
No outro dia, estava eu a explicar a uma turma de 7.º ano a importância de saber escrever – e de perceber, por exemplo, a diferença entre "vende-se" e "vendesse" -, quando um dos alunos se lembra desta: «Estás a ouvir, Zé? Quando fores trabalhar para as obras, tens de escrever bem nas tabuletas…». Teve graça e fez-me pensar nas justificações que damos para educar alguém. É por esta razão – porque também é sobre essas justificações – que gostei do filme An Education.

Se o País continuar no rumo actual, duvido que o teu aluno consiga ir sequer para as obras: nessa altura, provavelmente, já nem haverá obras em execução. Mas achei interessante a ligação que fazes entre isso e o filme, sem dúvida um dos melhores ainda em exibição e com uma merecidíssima nomeação para o Óscar da actriz principal, Carey Mulligan. Moral do filme (e da vida): estamos sempre a aprender. Digo isto para mim próprio todos os dias.
Também penso que essa é a moral do filme, Pedro. Eu fiz a ligação porque, no momento em que o aluno disse a piada, senti que ele estava, de certa forma, a colocar-me um desafio, como se me dissesse: “explique lá porque é que é importante para mim saber isso?”. No filme, as discussões entre a protagonista e a professora de Inglês também se prendem com isto, e, claro, com um problema mais geral, ou filosófico: o da a relação entre a “educação da escola” (por oposição à “educação da vida”) e a felicidade.
Chegam ao 12º ano e continuam a não conseguir distinguir, mas o mais bonito é “fala-mos” e “consegui-mos”. Só este ano lectivo é que me confrontei com a expressão escrita dos alunos do Secundário. É um susto.
É mesmo um susto, Leonor. Tenho quatro turmas de 10.º ano e sei bem como eles chegam ao Secundário…
Como sou de Inglês nunca me tinha confrontado com a expressão escrita na língua materna mas este ano tenho Área de Projecto. Ia caíndo para o lado. Eu ouvia as queixas mas nunca pensei que pudesse ser tão mau, Ana Sofia.
Também gosto muito do “fáçamos”, e rejubilo com o “ter a haver com” .
:))
Eu rejubilo com o “hádem” de um certo ex-ministro…
Também me empolguei bastante com o hádem!
:))))
A Leonor ia caindo, mas há quem goste, fique empolgado e até rejubile…
(claro que eu não acredito no que estas pessoas dizem. Nem mesmo “porque hoje é sábado”)
Não há muito saiu na imprensa a classificação do nível de EFICIÊNCIA das universidades europeias. Das portuguesas, já não lembro exactamente qual era mas estava lá por baixo junto da Bulgária e outros que não lembro. Salvo erro era a 3ª ou 4ª posição a contar do fim. Pois anda-me a fazer espécie NUNCA ter visto essa notícia comentada na blogoesfera , sempre tão lesta a apontar as (evidentes) poucas competências das classes populares portuguesas.