Já o novo milénio vai longo e em Portugal ainda se pensa como se estivéssemos no início do anterior. A agora famosa Professora de Mirandela, cujo nome não sei e também não vou procurar, decidiu despir-se para a Playboy e, num ápice, passou de coordenadora de actividades de enriquecimento curricular para o desempenho de funções no arquivo da Câmara Municipal de Mirandela, sendo que o edil local garante, segundo o Diário de Notícias, que “não voltará a ter contacto com os alunos da escolas do concelhos“, como quem ainda pensa que a SIDA se transmite por meio de ósculos.
É lamentável que este tipo de mentes, reprimidas na sua vivência da vida e do mundo, continuem a coarctar a liberdade que cada um tem à autodeterminação. Como comprova a imagem anexa a este post, não se trata-se de algo barato ou degradante, é uma reportagem e uma sessão fotográfica digna e normal no mundo moderno.
Certamente que o Presidente da Câmara Municipal de Mirandela, o representante do Ministério da Educação e o representante do Agrupamento de Escolas Torre de Dona Chama, nunca compraram uma Playboy e talvez esse seja o motivo para o conservadorismo bacoco da decisão que patrocinaram. Ou será que compraram e inclusivamente já viram pornografia mas defendem que só as mulheres de maus costumes, essa corja marginal à sociedade, é que podem fazer livre uso do seu corpo e proporcionar essas imagens à sociedade e, nesse caso, serão um hipócritas elevados à enésima potência?
É por estas e por outras que a Educação Sexual é algo cada vez mais premente nas nossas escolas para que, quando crescidos, sejamos saudáveis e não vejamos o demónio em tudo. O importante é as crianças cresceram a saber para que serve o seu corpo e o que é ou não correcto. Não é privando-as e escondendo a realidade que as orientamos para a vida.


Pela imagem que juntas ao texto, não me resta a menor dúvida de que a referida docente tem qualificações mais que suficientes para ser “coordenadora de actividades de enriquecimento curricular”, seja lá o que isso for. E a amiga dela também.
Essa era uma das piadas que esperava, Pedro. A outra é a típica de que “é uma pena que no meu tempo as ‘stôras não se despissem”! 🙂
Abraço.
É uma pena que no meu tempo as ‘stôras não se despissem. Mas desconfio muito das novas funções dela no arquivo da câmara. Quem é o chefe do arquivo?
Isso já é campanha para daqui a 3 anos seres eleito Presidente da Câmara de Mirandela?
Só estava a pensar ser chefe do arquivo municipal.
És modesto mas compreendo a atitude.
Menos desgaste e melhor ambiente de trabalho.
O coordenador das referidas actividades (inglês, música e educação fisica), nos casos que conheço (e que são apenas 4), não dá aulas. Limita-se a zelar pelo bom funcionamento das ditas actividades, verificando se as mesmas são leccionadas de forma adequada, canalizando para quem de direito problemas disciplinares que ocorram, providenciando professores substitutos quando há faltas, etc, etc.
Desconhecia esse facto, Carlos Pimenta. Isso torna a situação ainda mais grave na medida em que, não havendo contacto directo com as crianças, a situação é ainda mais estranha.
Bem, vamos lá a ver, contacto directo com crianças, numa escola do 1º ciclo, é algo que é praticamente incontornável. Estamos a falar de crianças dos 6 aos 10 anos (grosso modo) e que desarmam qualquer adulto, mesmo os mais cinicamente irredutíveis, ou quase. Mas sim, o contacto do coordenad@r é bem mais reduzido do que o dos professores que todos os dias leccionam as AEC, por uma paga de miséria (bem como os coordenadores). Seja como for, para o caso o que conta, na minha modesta opinião, é a forma absolutamente retrógrada com que o assunto foi lidado. A senhora despiu-se para uma revista. E depois? No fim de contas, o que este caso me leva a pensar é que quem necessita da tão propalada mas sempre adiada educação sexual nos currículos escolares não são os jovens e, antes, os adultos. Enfim, num país onde dois dos três Fs do Fascismo permanecem tão actuais (e logo os dois piores), não surpreende.
Se o Cristiano Rolando fosse professor a meio tempo e se fosse fotografado para a “playgirl” a Vereadora prolongaria o contrato.
