Eleições autárquicas nos Olivais, Lisboa


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Nas próximas eleições autárquicas para a Câmara Municipal de Lisboa votarei na coligação “Novos Tempos”, encabeçada por Carlos Moedas: pois o seu líder é homem de grande competência, razão não suficiente mas simpática, e a lista surge depurada da tropa PSD mais dada à politiquice; e porque é necessária outra concepção do concelho, uma diferente prática camarária e um corte no monstro autárquico clientelar. E porque o actual presidente não é politicamente aceitável.

 

Dito isto tenho uma outra opção para fazer: o voto na minha freguesia, Olivais. Gerida há um ror de tempo pelo PS, e há cerca de uma década com uma inenarrável presidente, Rute Lima, um arquétipo de caciquismo paternalista e imobilista (e, muito significativamente, também colunista do boletim “Público”). E é importante mudar isto. Em quem votar?

 

Notei hoje na lista da “Novos Tempos” (PSD et al) para a Junta dos Olivais, na qual estava predisposto a votar. Andam agora a visitar a esquadra, a igreja católica, os bombeiros, os mercados. E dizem (vou ser ríspido, balbuciam) que é “muito interessante”. A um mês das eleições! Os dois partidos clássicos de centro-direita não conseguem apresentar, para uma freguesia lisboeta com 32 mil eleitores e tamanha especificidade socio-laboral, um documento reflexivo sobre a situação e uma súmula de medidas necessárias, inflexões possíveis, anseios a médio prazo. Apenas um “vamos fazer melhor”. Inaceitável, de pobre que é. Votarei na lista de Moedas para Lisboa mas não nos Olivais.

 

Então em quem votar? No CHEGA não voto por razões higiénicas, nem leio. No BE não voto por razões médicas – independentemente de hipotéticos méritos -, pois se o fizesse não só me rebentariam as úlceras como seria assomado por uma septicemia letal.

 

Decidi então, há uma hora, votar no PCP – muito me lembrando que nos anos 80s o havia feito. O meu pai, o camarada Pimentel, foi candidato da (julgo que ainda) APU, num lugar inelegível, no fundo dos suplentes, e eu claro que votei na lista dele. Agora decidi-me pela reprise. E fui ler a documentação do PC sobre esta candidatura – velho hábito, de quem vive numa casa que poderia ser um polo olivalense do “EPHEMERA”, tanta a livralhada e documentação “avulsa” do “partido” que aqui se acumulou. Para que não me acusem de reaccionário, agente das “redes sociais burguesas”, aviso que fui à página da DORL do PCP procurando o que dizem sobre os Olivais. Também umas fotos simpáticas e um único documento (a um mês das eleições): um folheto, florido, lamentando a não realização dos Santos Populares, afirmando que o preço médio das habitações em Lisboa é de 590 mil euros (estamos a falar dos Olivais?), e que nos transportes públicos as pessoas têm de usar máscaras e de as pagar (é notório que o PCP teve uma enorme dificuldade em pensar este período pandémico). Enfim, uma candidatura vácua – e falta-me (sempre, mas hoje ainda mais) o camarada Pimentel para resmungar isso. Ou seja, também não vou votar nisto.

 

Sobra-me a IL, com a qual ando de candeias às avessas apesar de neles ter votado para a AR, dado a minha alergia ao “engraçadismo” que os comanda, e também à avidez desta sua candidatura lisboeta – pois Delenda est Medina, o que eles não ponderam na sua excitação de caloiros. E, resmungando, volto ao motor de busca: “Iniciativa Liberal, Olivais”. Nada… Nada, mesmo.

 

Uma freguesia lisboeta com 32 mil eleitores, hoje em dia algo central em termos geográficos. Onde o PS ganha a Junta com 50 e tal por cento mas tem 30 e tal por cento nas legislativas – ou seja, uma mudança de voto autárquico aqui poderia ter forte impacto nos resultados camarários. E é este vazio, intelectual e político. A péssima presidente da Junta decerto que continuará a solo. Mas isso até é o menos, pois acima de tudo isto mostra como os partidos estão em colapso.

23 comentários em “Eleições autárquicas nos Olivais, Lisboa”

  1. As pessoas ligam pouco à Junta (ainda menos à Assembleia Municipal). Duvido que a maioria saiba sequer a cor partidária no poder, quanto mais quem é o presidente da junta. Contra mim falo.

