(Bianca Catasfiore – The Jewel Song)
“Ah je ris de me voir si belle en ce miroir…” [Ah, rio de me ver tão bela neste espelho] é o lendário refrão … Desde 2015, feito torna-viagem, que quase todos os dias me lembro deste cume de Hergé. Pois um dos grandes problemas culturais de Portugal (o maior?) é mesmo o catasfiorismo dominante, a turba em ademanes, nos lavabos roncando trinados desafinados, cantarolando a perspicácia própria diante dos espelhos – em vez de retirarem os cabelos e pelos púbicos dos imundos ralos sobre os quais patinam.
Esta cena, minudência, da disciplina da Educação para a Cidadania e Desenvolvimento é mais um exemplo. Agora um coro de 500 cantores, mais a plebe ululante na plateia, vem guinchar que são belos nas suas doutas opiniões – entre os quais, no palco e em aplausos, um punhado de Catasfiores que eu conheço. Entretanto, agora mesmo, 7.9.2020, no final do telejornal da TVI (abençoado zapping) David Justino explicou pausada e competentemente tudo aquilo que é preciso pensar sobre o assunto – a reportagem sobre a matéria começa à 1.03.20 e a intervenção do antigo ministro da Educação começa à 1.05.40. E fê-lo apesar de repetidamente interrompido, em registo morcão, por Sousa Tavares.
De pouco servirá, as patetas e os patetas continuarão, em trinados, ciosos do que julgam sageza. Mas não é, é apenas o pouco que são.
Haddock, O Captain! My Captain …

Eu também sou um bom cidadão. Por isto apelo às autoridades municipais e sanitárias que providenciem o uso de acrílicos a envolver os urinóis para que um tipo possa, depois de se aliviar, sacudir o instrumento sem que as gotículas sejam oportunisticamente usadas por um qualquer covid e afectar a cidadania dos demais.
A educação para a cidadania está a produzir frutos, pois os dois irmãos de Famalicão vão passar de ano mesmo com faltas à disciplina indisciplinada.
Agora, meus queridos e minhas queridas concidadãos e concidadãs, vou falar-vos sobre o diabo. Eu não acredito no diabo, pois ele é mentiroso juntamente com os seus pares.
Porém o gajo usa de uns estratagemas bem folclóricos para poder fazer o que quer. Um desses estratagemas passa por revestir-se de boas intenções para conseguir que coisas más se propaguem.
É este o princípio da educação para a cidadania.
Depois disto conseguido, reveste-se também de um perfil empreendedor para poder fazer com que seus sequazes tenham emprego subsidiado pelo estado, isto é, pelos pares e ímpares, pelas famílias que pretende subverter.
Concluído o assunto, informo que oportunamente virei aqui falar-vos sobre outras formas que o gajo usa para passar sua mensagem. Mas também sobre como agem seus mensageiros.
Está consciente que esta foi uma disciplina introduzida pelos perigosos marxistas -leninistas Nuno Crato (como ministro da educação) Passos Coelho (como primeiro ministro) e Cavaco Silva (como presidente)?
De Justino lembro uma trapalhada burocrática quando da sua passagem pelo ME. Deu a tarefa da execução da parte informática da colocação de professores- que era feita internamente no ministério- a fazer ao seu correligionário, amigo e antigo ministro. Nesse ano as aulas começaram no meio de outubro. O Justino aproveitou a fuga do Fujão Barroso e deixou a castanha rebentar nas mãos da sucessora.
Não foi introduzida mas apenas proposta. Era opcional e visava “dotar as crianças e os jovens de conhecimentos, atitudes e valores” que os ajudassem “a fazer opções.” Ou seja, o oposto do que foi proposto em 2016 e determinado em 2017.
Percebe-se que tenha adoptado o anonimato.
Citações sobre a “trapalhada” de Justino.
“Longe vão os tempos em que os candidatos ao concurso de professores esperavam em longas filas, largas horas com formulários na mão à porta das antigas Direções Regionais de Educação. Em 2004, o Ministério da Educação inaugurava um novo processo de entrega de candidaturas via Internet. Nesse ano apenas 10% dos professores optaram por essa via. Nos anos seguintes, todos os procedimentos manuais praticamente desaparecem.”
“07-05-2004 | Abílio Morgado, secretário de Estado da Administração Educativa, admite que os erros vão “para além dos limites do razoável”. Anuncia uma auditoria, mas os sindicatos insistem na demissão do ministro da Educação David Justino.”