E muito boa gente contraria a ‘stôra para assessora. Esqueci-me de saudar esse aspecto da decisão…
Julgo que a senhora terá sido “re-colocada” por motivos logisticos..
Desde que saiu na Playboy que a escola tem sido invadida por multidões de pais que querem participar na vida escolar.
Incluindo pais com filhos noutras escolas…
miguel
É uma resposta alternativa à crise de participação dos pais na vida escolar. Eh! Eh!
Eu acho é que toda a gente já se esqueceu da prioritária “educação sexual”…
É uma das próximas batalhas da Juventude Socialista por isso creio que ganhará algum mediatismo. Hei-de falar disso nos próximos tempos…
Qual é a batalha? A Educação Sexual nas escolas, ou a necessidade de as professoras se despirem? 🙂
A dúvida é pertinente, porque o PS tem várias batalhas prioritárias. Depois dos casamentos homo, tem de vencer a crise, tem de vestir as professoras às segundas, quartas e sextas, tem de enfrentar a forte especulação dos mercados, tem de despir as professoras às terças, quintas e sábados, tem de baixar a despesa pública, tem de arquivar mais professoras nas câmaras, tem de desenvolver a economia, tem de comprar a ‘Playboy’, etc.
Obviamente que o PS tem várias batalhas prioritárias, como Partido que concretiza no dia a dia os propósitos reformistas que o levaram ao poder. De qualquer forma eu referi-me à agenda da JS e não do PS, pelo que, entre as reminiscências daquela professora que gostavas de ter visto nua, temo que estejas a confundir tudo…
Fico satisfeito. Vejo que estás bem disposto. Eheh…
Antes de mais a batalha da Educação Sexual nas escolas. A parte em que as stôras e os stôres se despem pode perfeitamente estar incluída na margem de discricionariedade dos docentes…
Não percebo tanta indignação, até porque desta vez funcionou bem – e é tão raro! – o sistema de colocação de docentes: Torre de Dona Chama parece-me o local ideal para uma professora tão ardente.
Brincadeiras à parte, André, percebo o que queres dizer mas não concordo muito contigo. Acho que ainda estamos a anoz-luz de aceitar um facto desses com naturalidade, sobretudo num meio pequeno como Mirandela (eu já vivi em meios pequenos e isolados e sei bem como é). E não é com educação sexual nas escolas, dada de qualquer maneira e por qualquer pessoa, que as mentalidades mudam para melhor. Que esta professora tem direito a fazer sua vida privada o que quiser fora do horário de trabalho é indiscutível, mas há um mínimo de sensatez que se exige a quem lida com crianças e lhes forma o carácter. E não me parece que ela tenha demonstrado esse mínimo com uma atitude tão provocatória como esta. Não se trata de hipocrisia, mas de bom senso.
Mas gosto muito de ver-te outra vez por cá, quer discordemos ou não. Tens feito falta!
🙂
O Ferreira Fernandes no DN de hoje também lhe dá um toque do quão apropriado é o sítio para a ardente Senhora. Muito bem! 🙂
Percebo o que dizes mas, lá está, discordo de ti! Eh! Eh! Os exemplos e o moldar das mentalidade é algo que tem de vir também de cima, através do exemplo dado por quem tem o poder decisório. Não acho que o facto de uma ‘stôra se despir para uma revista molde negativamente o carácter das crianças com quem lida. O importante é explicar às crianças o que é o corpo, o que deve e não deve ser feito com ele educando-as de forma a que possam, em consciência, tomar boas decisões no futuro, com as cabeças limpas das teias de aranha do costume.
A Educação Sexual não pode ser dada por qualquer pessoa, nem é isso que se pretende. É necessária formação específica tal como acontece com todas as outras disciplinas do programa escolar.
Agora tenho e vou andando mais por cá para vos atormentar com os meus devaneios… 🙂
Não li o Ferreira Fernandes, mas o nome da terra estava mesmo a pedir…
Essa é uma longa e muito necessária discussão, ainda por fazer a nível nacional: se, como, quando e por quem deve ser feita a educação sexual nas escolas. O problema é o do costume: acaba por atamancar-se tudo de qualquer maneira e “implementa-se” para cumprir programa, como se o tema fosse simples e de consenso universal. E não é. Quanto à limpeza de teias de aranha, aí estamos de acordo. Que venha o espanador, mas que não limpe também toda a beleza e o mistério do sexo antes de tempo, transformando-o em “informação prática”. Esse equilíbrio é que é difícil, e por isso o tema é tão delicado.
