Ecos do separatismo catalão


Pedro Correia,

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 Foto Alberto di Lolli/El Mundo

 

 

Tribunal Constitucional suspende o plenário do parlamento catalão que iria declarar a independência unilateral na segunda-feira.

 

Banca em fuga da Catalunha: Sabadell transfere sede social para Alicante e CaixaBank prepara mudança para Palma de Maiorca.

 

Gas Natural e Abertis admitem retirar sede social de Barcelona, deixando de pagar impostos na Catalunha.

 

Freixenet pondera abandonar a emblemática sede catalã se o separatismo triunfar.

 

Seat estuda transferência da Catalunha para Madrid.

 

Vaticano pronuncia-se contra o separatismo catalão.

 

Os principais jornais da Catalunha, La Vanguardia e El Periódico, rejeitam a independência unilateral.

 

Santi Vila, membro do Governo autonómico, quer travar processo separatista.

 

Dados pessoais de cinco milhões de eleitores da Catalunha expostos na Internet, à mercê de fraudes e da devassa da vida privada.

 

Maioria anti-independentista vai sair à rua no domingo em Barcelona.

 

Mario Vargas Llosa será um dos oradores na manifestação anti-separatista na capital catalã.

 

Ultras nacionalistas preparam “cordões humanos” e uma greve geral sem prazo pela independência.

 

20 comentários em “Ecos do separatismo catalão”

  1. Repare-se neste título do El Pais (lincado):

    manifestaciones contra el referéndum dan voz a una mayoría que rechaza el ‘procés’

    Para este jornal (chamemos-lhe assim), há uma “maioria” que recusa o processo independentista e o referendo.

    Que crédito podemos dar à honestidade e veracidade de uma publicação que desta forma se coloca a apoiar uma das partes?

  2. Quanto à Banca e à catástrofe económica com que os unionistas ameaçam os separatistas é vergonhoso. Tentam através do medo, da chantagem, manipular a opinião pública catalã. Tentaram também por cá fazê -lo aquando das nossas eleições legislativas , através dos avisos da comissão europeia e do ministro de finanças alemão. Vinha aí o diabo com os comunistas à mistura. Como também usaram a mesma estratégia com os ingleses aquando do referendo Brexit. É isto que se designa por deixar o povo votar em consciência e liberdade? Através do medo – choque e pavor – tentam condicionar um processo eleitoral. E depois falam, esses hipócritas ao serviço dos interesses, no condicionamento com que a minoria dos radicais de esquerda ameaça a “maioria”catalã
    Sacanas. Nojo!

    1. A banca defende e protege os seus depositantes e os seus accionistas, como é óbvio.
      Ontem as acções do Sabadell – quarto maior banco espanhol – valorizaram-se em 13% só com o anúncio da transferência da sede social após vários dias em queda.
      Uma Catalunha “independente” ficaria fora da UE e a banca lá sedeada ver-se-ia de imediato sem acesso aos mecanismos de financiamento proporcionados pelo BCE.
      As revoluções de rua e as greves gerais e as RGAs são muito giras mas chega sempre a hora de alguém pagar a factura.

      1. Caríssimo, mal vamos quando os processos eletorais são condicinados pelos interesses económicos. Chegados aí, adeus democracia.

        A diferença entre a ditadura de Maduro e esta é o grau de subtileza, mas em termos práticos é igualzinha.

        Aliás o mesmo aconteceu na Grécia durante a campanha eleitoral. Para qualquer democrata que vê na democracia não uma mercadoria, tudo isto lhe deveria causar desconforto abdominal

        1. Esse raciocínio não faz o menor sentido.
          Pelo contrário: mal vai o sistema financeiro quando fica dependente dos humores políticos. Não há um banco que aguente.
          O Sabadell e o CaixaBank estavam já a ser confrontados com fugas de capitais e fugas de depósitos. Tiveram de agir com rapidez. Tanto quanto sei não houve protestos dos clientes, antes pelo contrário. Incluindo alguns deputados separatistas, o que não deixa de ser irónico.

      2. Não se trata só dos accionistas. Vários grandes depositantes (institucionais) já tinham começado a retirar o dinheiro. Foi isso (não a ideologia) que forçou a mão do Sabadell (aquele que tinha sede em Sabadell desde o século XIX, coisa pouca).

        Agora acontece o contrário, com ayuntamentos nacionalistas a retirarem os seus depósitos em protesto (se bem que, depois de hoje, não vão sobrar bancos na Catalunha).

        E se houver DUI começam as filas nos ATM, à grega/cipriota. Esta gente esquece-se que a democracia também é votar com a carteira e com os pés.

        1. Tem razão Nuno. Acontece o mesmo em WallStreet. Perante um conflito ou uma ameaça de guerra é ver todas as acções dos bancos e grandes empresas a virem por aí abaixo. Uma autêntica corrida aos depósitos.

          Também sucedeu o mesmo em Inglaterra com o Brexit.

          Ou com a crise financeira Internacional de 2007 e 1987 , ou com a crise das dotcom. Ou ainda com a de 1997….Foi um sprint aos depósitos.

          Meu caro hoje as Corporações chantageiam os governos e os seus povos quando os programas políticos escolhidos democraticamente não são do seu agrado. E como máxima ironia é serem estas Corporações, pela sua ganância, as responsáveis pelas crises e não os governos, com as suas políticas, estas, muitas vezes ditadas pela alta finança e a sua ciência infalível.

      3. A banca protege os seus administradores, seguidamente os acionistas de referência, pensa vagamente nos depositantes que não são administradores nem acionistas e está-se marimbando para o resto.

        1. A banca protege os depositantes, como foi o caso, para não estar à mercê das convulsões políticas semelhantes às que ocorreram na Argentina em 2001 ou na Grécia em 2015.
          Não consta que um só depositantes do Sabadell ou do Caixabank tenha esboçado o menor protesto pela transferência das respectivas sedes da Catalunha. E Alicante e Palma de Maiorca agradecem, seguramente, a prova de confiança nelas manifestada por estas entidades bancárias.

      4. O Pedro tem noção como em Bolsa a cotação das acções é criada?
        Se me permite. Especulação.

        Os bancos não protegem os seus depositantes. Isso era no tempo da outra senhora. Os bancos presentemente trabalham em prol dos seus maiores accionistas.

        Fale com qualquer cliente de um banco e ele lhe dirá de que maneira o seu banco trabalha com vista ao seu interesse. Por hoje todo o depositante paga ao Banco para lá ter o dinheirinho, não recebendo nada em troca.

        Ou fale com todo o pequeno accionista que foi ludibriado pelo BES, ou BCP, CGD

        1. Conversa da treta. Os responsáveis do Sabadell e do Caixabank sabem muito bem que uma declaração unilateral de “independência” põe a Catalunha fora da União Europeia. Madrid vetará sempre a adesão desse pseudo-Estado à UE. E, sendo assim, a banca instalada na Catalunha perde a tutela do Banco Central Europeu e da Autoridade Bancária Europeia, vendo-se forçada a renunciar ao Fundo de Garantia de Depósitos proporcionado pelo sistema financeiro comunitário.
          Agiram, portanto, na defesa não apenas dos accionistas mas sobretudo dos depositantes. Entre os quais se encontram, vale a pena sublinhar, vários dirigentes separatistas.
          É a vida, como dizia o outro.

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