“A contratação e a execução dos pagamentos feitos à empresa (Compta – responsável pelo sistema informático), refere o documento, “são da responsabilidade da Diretora Geral, Joana Orvalho, e quem deveria ter assegurado as condições para dar resposta aos pressupostos de concretização seria a engenheira Idália Silva, enquanto responsável pela Direção de Serviços de Recrutamento de Pessoal Docente”.
“A IGF imputa à Direção Geral dos Recursos Humanos de Educação a responsabilidade pela indefinição das regras e diz que houve falta de comunicação entre a equipa da Compta e a DGRHE nas várias fases do processo, particularmente até 30 de abril. No capítulo VII, relativo às conclusões quanto à arquitetura global do sistema de apoio ao concurso, a IGF refere, por exemplo, que o formulário de candidatura estava mal concebido, sofrendo 14 alterações, o que acabou por ser crítico para todo o processo do concurso.”
“Foi também detetado pela IGF a existência de indícios de que em todas as fases do concurso se verificou muita intervenção manual de inserção de novas candidaturas fora dos prazos e de eliminação de outras, sem deixar rasto.”
“A auditoria da Inspeção-Geral de Finanças foi solicitada pelo anterior ministro da Educação, David Justino, e foi entregue à atual titular da pasta a 22 de dezembro último. Na conferência de imprensa realizada quarta-feira para apresentar a síntese do relatório, a ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, disse que a auditoria ao processo de concurso de processos de 2004/2005 “torna claro que há casos em que é inevitável que venham a ser levantados processos disciplinares”.
(fim das citações)
Realmente, a introdução do novo sistema correu mal, como acontece muitas vezes (lembram-se do Citius na justiça), mas parece que a principal causa foram erros na organização dos dados fornecidos à Compta (não consegui identificar os sócios à data da empresa) dados esses fornecidos por funcionários do ME que teriam vantagem em sabotar a mudança, pois até aí, com tudo manual era sempre possível facilitar a vida a amigos e eventual recebimento de luvas.
Pessoalmente sempre recusei e detestei missionarismos mas realmente, alguém tem de denunciar estes comunistas que mentem descaradamente ao abrigo do anonimato.
Folgo muito que tenha uma preocupação tão grande em saber o meu nome. Posso saber para que pretendia essa informação?
Espero que não fosse porque ” que é inevitável que venham a ser levantados processos disciplinares”. É que não sou funcionário do ME.
Folgo muito em ouvir falar da ex ministra Maria do Carmo Seabra. Lembro-me da sua famosa declaração (cito de cor) “não fazia ideia que era tão complicado ser ministra”.
Não sei quem são os sócios da Compta à data, lembro-me do que foi tornado público (https://www.publico.pt/2004/09/23/jorna l/ligacoes-da-compta-ao-psd-vem-do-tempo-d e-cavaco-silva-193266) o ex-ministro com ligações à Compta parece ser Couto dos Santos.
Não sei evidentemente se houve corrupção, não sou investigador nem estou no segredo dos deuses. Mas há algumas coisas que são públicas e outras que derivam dessas.
David Justino, enquanto ministro alterou o modo de fazer a colocação de professores – matéria provada
Apesar de todos os avisos de que o processo estava a descambar as correções que se fizeram, se é que se fizeram, não surtiram efeito e as colocações de professores saíram tão tarde que as aulas começaram quase um mês depois do previsto – matéria provada.
O processo teve custos não negligenciáveis.
Como ministro da Educação David Justino era responsável pelo processo.
David Justino saiu a meio do processo alegando não querer continuar no governo após a fuga de Durão Barroso e sua substituição por Santana Lopes.
Foi dos poucos ministros que saíram nessa altura, conseguindo assim escapar ao começo do ano e ao rebentar público da trapalhada.
Até aqui temos apenas alguém a sair pela porta baixa antes da borrasca, situação muito comum infelizmente.
O que acho bastante irritante é que o Sr. se ache um bonzo da educação e da gestão, apresentando-se e sendo promovido como tal.
Não queria especialmente saber o seu nome mas apenas identificar um caluniador e mentiroso por uma questão de profilaxia futura.
Também não pensei que fosse funcionário do ME dada o nível de ignorância demonstrada quanto ao processo de colocação de professores em 2004-2005. Mas já admito uma forte probabilidade de ter correligionários ou até familiares, como funcionários do ME.