Espero que nos atormentes mais vezes a partir de agora. Os nossos Delfins são preciosos!
🙂
Desta vez estamos de acordo.
Este é um debate que começou muito timidamente e que foi remetido à gaveta. Acho que é tempo de saltar de lá novamente para que seja feita a devida reflexão pública e todo o debate de ideias necessário.
Seja uma disciplina mais ou menos ambiciosa na sua extensão e conteúdo, o que me parece importante é que exista mesmo. Sem querer quebrar “a beleza e o mistério do sexo” também me parece importante que se criem condições para que essa magia não se transforme em pesadelo, antes ou depois de tempo, como amiúde acontece.
Obrigado por essa simpatia em que és useira e vezeira!
🙂
Concordo com a Ana, André. Inclusive com o último parágrafo.
Obrigado, João!
São os efeitos do “Benfica Campeão” na economia do Delito de Opinião!
Abraço!
Bruna caiu na real e só quis com as suas formas redondas arredondar também o seu fim do mês.
Melhor fôra dançar flamenco.
Eles não compram a Playboy , pois não, porque preferem pedir a revista emprestada a um amigo, para não parecer mal e a “esposa” não lhes dar com o papel couché em cima, mas depois não há alternadeira que lhes escape. É em Mirandela, é em Bragança, é por todo o lado.
Este continua a ser um país de pacóvios. Para aquela gentinha não interessa saber se a rapariga é competente ou incompetente, se cumpre as suas funções ou não (um colega dela dizia que sim aos microfones da TVI e que era “boa professora”).
E se assim é, e ainda por cima tem boa apresentação, eu no lugar dos alunos faria greve. Não há direito.
Seguramente que se ela tivesse buço e fosse um coirão a revista não teria esgotado e ela não teria sido punida sem processo disciplinar (porque é disso mesmo que se trata).
Vícios privados, públicas virtudes.
Escreveste directamente aquilo que eu tinha na minha primeira versão e que fui burilando para ficar mais light. Erradamente.
Ora nem mais! Estava quase a colocar o teu comment no lugar do meu post.
É uma posição indiscutivelmente correcta, Sérgio. Quanto a mim, só peca por deixar de lado o bom-senso a que a realidade obriga e que a Ana refere acima, porque é a sensatez que permite o devido ‘balance’.
Lembro-me de, já há muitos anos, haver uma frase publicitando um filme (cujo nome já não recordo) de conteúdo mais ou menos picante sobre uma professora e que dizia: “Ela dava as suas melhores lições depois das aulas”. Parece-me ser exactamente esta a situação que se aplica a esta senhora professora de Mirandela, cujas competências académicas estão mais que demonstradas pela ilustração junta e não poderem ser alvo de qualquer avaliação menos boa, seja ela de que tipo seja. Aliás, julgo que terá sido justamente por ter rebentado com a escala avaliativa habitual que a terão posto na prateleira onde se encontra muito bem arquivada à guarda do Arquivo Municipal, devidamente ‘supervisionada’ pelo edil local, claro está.
“Tá-se mesmo a ver, num tá-se?”
É o que toda a gente tem dito: o processo de avaliação não é justo…
Com a falta de vagas na educação, esta senhora veio estimular e abrir novos horizontes de trabalho a outras mulheres com determinados atributos naturais, podendo desatar perspectivas, mas agora que se aproxima o tempo quente e as praias enchem-se de gente praticamente nua, as impressões em papel passam a ser secundárias.
