Não vi até agora qualquer debate presidencial até ao momento, prática que tenciono manter sem esforço. Não há debate que me faça mudar de ideias quando ao sentido do meu voto, que ou será branco ou será tinto, perdão, Cavaco, depende do que beber na véspera. Mas vou lendo sobre os debates, e fico espantado com a afirmação de Cavaco no debate com o camarada Lopes, ao afirmar que Portugal não é um país independente. Ou melhor: fico espantado com a indignação geral, que só me faz lembrar a célebre “suspensão da democracia” de Manuela Ferreira Leite, um momento de sarcasmo que fez tanta gente pensar que naquela senhora de aparência austera estava Salazar reencarnado (e provou ainda que o povo português não só não tem sentido de humor, como também não é muito bom a constatar o óbvio). Para todos os efeitos, Cavaco não disse mentira alguma: Portugal não é um país independente nem no plano económico, nem, deixemo-nos de ilusões, no plano político. Existe ainda soberania nacional, de facto, mas muita da legislação que interfere directamente no nosso dia-a-dia emana de Bruxelas, de Estrasburgo, qualquer dia de Berlim. E em termos económicos, existe de facto uma grande interdependência, quando não mesmo uma grande dependência. Se fica mal a Cavaco dizer aquilo? Talvez, concedo – já todos sabemos o talento natural do ainda Presidente para os debates (e não, isto não é uma desculpa). Mas fingir que o país é muito independente quando a Alemanha lhe puxa as orelhas a um ritmo quase diário como se este fosse um adolescente irrequieto chega a roçar a comédia.
É verdade, toda a gente o sabe, mas não o digas em voz alta
eventhorizon,

Claro que Cavaco disse a verdade, mas também é verdade que os Portugueses convivem muito mal com a VERDADE!
Isso é bem verdade.
Haja alguém lúcido e contra a corrente.
Parabéns, João.