Elas também foram à Guerra


Ana Lima,

A estreia nas salas de cinema será só em Junho. Mas o novo filme/documentário de Marta Pessoa foi já apresentado no Indie Lisboa’11. Na plateia, as protagonistas viram-se, pela primeira vez, no grande ecrã e a emoção que se percebia na ansiedade antes do início, nas reacções durante a projecção e depois da ficha técnica acabar de passar, demonstra que o assunto está ainda muito presente nas suas vidas. E o assunto é a guerra, aquela que, entre 1961 e 1974, tocou tantas famílias portuguesas.

Num cenário que vai mudando consoante a narradora, as mulheres daquela guerra vão dando o seu testemunho, enquadrando-o na sociedade da altura e mostrando-nos que nem só as enfermeiras pára-quedistas (que estiveram em cenário de conflito) têm histórias para contar.

As que, por amor, por conveniência, ou simples acaso, acompanharam os maridos numa viagem que as marcou para sempre e aquelas que, tendo ficado, sofreram a separação, que para algumas foi definitiva, dão-nos  uma perspectiva muito interessante da vivência de uma guerra distante mas que se fez muito próxima.

E há ainda as que, após o regresso dos maridos, travaram batalhas sucessivas contra o que elas nem sabiam inicialmente que se chamava stress pós traumático e que prolongou aquela guerra muito para lá da data oficial.

Embora peque, na minha opinião, por ser demasiado longo, “Quem vai à Guerra” é um filme que nos informa; que nos diverte, através de olhares de quem, apesar de tudo, sabe usar o humor; e sobretudo que nos lembra que à guerra ninguém escapa, que da guerra, mesmo que passem 50 anos, ninguém se esquece.

 

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