As desastradas declarações de Cavaco Silva (e o desastre da governação do país nos últimos anos) têm sido aproveitadas pelos promotores da causa monárquica para salientar os benefícios da forma de organização política que defendem. Ora, não seria preciso procurar muito para encontrar situações em que são os membros da família real que desprestigiam a monarquia. Para não ir muito longe que o gasóleo está caro, fiquemo-nos pelo caso de Iñaki Urdangarin, genro do Rei de Espanha. Isto para dizer que, antes de tudo, estão as pessoas. E palermas, faroleiros, loucos, corruptos, bandidos ou assassinos não se distinguem por usar coroa ou não. Isto dito, e sendo a humanidade o que é, a comparação entre a monarquia e as alternativas democráticas de escolha do Chefe de Estado deve fazer-se pela facilidade com que em cada um dos sistemas é possível pô-los a andar. Concretizando, se Cavaco fosse Rei, teríamos que aguentá-lo toda a vida (os mais atentos dirão que andamos lá perto). Como felizmente não é, o próprio sistema encarrega-se de o despachar através do mecanismo da limitação de mandatos. E, mesmo que não o fizesse, em devido tempo ser-nos-ia devolvido o direito de decidir. E é sempre melhor incorrer no risco de escolher mal sabendo que mais tarde poderemos tentar corrigir uma má decisão do que, pura e simplesmente, não poder escolher.
E se Cavaco estivesse a reinar?
Rui Rocha,

A monarquia é uma alternativa democrática.
Quanto ao caso do genro do Rei de Espanha, foi rapidamente posto de lado, até a questão se esclarecer. Assim aqui fosse.
Os Reis também podem ser «despachados». A questão é que, sendo preparados desde que nascem para o serem, estão livres de alguns defeitos que acometem os amibiciosos.
C.,
1- Dei por pressuposto que a monarquia possa ser uma alternativa democrática. O ponto é questionável, mas aceitemos que sim.
2- Não tenho tanta certeza sobre a rapidez. Aceitemos que sim.
3 – A tese da preparação é muito interessante. Infelizmente, não a aceito. Há tanta gente muito preparada de que eu só quero distância…
Não me referia tanto a qualquer disciplina específica, ou mesmo a um conjunto delas – embora seja um aspecto muito importante -, quanto à «disciplina augusta» da voluntas e dos valores, desde o berço.
Se formos para a república, então que seja uma a sério, e não tristes imitações de monarquias, com «primeiras damas» e outros kitsch.
E um controlo preventivo e sério dos candidatos.
a monarquia é democratica aonde?
se existe uma familia que à partida nasce com tudo?
Na quase impossibilidade de Cavaco ser Rei, muito provavelmente jamais diria uma coisa dessas, ou desculpar-se-ia a seguir. Quanto ao caso de Espanha, não sei se a instituição monarquia ficará muito afectada, já que o genro foi logo afastado de cermonias públicas (já houve um caso semlhante, e até pior, com o consorte dos Países Baixos).
Lembra bem, João Pedro.
E tínhamos que aturar um cromo como o Duarte Pio e a sua corte que vai desde skinheads a peralvilhos brasonados.
A grande diferença é que o Rei é o continuador da História profunda do País.
Os republicanos são os continuadores das falcatruas, das traições, de um regime imposto ao Povo (pelo menos no nosso caso), contra a vontade deste, ou sem a consultar (e quando se consulta, quanta falácia…!) – mas, sobretudo, os republicanos amam apenas os seus interesses e fazem do dinheiro e das mordomias associadas aos cargos que desempenham (mal, tantas vezes mal…) o motivo das suas preocupações.
Os monárquicos, pelo contrário, amam o País, as suas raízes.
Eis a grande, abissal, diferença…
E há sempre aquele encantador príncipe nepalês que matou a família quase toda, ou o monarca do Botswana mais o seu escabroso ritual do umhlanga. O nosso, esse é chegou a dizer que a bandeira azul e branca era a de Afonso Henriques. Também é verdade que o senhor tem pingos de sangue de D. Miguel pelo que deve ser desculpado
Os monárquicos têm a mania que são mais patrióticos que os repubicanos. Porquê?
Alguém pensa que se fossemos uma monarquia não havia Valentins Loureiros, Dias Loureiros, casos BPN e etc etc?
Eu sou republicano e amo o meu país e as minhas raízes, encontro descendência directa e provada até ao ano 900 d.c., e depois?
