Eleições próximas?


Luís Menezes Leitão,

Escrevi nesta crónica que a geringonça ia entrar em colapso por causa das medidas de austeridade. A verdade, no entanto, é que já entrou em colapso a propósito de uma questão de lana caprina: o nome do cartão de cidadão. Primeiro veio o Bloco de Esquerda, que ainda não decidiu se quer ser um partido a sério, ou se quer andar a brincar com iniciativas risíveis, a propor a mudança do nome do cartão de cidadão para cartão de cidadania, por considerar a expressão cidadão como discriminatória. A proposta foi naturalmente objecto da chacota geral, mas o Bloco insistiu em que era para levar a sério. 

 

Curiosamente, no entanto, mesmo perante a hilariedade geral, o PS que tinha fama de ser um partido sério, veio logo, e por intermédio de um Ministro do governo, apoiar a iniciativa do Bloco. Na verdade, a proposta suscitou simpatia nalguma ala esquerda do PS, que vê discriminação em tudo o que mexe, até na gramática portuguesa. Mas não é essa a razão porque foi apoiada pelo PS. A razão é que o PS treme de medo da ideia de irritar o Bloco, e que este o derrube no parlamento, e por isso aceitará todas as propostas dele, seja a criação de uma novilíngua, seja pura e simplesmente a bancarrota do Estado português. Aliás, para lá estamos a caminhar a passos largos, como se vê por isto e por isto.

 

Já o PCP, que sempre foi um partido sério e não alinha em disparates, naturalmente quer que o tirem desse filme. Com efeito, Álvaro Cunhal já tinha chamado a este tipo de inciativas o radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista. Por isso, o PCP anunciou que estava contra a medida de mudar o nome ao cartão de cidadão, não se comovendo com a enorme discriminação que esta pelos vistos promove. Assim se a medida for para a frente, assistir-se-á a uma proposta do Bloco, secundada pelo PS, ser chumbada no parlamento, com o PCP a juntar-se à direita, o que aliás já tinha acontecido a propósito de Angola. O problema é que, se estas votações se repetirem com frequência, ninguém apostará um cêntimo na subsistência deste governo.

 

Marcelo Rebelo de Sousa é que está a fazer tudo para salvar o Governo, tanto assim que o seu “Portugal Próximo”, no fundo uma presidência aberta, já inclui António Costa como apêndice. Vamos ver é se o Portugal Próximo não se transforma em pouco tempo nas Eleições Próximas. Embora não se espere que estas alterem o que quer que seja.

0 comentários em “Eleições próximas?”

  1. Antes de mais, o Luís permita que lhe oferte um momento relaxante e transcendental para acalmar essa onda apocalíptica que tem vindo a assolar sua alma. Tenho a certeza que vai gostar (escute até ao fim e abra uma janela com este som paradisíaco enquanto trabalha):
    https://www.youtube.com/watch?v=aRwhkBAeheM

    Agora avanço para o mais. O Primeiro parágrafo, até à penúltima sentença, reflecte uma verdade inquestionável. O BE entrou na onda das feminices e já começa a cheirar mal. Já avisei a minha Laurinda, após uma noite firme e combativa, que a minha gaita passava a ser chamada de gaito. Acabaram-se as confusões de género. A partir de agora o único género admitido a debate são os géneros alimentares. E já avisei que não abdico dos, sim disse dos, papos de Cérelac. Estou em crescimento.
    Porém, o cenário apocalíptico que nos apresenta na última sentença não o é. E não o é porque a dívida pública só estava a ser encoberta. Portanto, quer o Banif quer o BES fazem parte de outro dilúvio, mas com reflexos no actual ecossistema.
    No que respeita ao PNR, ele está muito bem esgalhado. Mesmo na parte onde se aumentará os custos nos serviços. Não esqueça que a introdução de oftalmologistas e estomatologistas não são somente custos, são também factores que beneficiarão outros fornecedores, e não só as farmacêuticas. O que significa arrecadação de impostos por via indirecta e injecção de capital na economia por via da criação de mais postos de trabalho, incluindo os auxiliares. É disto que precisamos agora.

    E sim, aprecio mais a ortodoxia do PCP que o cosmopolitismo provinciano (eu sei, é um paradoxo) do Bloco, ou deverei escrever da Blocagem (?).
    Portanto, este governo subsistirá com estes equilíbrios. Até mesmo contra a vontade do PSD e CDS.

    No que diz respeito à proximidade também não concordo, refiro-me naturalmente à proximidade das eleições. Quer o BE quer o PCP sabem que uma queda do PS reverteria a sua capacidade de influência. E isto seria ruinoso para eles.

    P.S. Aprecie aquela voz que surge não se sabe de onde a partir do minuto 58 (miserere mei, Dei).

  2. Uma luta entre dois galos com ideias diferentes sobre a capoeira.

    Um, matreiro e oriundo de uma escola que busca o poder pelo poder, inventou dois azes extras no baralho de cartas viciado que é o sistema eleitoral. Aparentemente, só aparentemente, ainda está instalado no poleiro mais alto, a cacarejar, mas já em falsete.

    O outro, o ainda mais matreiro, finge que apoia o primeiro. É que de quanto mais alto o primeiro cair, maior será o seu futuro espaço de manobra. E manterá sempre as suas multicores asinhas, em branco.

