Edward M. Kennedy morreu hoje, com 77 anos. O mais novo de nove irmãos era senador pelo Estado de Massachusetts e irmão de John F. Kennedy, o presidente assassinado em 1963, e de Robert Kennedy, assassinado em 1968 durante a campanha para a Presidência dos EUA.
Jurista e último patriarca de uma família (tantas vezes designada como clã ou dinastia Kennedy) reconhecidamente dedicada à política e às causas públicas, Edward Kennedy era senador democrata e fez da Saúde e da Educação as suas grandes causas, destacando-se pelo modo como defendia a reforma dos cuidados de saúde. Tal como os irmãos, mereceu sempre o respeito generalizado de correlegionários e adversários. Porém, a vida de bon vivant com alguns escândalos à mistura barrou-lhe a tentativa para chegar à Casa Branca.
Morreu com um cancro no cérebro, diagnosticado no ano passado e depois de ter sido operado há dois meses. Os EUA perderam um dos seus mais influentes políticos e mais antigos senadores.

Ted Kennedy era um caso notável de longevidade na vida política: senador desde 1962, boa parte da legislação saída do Congresso desde então tem a sua marca, sobretudo nas áreas sociais. Infelizmente também ele acabou por ser vítima da ‘maldição Kennedy’, com o acidente em 1969 que vitimou a sua secretária, o que o impediu de concorrer com sucesso à Presidência. Onze anos depois, em 1980, ainda tentou avançar para a Casa Branca apresentando-se às primárias democratas, contra um desacreditado Jimmy Carter, mas ficou pelo caminho. Ganhou-se a continuação de um excelente senador sem haver a garantia de se ter perdido um bom presidente.