Não sei se Couto dos Santos tinha ligações à Compta – e tudo o que venha afirmado por si, para mim vale zero – mas, conforme apurou a IGF quem contratou a Compta foi a Directora Geral Joana Orvalho. Assim a afirmação que Justino deu a execução informática ao seu “correligionário, amigo e antigo ministro é objectivamente falsa e de natureza caluniadora.
Diferentemente do que afirma como “matéria provada”, David Justino não alterou (formulação que indica execução pessoal) mas mandou ou decidiu alterar e quem alterou foi a Directora Geral Joana Orvalho, e a Chefe da DSRPD engª Idália Silva.
Também é capciosa a afirmação de que David Justino, como ME, era responsável pelo processo quando é perfeitamente claro que essa responsabilidade cabia ao secretário de Estado da Administração Educativa Abílio Morgado. Responsabilidade política teria mas não responsabilidade pelo processo; e mesmo a responsabilidade política não era absoluta na medida em que um ministro não tem poder para exonerar um secretário de Estado o que faz que a responsabilidade seja compartilhada com o primeiro-ministro e até com o PR.
Também a afirmação de que Justino saíu antes do início das aulas “antes do rebentar público da trapalhada” é desadequada, para dizer o mínimo:
1. Já em 7.5.2004 o secretário de Estado admitia erros além do razoável e a existência de uma auditoria, e os sindicatos pediam a saída de Justino o que evidentemente era já do domínio público embora ainda não se soubessem as consequências no abrir das aulas.
2. Quase certamente, a saída de Justino – que não se sabe se foi decisão dele – deve-se a incompatibilidade política com Santana Lopes; como se sabe (e quem escreve sobre isso, devia saber) Santana Lopes estava na “direita” do PSD, enquanto Justino estava na “esquerda” (a seguir ao 25 de Abril militou no MES-Movimento de Esquerda Socialista, entrou no PSD pela mão de Isaltino Morais e é vice-presidente de Rui Rio) sendo assim muito difícil que integrasse um governo de Santana.
Também não se David Justino é ou não, um competente gestor na área da educação mas o facto de dizer que não leva-me a acreditar que sim. De resto, se o avaliar apenas pelas opções políticas, para mim nem é flor que se cheire.
Pobre Justino
Todos os seus colaboradores eram malévolos ou incompetentes. É sempre difícil ser o único são.
Se me poder dizer o que é que todo este assunto abona em favor da qualidade de especialista da educação que Justino se assume agradeço a indicação,
«E fê-lo apesar de repetidamente interrompido, em registo morcão, por Sousa Tavares»
Ups, Sousa Tavares um (capaz de um “registo”) morcão? Quando “fiz a tropa” no Porto, no começo da década de 80, “morcão” era uma expressão aplicada com o sentido de idiota, panhonha e, nunca a alguém que (confesso: apesar do seu ar de “bulldog” ainda em fase adolescente) até “repetidamente interrompe” as idiotices embrulhadas de alguém (o famigerado, para sempre, David Justino) que insistiu em apresentar a disciplina de Educação para a Cidadania como uma versão da disciplina (do “seu tempo”) de Educação Cívica e Moral (que, sejamos sinceros, não passava de uma versão “moderna” da tradicional metade – a da “Educação”! – da disciplina de Educação e Moral: os assuntos mais “controversos”, ie os que os “tradicionalistas” ainda advogam que a Ciência não os consegue provar – e sobre isso, muito até haveria para dizer!) e que, por isso, qualquer pai tem direito à objecção de consciência.
