões de Jean-Luc Mélenchon, representante da Frente das Esquerdas (o equivalente gaulês do Bloco de Esquerda), verificamos que cerca de um em cada três franceses renega o essencial do projecto europeu tal como foi desenhado no último meio século. No todo ou em grande parte, estes eleitores querem que o país abandone o euro, renegue Schengen, rasgue o Tratado de Lisboa. (…) “A extrema-direita, com quase 20% na França do século XXI, é o resultado da crise económica, política e moral”, alertou o candidato centrista François Bayrou, que obteve uns decepcionantes 9,1%. É a voz da razão. Mas cada vez menos querem ouvi-la nos dias que vão correndo, em que tudo serve de pretexto – à esquerda e à direita, com a cumplicidade activa das candidaturas do “sistema” – para enterrar o projecto europeu. Todos teremos a perder com isso. E, como é de prever, só perceberemos tarde de mais.»