    O curioso será o que este último fará com todo o poder que lhe vai cair no colo.

  3. O Conselho de Finanças Públicas, no seu parecer, disse estar preocupado e, quem quiser saber os motivos que os procure porque, agora, só quero aproveitar para dizer umas “coisitas” antes que, neste velho Continente, se instale, definitivamente, o PC – o Politicamente Correto, a nova forma de enraizar um novo fascismo, na liberdade de expressão. Por aqui, ainda se luta contra isso, nem que seja através da ridicularização ou da comédia, no entanto, o assunto é muito sério.

    Como sempre, somos um país que segue na “cauda da Europa”, o que não seria uma desvantagem, se os decisores políticos estivessem, genuinamente, interessados no País, no futuro dos cidadãos portugueses e, tivessem a sabedoria, de olhar para quem segue na frente e, assim, antever as consequências de certas decisões, evitando repetir os mesmos erros.
    Quando Costa fala no Futuro, só é pena que omita os pormenores mais sórdidos desse futuro. Para alguém, apreciador do Poder pelo Poder, neste momento e, depois dos convites e da sua comparência, em reuniões do Grupo Bilderberg, acredito que ele saiba, muito mais do que o comum dos portugueses.
    Neste momento, ouvindo o Conselho de Finanças Públicas e, tendo em conta que não há qualquer preocupação com a sustentabilidade financeira, só reforça a minha desconfiança de que, presentemente, a única função de Costa, seja fechar, com “Chave de Ouro”, a subserviência do País. As “algemas” financeiras já estavam colocadas, agora, só falta garantir que se faz “desaparecer a chave”.
    Portanto, vamos dar uma “olhadela”, aos que seguem no grupo da frente, como, por exemplo, a Suécia, onde há cidades, com mais migrantes do que suecos e, assim, com alguma antecedência, se poder fazer alguma cogitação, sobre partes desse nosso Futuro.
    Apesar das violações de mulheres e crianças, da destruição do meio ambiente, do desemprego, dos suecos andarem a sustentar uma Segurança Social que, praticamente, segue diretamente para os novos recém chegados, muitos, passaram a ter o cuidado de pôr os devidos “floreados”, quando são questionados, sobre estes assuntos e, quem não souber que já houve despedimentos, pelo simples facto, de referir o seu descontentamento, sobre o elevado número de migrantes em que, muitos deles, nem sequer são refugiados de guerra, poderá ficar confuso com tanta aceitação mas, será, apenas, um país onde o PC, está praticamente, instalado. E, para quem duvidar, quando um gay foi violado (por um grupo que lhe assaltou a casa), vem a público, pedir desculpas e assumir a sua responsabilidade, parece que já entrámos na insanidade total.
    Naturalmente, verão que, por lá, ainda existe um Partido Político que tenta desesperadamente, no mínimo, travar a “torrente” e, foi aqui, que compreendi um pormenor que parece ser o mais importante e, na maioria dos casos, separa, os que são a favor do “venham mais uns milhões de migrantes” daqueles que querem fazer as coisas mais devagar para tentar, no mínimo, não perder o controle, total, de partes do seu território e, essa razão é, simplesmente, não ter ou ter filhos. Há exceções mas, até essas são simples de explicar, quando nos “pratos da balança”, aparece a possibilidade de não ter de conviver, diariamente, com o problema porque, posições de poder, podem ser acompanhadas de muito dinheiro que pode comprar segurança e pôr “longe da vista”, qualquer consequência nefasta, resultante do choque, daquilo que é incompatível sejam, culturas, valores, direitos, liberdades… o que eu considero que acabará por ser um, verdadeiro e efetivo, recuo civilizacional.

    Presentemente, há uma guerra encoberta, entre os que querem preservar o que conquistámos ao longo de séculos como as, simples, soberanias dos países e os outros que, por ignorância ou deliberadamente, estão a ajudar a Elite dos 0,001% que quer Controlar o Mundo e, para isso, precisa, apenas e, urgentemente, de amalgamar países, culturas, religiões ou ideais porque só assim, conseguirão o Poder Absoluto e Global, essa utopia “paradisíaca”, com Um Governo, Um Exército, Um Banco, Uma Religião… e milhões de escravos.
    Já se nota a próxima Obsessão… certas figuras públicas mundiais, com a desculpa “esfarrapada”, do clima ou outra, falam muito da superpopulação, bem pior que o PC mas, no final, mais fácil de resolver, pelo 0,001%…

  4. “Primeiro veio o Bloco de Esquerda, que ainda não decidiu se quer ser um partido a sério, ou se quer andar a brincar com iniciativas risíveis”

    É que não entendem…
    Se é risível porque é que o PCP se deu ao trabalho de votar contra e ficar colado à direita?
    Porque não é , porque o PCP percebe que é o Bloco a tentar marcar a narrativa, as escrever a linguagem, no final a criar cultura. E cultura é Poder.
    Coisa que o PCP percebe quando a Direita parece que nunca percebeu que o combate político se faz a nível cultural.

    Isto é o resultado: https://www.youtube.com/watch?v=xfO1veFs6Ho

    A implementação do newspeak necessário para permitir a discricionaridade total.

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