Desde o acordo entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho que Manuela Ferreira Leite foi ressuscitada – em sentido figurado, entenda-se, que tanto quanto sei a senhora encontra-se bem de saúde, como espero que continue. Mas desde o pedido de desculpas (ridículo, de resto) de PPC que muito boa gente começou a dizer “eu avisei” e “ela é que era má, não era?”. Vamos lá ver: a discussão é irrelevante a esta altura. MFL já não é líder do PSD. Ficou para trás nas últimas eleições do partido. Estar a comparar uma atitude concreta – a de PPC – com uma hipotética – a de MFL (eu não sei se ela teria feito o mesmo ou não, e não tenho forma de saber) é pura perda de tempo. O que importa é o presente, é o que temos – e o que temos foi um enorme passo atrás de Passos Coelho. Não concordo com esta (interessante) análise do Filipe Nunes Vicente: se em teoria faz sentido, na prática – que, de resto, é o que interessa – creio que, para a maior parte das pessoas, PPC ajudou apenas a reforçar a ideia de que “eles são todos iguais”. E isso não só não lhe irá trazer votos, como ainda pode ser munição nas mãos dos adversários (de todos eles).

Concordo, naturalmente, com a análise do Filipe, João. Pedro Passos Coelho, que não foi a votos em Setembro, pediu desculpa. José Sócrates, pelo contrário, não pediu desculpa aos eleitores que defraudou há sete meses nas urnas. Nunca fez tal gesto, nas anteriores ocasiões em que quebrou promessas eleitorais, e não o imaginamos sequer a fazê-lo. Haverá melhor prova, aos olhos de todos, que estes dois políticos não são iguais?
Se Sócrates fosse começar a pedir desculpas… tinha de recuar a 2005. Pelo menos. Quanto às desculpas de Passos Coelho, são irrelevantes. O Estado está a ir ainda mais ao bolso dos portugueses – não me parece que quando se começarem a contar os trocos alguém pense “bom, mas tinha de ser, e ao menos o Passos Coelho pediu desculpa, coitado”. De boas intenções está o inferno cheio – e Portugal também, aliás.
Se são iguais, ou diferentes – no final pouco importa. Quando digo que muita gente pensa “eles são todos iguais”, não falo apenas de Sócrates e de Passos Coelho, mas da classe política em geral. O problema é mesmo esse. Eles são todos iguais – é indiferente em quem votamos. Ou não terá sido nesta lógica que o PS foi reeleito em Setembro?
Tenho de concordar com o que o Pedro disse acima, John. Independentemente do teu sempre respeitável ponto de vista, um tem cara para pedir desculpa olhos nos olhos do País e o outro desconfio que nem cara tem, quanto mais olhos. De uma coisa estou certo: tivesse este último a tua atitude linear e frontal e tudo seria diferente.
Eu não quero cara nem olhos… quero que me parem de assaltar 🙂
Bom, fui gramaticalmente trolha naquele comentário ali acima: quero que parem de me assaltar. Obviamente.
Estava a ver que querias que te parassem. Ainda bem que não. Eheh…
Trolha ou não, toda a gente entendeu o seu comentário. É por isso que, de quando em vez, fico nervoso e cheio de azia ( como se diz no futebol ). Como se pode ter boa disposição, ou sermos alegres, se nos estão a ir aos bolsos. O curioso é que encaramos isto na maior!
Deixe chegar o final de cada mês. Veremos então quantas pessoas vão estar “na maior”.
Há outro detalhe na atitude de PPC que ainda não referi por falta de tempo: trata-se de fazer o que se espera que se faça, coisa que nos modelos de atribuição tem também ( um curioso) lugar.
.Lá irei.