Veja bem, Francisco: esta senhora pode abrir novos horizontes, mas o que ela realmente abriu já anda a ser aberto desde que o mundo é mundo. A única novidade foi meterem-na no arquivo municipal, não sei se com ou sem roupa. Mas isto também não são novos horizontes – apenas novas oportunidades…
Tenho algumas dúvidas que a “punição”, seja a medida mais acertada, no entanto a minha opinião vai muito no sentido da manifestada acima pela Ana Vidal. Para ser franca eu não gostaria de saber que a professora de um filho meu se despia para a playboy . Há qualquer coisa de pouco conciliável entre a atitude que se requer para uma docente e a necessidade de protagonismo da própria que a leva a posar para uma revista como a playboy . E não me parece que isto tenha alguma relação a com educação sexual nas escolas. As coisas são o que são, ainda está bem fresco na memória as mães ou esposas de Bragança, ou lá o quer era aquilo, isso sim de um ridículo e pacovismo mortal.
Subscrevo, sem tirar nem pôr.
Exactamente, Ariel.
Ariel,
Aquilo a que chamou “necessidade de protagonismo” pode ser mera carência económica ou puro gosto em que o seu corpo seja fotografado daquela forma, o que para muito é considerado arte.
Acho que não devemos julgar as pessoa e as suas atitudes de forma tão superficial. Não creio que sair na Playboy seja indicativo de má personalidade ou inaptidão para tomar conta de crianças. Bastará vermos os nomes que nas últimas décadas o fizeram para deixarmos cair esse preconceito.
Caro André, ao contrário do que o André entendeu, não estou a julgar negativamente a senhora. Aliás, nem negativamente nem positivamente. Não estou a julgar de todo a atitude enquanto mulher. O que estou a julgar é a atitude enquanto professora. E aí sim, pelos vistos temos posições muito divergentes. As questões de carência económica, desculpará, mas para mim não colhem. Aceito perfeitamente que seja uma questão de gosto pessoal. Quanto a estar a “julgar” de forma superficial, talvez esteja, mas não me parece que o André tenha muito mais dados para julgar o assunto mais profundamente ou tem?
Ensinar e formar crianças é um magistério que exige entrega, dedicação, entusiasmo e grande vocação. Bem sei que hoje em dia esses predicados andam pelas ruas da amargura, mas por mais que me esforce, a única conclusão a que chego é que a senhora deve mudar de profissão, para bem de todos, a começar dela própria.
Pura adivinhação:
Logo que a poeira assente o edil de Mirandela irá auto-designar-se como Coordenador Geral do Arquivo. Como pessoa competente que será poderá dispensar os serviços dos restantes funcionários. Claro que a stôra Bruna fica.
Será a Bruna Lombardi?
Tudo, tudo se liga sempre com tudo:
http://lishbuna.blogspot.com/2010/05/o-p apa-gaio-e-bruna-e-embora-possa-nao.html
http://lishbuna.blogspot.com/2010/05/exa ctamente-alteza.html
Concordando com a Ana e a Ariel, resta acrescentar que ninguém contesta a vida privada da professora, apenas se repara na inconveniência da justaposição de educadora de crianças.
Não tarda e, então, estaria a professora a fazer um filme porno, ninguém tem nada com isso, continuando a dar aulas como se nada fosse.
Há áreas que têm de ser bem separadas e este caso não deve prestar-se a comentários jocosos só porque “admite” este caso habilidades linguísticas e interpretativas. Se o nú for além de um fellatio, ir-se-ia pela via do enriquecimento da aula de Educação Sexual também?…
Isto do nu (sem acento) é realmente o diabo. Veja bem que, se o nu vem publicado na ‘Playboy’, a última coisa que poderá dizer-se é que se trata de matéria da vida privada…
Zé Luís,
De “reparar na inconveniência da justaposição de educadora de crianças” a ser afastada das suas funções vai uma grande distância. Distância tão grande como a que registo entre a participação numa reportagem fotográfica daquele cariz e fazer um filme pornográfico.
É inenarrável que de uma reportagem fotográfica de erotismo puro se termine a falar em fellatios, ou será que quando vê uma mulher nua sente esse tipo de prazer?
Já agora lembro a origem do nome da terra, que teve origem numa senhora que era danada para a brincadeira. Não tem nada a ver com a professora da Playboy, mas é sempre bom acrescentarmos cultura ao nosso saber.
Saudações.