  2. Subscrevo, linha a linha, o comentário – substituindo Olivais por Campolide (o actual presidente é o autor do post mais patético da história deste blogue, aquando da detenção do seu “Querido Líder”, e o próximo é o ex-adjunto do ex-vereador da protecção civil de Lisboa – aquele que se demitiu por ter passado à frente na linha das vacinas). Com poucas excepções, as Juntas de Freguesia, que seriam, em teoria, os órgãos mais próximos dos munícipes são, em Lisboa, parques de estacionamento de pessoal político do PS que não têm nível para mais, e/ou de jotinhas em tirocínio para gabinetes governamentais ou direcção de empresas públicas (e de um ou outro tipo similar, do PSD, como o inenarrável Newton da Estrela), e autênticos monumentos ao caciquismo e à “nano- corrupção” (a dos fretes a agências de comunicação, empreiteiros de construção civil, artistas, “celebridades” e activistas, e clubes recreativos e outras “forças vivas” locais) em detrimento da resolução dos problemas reais das generalidade das pessoas (pelo contrário, com a frequente criação de novos problemas, em particular no estacionamento e circulação automóvel dos residentes, incomparavelmente piores, actualmente, do que quando passei a residir na freguesia). Creio, mesmo, que a inexistência de movimentos cívicos para acabar com o domínio das freguesias lisboetas por esta seita é mesmo a mais evidente prova do desinteresse que os cidadão têm pela coisa pública e pela descrença em que alguma coisa possa melhorar no seu dia-a-dia por forças das suas escolhas eleitorais ou participação cívica. PS: quando o meu BI o permitia, também eu, anti-comunista primário, votei CDU, em Loures, para correr com um tal Teixeira do PS, que tinha distribuído tachos por meia-dúzia de parentes. Se roubar é inevitável, ao menos haja decoro!

    1. a frequente criação de novos problemas, em particular no estacionamento e circulação automóvel dos residentes

      De que forma é que a atuação das juntas de freguesia piora o estacionamento e a circulação automóvel dos residentes? Não tenho consciência de que tal ocorra.

      1. Está equivocado. Como os buracos nas nucas dos camaradas Yagoda, Agranov, Yezhov, Frinovsky e Beria podem testemunhar (e, por comodidade, apenas elenco os directores do NKVD que acabaram executados no tempo em que o camarada Cunhal andava por Moscovo) os comunistas é mais lei da bala do que lei da rolha.

          1. A.Vieira, sim senhor.
            No século XIX ainda não havia e no XXI há poucos.
            Grande conclusão, jogue na bolsa que fica rico.

        1. Tivesse atirado com o anticomunista primário num comentário da outra semana e não lhe teriam a aplicado a lei da rolha: ao seu e ao outro comentário ao seu.
          Vá ver se o encontra.
          Calhando nem este é publicado, não pode haver delitos com o Delito.

          1. Então JPT encontrou o tal seu comentário?
            Pois, de futuro apresente o cartão de anticomunista primário, que é muito importante, mas com cuidado para não o Delito não lhe aplicar a lei da rolha.

    2. Pois, nas autarquias (e nas juntas em particular) campeia a tal “nano-corrupção” (como bem a descreve, caro maiúsculo). Mas neste meu caso, dos Olivais, não afirmo isso, seria uma aleivosia pois não tenho qualquer prova ou indício. Apenas (um “apenas” muito relativo) noto um caciquismo imobilista, uma falta de empenho para intervir de facto na vida de uma freguesia maior do que um ror de câmaras e num contexto em que às juntas foram atribuídas várias tarefas antes responsabilidade das câmaras. É tudo muito básico, inculto. E centrado num assistencialismo muito retrógado e numa constante campanha pessoal da presidente. Enfim, uma vergonha.

  3. Os dois partidos clássicos de centro-direita não conseguem apresentar, para uma freguesia lisboeta com 32 mil eleitores […], um documento reflexivo sobre a situação e uma súmula de medidas necessárias, inflexões possíveis, anseios a médio prazo.

    Em Portugal, nenhum partido da oposição consegue apresentar tal documento reflexivo, nem para uma freguesia, nem para uma Câmara, nem para o Governo.

    Não sei a que se deve tal incapacidade (desconhecimento do detalhe das situações, quiçá), mas é um facto que ela existe.

    jpt já decidiu votar na coligação PSD-CDS para a Câmara de Lisboa, mas não terá sido, certamente, devido a qualquer “documento reflexivo” que esta tenha apresentado.