Concretamente, o que o jpt aqui defende é o que, de facto, até se está a passar sem nunca até ser mencionado: que um qualquer pai até tem o direito de recusar que o seu filho ouça na Escola, dizer que a homossexualidade é algo de natural; que os “aberrantes” transexuais têm o direito de existir com plenos direitos de cidadãos; que etc e etc, em tudo, relacionado com esta matéria seja proibido… e lá está, o argumento destes pais (li que até são irmãos!) baseia-se na maior ignorância sobre o assunto: é que eles estão convencidos que os seus filhos até se podem tornar “mariconsos” (como diria o “comuna” RAP) só porque uns “doutrinários” professores seleccionados pelo famigerado “Estado” (esquerdista, como é evidente…) até os conseguiriam convencer de que a homossexualidade é tão normal (ou natural) quanto a heterossexualidade e… voltando ao jpt: até já o estou a ver a defender, plenamente convicto, de que numa espécie de versão “khmer rouge” de campo de reeducação, apesar da sua idade, ao ser sujeito à disciplina de Educação para a Cidadania, a aparecer, uns meses mais tarde, todo ele “gay”… e claro, que nem um qualquer macho (macho que é macho não recusa qualquer investida de pachacha!) até conseguisse de resistir às tentações dos promíscuos “gays…
É evidente que os pais em questão até são ambos uns “modernaços”, aparentemente até desconhecem a tradicional “cura” para o seu problema: uma ida às put… digo, às ditas senhoras da mais velha profissão do mundo e os seus filhos saem de lá curados das maléficas doutrinações do “Estado”: não há gay “made in Estado” que não se cure com profissionais na matéria!
O erro nesta análise passa por colocar cura entre aspas. Porém é necessário curar a idiotice.
A questão é mais longínqua. E pretendeu-se substituir os símbolos, nomeadamente os do cristianismo (a cruz), em nome de um estado laico. E o símbolo que repetitivamente surge é o do arco-íris.
Na realidade o arco-íris é também um símbolo judaico-cristão, e certamente não direccionado para o processo de aliança que se tem vindo a implementar. Portanto, existe uma corruptela no sentido que se lhe pretende dar.
De outra forma ainda, o referido símbolo pressupõe a universalidade na fidelidade divina.
No seu significado esotérico é um dos símbolos da Nova Era, mas uma era de evolução espiritual.
Esse símbolo também representa a ponte utilizada pelos deuses e heróis para percorrer o caminho entre o céu e a terra.
Buda desceu dos céus utilizando uma escada de sete cores, o arco-íris.
Para os chineses foi visto como o yin yang. Eles acreditam que a junção dessas cores representa o símbolo do taoismo.
O arco-íris é o símbolo do movimento LGBT. Gilbert Baker adicionou mais uma cor (8 cores) como necessidade de inclusão na diversidade. A adição desta cor extra revela não ser uma cor natural do fenómeno, isto é, procurou-se que um micro-fenómeno fizesse parte do fenómeno.
Aqui chegado, e resumindo a questão de forma sintética, a inclusão não ocorre pela imposição e tampouco se adiciona material insolúvel em um líquido. Refiro-me à educação e aos identitidarismos. O estado não tem como função a uniformização. A uniformização só pode fazer parte de cadeiras curriculares e não em uma suposta engenharia social. Que é o que se pretende fazer.
Labora-se no erro de se presumir o direito como igualdade.
Morcão é mais indolente do que idiota mas isso é o menos.
Gostaria de ver desenvolvido o motivo de David Justino ser para sempre famigerado (não que eu endosse ou admire Justino mas gostaria de saber).
É errado se não for intencional reduzir a questão à sexualidade. Se quiser dar-se a esse trabalho leia os meus dois comentários no post “Ainda sobre a educação para a cidadania” em nda-sobre-a-educacao-para-a-cidadania-11 762081
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ai
“… argumento destes pais (li que até são irmãos!)…
Creio ter sido eu que referi que, para os crentes, todos são irmãos, portanto tendo-me lido, sabia ou deveria saber o contexto “mais Estado” (esquerda) vs. “menos Estado” (direita). Assim o sarcasmo “Estado” (esquerdista como é evidente) é uma forma de tentar enganar, generalizando abusivamente o que fôra afirmado para uma particularidade. Chama-se falácia e não é bonito.
Os “doutrinários” professores sê-lo-ão presumivelmente por motivos corporativos. Sabe que a primeira escola pública ocupa a 37ª posição no “ranking” e não é difícil imaginar que professores públicos se sintam ameaçados por quaisquer ideias que defendam a livre escolha de escolas.
Também notável que “saiba” o que de facto se está a passar, reduzindo as intenções dos pais sem que tenha algum suporte documental para isso e contrariando o suporte documental que existe e é o texto do abaixo-assinado.
Mas o mais extraordinário de tudo é a solução que aponta para curar os gay: “Resolve” o problema dos meninos e ignora o das meninas.
Habilidades a rondar a desonestidade intelectual já é mau mas sexismo, fora do campo criminal, é do pior que a humanidade tem para oferecer.