Lenda da Torre de D. Chama: Segundo a lenda, o topónimo Torre de D. Chama terá vindo “pela Torre que nela havia no Castelo e que por isso se chamou Torre. E acrescentara-se Dona Chama porque era a vila e a Torre de uma grande Senhora gentia, no tempo em que os mouros residiam nestas terras, chamada Dona Chamorra. Sendo inclinada ilicitamente aos cristãos mandava chamar aqueles de melhor perfeição e os metia na torre para satisfazer o seu apetite. Para que a não fossem descobrir não tornavam mais a sair por lhe fazer ir conhecer o mundo da verdade. Sucedendo ir um mais avisado diz se que satisfizera o seu apetite e adormecera se acostada a ele. Como a sentisse dormindo se retirou como pode levando lhe um anel que lhe tirara do dedo, coisa de grande valor, e bem conhecido dos criados (o dito anel). E o levara no dedo para sinal que a Dona Chamorra lhe dera para assim os enganar para que o deixassem passar as guardas, o que passou. Estando já livre, Dona Chamorra despertara, acudiu mandando o chamar para que voltasse ali que a “Dona Chama”. Pensando que ele a descobrira matou se a si mesma”. Daí se chamar a Torre de Dona Chamorra, passou a chamar se a Torre da Dona (que) Chama”. (Abade de Baçal, Memórias Arqueológicas…, vol. X, p. 265.)
Para quem é do Sul, vejo que sabe muito do Norte.
No meu tempo não era nada disto – tenho uma inveja dos putos que me pélo.
Ora bem! Sinceridade acima de tudo.
Estava a ver que a contrário do que previ ninguém se saía com essa!
Gostava de saber quantas pessoas de Mirandela daqui a um ano ainda guardam a revista.
Gente tão tacanha quem pensa assim.
Parece há uns anos quando deu o Império dos Sentidos na RTP2, nunca ninguém via a 2 no dia seguinte foi tema no parlamento, share altíssimo.
Estes casos têm sempre por base um princípio elementar: ver para crer…
Como foi dito aqui algures: “vícios privados, públicas virtudes”!
Sejamos práticos: imagine-se uma aula com esta professora. Imaginem-se alunos com as “hormonas aos saltos”, numa idade em que a curiosidade relativamente ao sexo atinge o seu máximo, com imagens da dita professora desnuda a circular discretamente por baixo das mesas. Alguém acredita que esta seria uma aula produtiva? Eu sinceramente acho que não. Quem faz opções na vida tem de viver com as consequências. E esta professora em início de carreira deveria ter ponderado bem antes de tomar uma decisão deste tipo.
Também acho.
As imagens correm na mesma por baixo das carteiras nas aulas dos outros professores
Do que me recordo dos tempos de escola rara era a aula que era efectivamente produtiva. O fim da infância e a idade do armário têm dessas coisas. Se não circulam as imagens da Professora nua, outras circulam. Tudo está na atitude e na competência da pessoa.
Ainda hoje me lembro que a Professora que na minha escola tinha os alunos “no bolso” era a que ostentava o maior decote e se é verdade que no pátio todos a comentavam, lá dentro ninguém fazia farinha.
Digam o que quiserem, eu acho que a profissão de professor exige um mínimo de recato para que se consiga efectivamente conquistar o respeito dos alunos. Estamos a lidar com jovens de tenra idade, em plena formação de carácter, o que exige da parte dos professores um cuidado extra relativamente à postura que mantêm. A professora é livre de fazer o que quiser, desde que isso se mantenha na sua esfera privada. E diria exactamente o mesmo caso se tratasse de um professor, não é uma questão de género.
A professor chama-se Bruna, André – um nome muito apropriado. Pus na etiqueta: bom para chamar audiências.
Como bem sabes os meus textos estão sempre abertos aos ajustes que entenderes. É o contributo mínimo que posso dar para o trabalho fantástico que fazes na liderança deste nosso grupo!
Um abraço.
1. Decência é um conceito geral e indeterminado, que abarca também o absurdo e o preconceito.
2. O que cada um faz fora do seu local de trabalho, desde que não seja nenhum ilícito penal, ninguém, e muito menos o Estado, seja por intermédio da Administração Central ou Local, tem a ver com isso.