    1. Balio, tem V. razão que a minha opção de voto (e não estarei sozinho nisso) para o município de Lisboa não ancorou na leitura prévia dos programas (ou suas súmulas). Mas dizer isso não explica as opções: tenho uma percepção de Lisboa. Tenho sobre esta presidência (logo de início sobre o rol de promessas eleitorais incumpridas), sobre o catastrófico perfil político do seu presidente (insisto, o caso das denúncias de manifestantes é totalmente inaceitável), sobre o polvo camarário, sobre a visão “turistificada” da cidade (vê Medina aparecer agora dizer que vai impedir mais alojamento local? E que fez ele, e o seu antecessor para induzir – induzir, não estipular- outras práticas, tanto hoteleiras como comerciais?), etc. – isto para não falar no consagrado vereador Salgado? E a partir daí posso ter a minha opinião e procurar opções. E nisso encontrar em Moedas uma alternativa que permite ter expectativas: é um homem muito competente – o que não é suficiente, como disse. De facto foi um excelente comissário europeu (ele e Vitorino foram os grandes comissários europeus, diz-se nos meios do funcionalismo europeu), o que não o tornará um bom presidente da câmara só por si mas dá boas expectativas. Fugiu à clique PSD presente na concelhia, o que é bom augúrio. Etc. Ou seja, sinto-me muito à vontade para votar naquela lista, sem precisar de vasculhar o programa. Ainda assim fui ouvir o que disse, a sua apresentação – nunca se sabe se conseguirá (caso seja eleito) cumprir tudo mas parece-me – chavões À parte – que tem um bom entendimento do que poderá ser mudado.

      Dito isto passo à Junta do meu bairro. Que é muito fraquinha, que é muito produto de caciquismo, que segue um rumo inculto e imóvel. E fui ver as opções. Ora não conhecendo as pessoas procurei o que tinham para dizer, em registo verbal (nem que fosse os curtos vídeos colocados nas redes ou nos [inexistentes] sítios das candidaturas – de facto alojam-se todas no FB, o que é uma outra questão a ser discutida, mas não agora) ou em registo escrito (os tais documentos reflexivos, os quais V. parece menorizar). Ora o que acontece é que os registos verbais são fragilíssimos (quando se encontram) o que apela aos textos escritos, como fundamento (não exclusivamente partidário) para a opção eleitoral. E estes são ou totlmente inexistentes ou vácuos.

      Julgo, balio, que terá que concordar comigo. Eu não vou totalmente descabido neste meu resmungo.

      1. Como parece estar interessado em documentos de reflexão de candidaturas, cumpre-me informá-lo de que a Iniciativa Liberal apresentará o seu programa autárquico à Câmara de Lisboa hoje, às 18:30, em evento a realizar na Alameda Don Afonso Henriques.

          1. O programa autárquico para Lisboa da Iniciativa Liberal está agora todo escrito num grande outdoor na Alameda Don Afonso Henriques. Inclui muitas coisas que são responsabilidade exclusiva das freguesias, em particular da dos Olivais. Pode ir lá ler. Aquilo não é como as páginas da Internet, que se apagam quando deixam de convir: está à vista de todos. Tem uma escadinha para subir para poder ler o outdoor com maior comodidade e segurança.

  4. Orfandade eleitoral. Em termos locais (onde, meu Deus, há tanto, tanto!, mais que fazer, antes de encher, em verdadeira fúria e desde há algumas semanas, ruas de “docas” – ou lá o que se lhe chame – de parqueamento de bicicletas camarárias; e deste súbito afã de cuidar de jardins criminosamente esquecidos há longos anos; e que voltarão a novo e criminoso esquecimento ao primeiro sinal de falta de manutenção pós-eleitoral dos sistemas de rega por estes dias afanosamente instalados, em frenesim pior que descarado de levantamento de passeios e acrescido caos, poeira e lixo nas ruas.
    Em termos nacionais, não vale a pena elaborar. Está tudo, de há muito, dito. E claramente para manter. Num plano e no outro, o Soberano gosta assim.
    Há sempre a possibilidade de escrever ou desenhar algo pouco, digamos, curial, no boletim de voto. Prática que crescentemente me tenta (ir votar, vou, questão de consciência; em branco não o deixo, pois não confio naquela gente e no que façam com o meu papelinho).
    Por Carnide e por mim, é assim.

    1. Nas últimas legislativas fui cooptado, in extremis, para uma mesa de voto (como narrei aqui), devido à ausência dos membros que haviam sido destacados. Pude comprovar o que sempre suspeitei: anular o voto, seja com escritos seja com desenhos, pode satisfazer o fel próprio. Mas ninguém os lê, mal se nota que há algo fora do quadrado anula-se e afasta-se. Ou seja, é uma infantilidade cândida querer comunicar algo mais do que uma mera anulação.

      1. Nada mais a comunicar, creia, além disso mesmo: a anulação do voto. Mandaria uma questão “ética”, chamemos-lhe assim, que o gesto fosse deixá-lo em branco. Mas por estes dias é apenas legítimo temer a sorte de um voto em branco.
        O resto, o que se deixe no voto anulado, não é fel. Apenas desabafo. Ainda será lícito, creio.

        1. Lícito é, caramba, mal seria … Apenas noto que por vezes surgem eleitores que dizem “eu vou lá e boto… (um “bastos”, ou “digo-lhes umas verdades”, “pinto um bigode” ou etc.)”. Mas de facto é uma catarse desadequada, as “mensagens” nem são notadas. Aliás se o fossem já teriam surgido, seja em registo papel seja na internete, colecções de dichotes e desenhos…

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