3. Relativamente a este caso só há uma explicação plausível:
Os puritanos que criticaram e suspenderam a prof foram na verdade os que contribuíram para o esgotamento da revista em Mirandela, pois andaram a servir-se das fotos da referida prof para contar azulejos. E por inveja, já que as suas mulheres têm muito pêlo e banha, armaram-se em porta-estandartes da moral e dos bons costumes profissionais…
É a escola das mães de Bragança no seu melhor…
5. Devido ao vencimento que aufere, resultante do vínculo laboral precário que possui, é natural que a prof em questão procure ganhar mais uns trocos numa actividade que lhe dê mais compensação (moral e material). É o que toda a gente jovem neste país faz…
6. Além disso, as mulheres que se despem artística ou profissionalmente não devem ser censuradas socialmente, pois isso em nada as desmerece perante as demais congéneres.
7. O fantasma do Tony de Santa Comba Dão ainda assombra muitas autarquias do nosso Portugal profundo…
Muito bem e extremamente objectivo. Das melhores súmulas que foram deixadas neste post.
Concordo com tudo.
E se um Bruno qualquer, professor, pousasse nu para a Play Girl ? Qual seria a reacção?
E se fosse um/uma deputado/a?
E um juiz ou juíza ?
Nada teria a apontar ao Bruno.
Quanto aos Deputados e Juízes creio que isso é algo que as suas classes e estatutos têm de regulamentar. Aceito que determinadas funções exijam que os seus titulares se resguardem mais. De qualquer forma, no que me toca, isso em nada contribuiria para que se ficasse a sentir que não têm competências para as funções que desempenham, pelo que nada deveria ser apontado se não constituísse qualquer tipo de ilícito. Bem mais grave que isso é constatar que há muitos que mal põem os pé na Assembleia da República.
Não sei quem é o blogger nem que idade tem, entretanto há profissões que não se complementam com outras, a sociedade actual tem as mesmas premissas que a degradação da sociedade romana alguns séculos atrás. abdicaram de princípios éticos.
Não existem princípios filosóficos perenes no social e politicamente correcto do presente, é uma grande balela, bafienta.
A liberdade conquista-se pois assim ela é valorosa, hoje rotula-se de tudo quando outros não comungam pelo mesmo diapasão.
Por que eí de estar obrigada a gostar do amarelo, se prefiro o verde?
Já agora os portugueses do norte são diferentes dos cá de baixo. A Galaecea está na sua matriz.
André Couto, 27 anos.
Compreendo o que diz. Também eu acho que há funções que não se compatibilizam com o facto de o titular se despir numa revista. No entanto não acho que a profissão de coordenação de actividades de enriquecimento curricular seja incompatível com essa atitude.
No desempenho de funções no arquivo da Câmara Municipal de Mirandela, a Professora de Mirandela fica mais à mão — e olhares lânguidos — dos edis!
E aí sim, em privado, ninguém poderá apontar o dedo aos decisores. Concordo plenamente. Gil Vicente faria um tratado a partir deste episódio.
66 comentários, na sua maioria de homens?
Brrr..
Se não fosse por receio de ser entendida como ofensiva, o que não pretendo, pedia-lhes que pensassem com outra cabeçinha.
(olhem, já está, se levarem a mal…)
“É inenarrável que de uma reportagem fotográfica de erotismo puro se termine a falar em fellatios, ou será que quando vê uma mulher nua sente esse tipo de prazer?”
André, só quis dar um exemplo, obviamente extremo, de incompatibilidade funcional.
O que é erotismo puro é algo muito subjectivo e quanto ao que eu vejo na moça também pouco importa para o caso porque não estou aqui a julgá-la pelo extra que angariou, como creio ter ficado bem explícito.
Ela até podia trabalhar ao seu lado numa repartição, é um exemplo, que não viria mal ao mundo. Quer dizer, você ia pôr os olhos nas curvas dela, como já poria vendo-a vestida. E as “bocas” não faltariam, decerto para animação do ambiente e elevada produtividade.
Mas, sem censurar o que fez, nada disso, não é possível admitir a sua função de educadora. Nem de Música…
Este é um princípio básico. Poderíamos chegar a outro extremo, já bem real, de casos nos EUA de professoras aliciarem jovens estudantes (ou vice-versa), com as consequências que se sabem. Se é que julga saber.