Viva a República, viva a igualdade. Aqui somos todos cidadãos iguais.
Concordo, José.
o rei não precisa de facto de fazer trafulhices…
até se pode dizer:
o rei têm o rei na barriga!!
Trata-se, se bem vejo, de uma questão de fé.
Para dizer a verdade é-me indiferente ter um rei ou um PR. Talvez o rei fosse melhor. Vejamos:
1) Implicava que seria sempre o tribunal constitucional a decidir o veto das leis. (talvez houvesse mais fiscalização e controlo). Até porque o PR só pode vetar 2x, o que num governo maioritário significa apenas a chatice da aprovação demorar mais uns dias… Assim um tribunal com mais poderes, talvez não fosse mau. Não vejo vantagem em ter +1 político a promulgar as asneiras dos outros 230 deputados. Qualquer tipo com uma caneta com tinta o faz.
2) deixava de haver eleições do PR, poupava-se uns valentes trocos e acabava-se com o último “escalão” da classe política…
3) Poupava-se nas viagens. Hoje assistimos ao 1º a ir numa viagem de representação (com 30 chuchas atrás) para a Ásia, e ao PR a ir numa viagem de representação (com 30 chuchas atrás) para as Américas. Tudo ao mesmo tempo. Deixava-se o Rei quieto no palácio e ia apenas aos casamentos reais looll com um orçamento.
4) As revistas cor-de-rosa iam ter mais assunto.. logo a economia ia melhorar.
O único senão é que teríamos de levar com a fronha do rei uma porrada de anos, se for bem parecido dá uma boa imagem, se for gordo, baixo, feio e desdentado é mais chato! Mas a avaliar pelo nosso actual PR (cada vez que me lembro da imagem do bolo rei a saltar boca fora!..), também neste ponto não vejo qualquer vantagem do PR face a um Rei 😀 looooool
Se bem me lembro, houve também um grande monarca que fez uma viagem para o Brasil…
Não me parece que tenhas provado o teu ponto, Rui. Um mau Rei pode ser sempre evacuado. Sempre. Não, não teríamos de arrostar com ele por toda a vida.
Viver para servir um Povo e tê-lo como cerne e centro da sua vida, coisa que define um Rei Moderno [não consta que os holandeses ou dinamarqueses sejam os mais infelizes e frustrados dos europeus], impedi-lo-ia de vir para diante das câmeras aldrabar a Opinião Pública acerca do que ganha ou não ganha, do que recebe de reforma ou não recebe de reforma.
Não é por aí. Há Repúblicas saudáveis e salubres. Não é, infelizmente, o caso da nossa. Por isso, desejo outra coisa, outra forma de Regime. E tenho direito a essa experiência.
Rex, as causas de afastamento que referes existem também nos sistemas republicanos impeachments, etc.). O ponto esté em que o afastamento (ou a necessidade de renovação) é a regra e noutros é a excepção.
Rui, em boa verdade os mandatos dos nossos presidentes não se afastam muito de reinados. São reinados de 10 anos, muitos foram os reis que reinaram menos tempo…
E há uma coisa que jogará sempre a favor da monarquia: as reformas! O rei não tem reforma, nem uma sequer…
Por isso nunca um rei faria uma figura destas!
Eduardo, convido-o a ler o post que publicarei daí a pouco sobre o assunto. Abraço.
Já li Rui. Mas confesso que me revejo mais no anterior, naquele em que fez o favor de relembrar aquela folhinha de papel que tivemos – a minoria que quis, evidentemente -pela frente há um ano atrás…
Quer dizer, não estou muito interessado no debate monarquia vs república, estou muito preocupado é com as alternativas que sucessivamente temos pela frente. Mas esse não é só o problema do órgão PR…
Um abraço Rui.
E eu concordo consigo, Eduardo. Abraço.
se é genro nao é da família real…
muito bem visto…
é apenas da familia bancária!!
exatamente, a responsabilidade é outra, o móbil também, seu espertalhão.
o móbil é sempre o mesmo.
dinheiro.
o rei não precisa dele.
o rei tem o rei na barriga!!!
espertinha!!!
como se pode chamar democrática uma sociedade que tem uma familia que à partida tem tudo?
monarquia dá-me azia!!!
Como a Soares, por exemplo. Já vai na terceira geração e a quarta até já tem um Mário na calha.
Isto é que é um post que se pode chamar… e para não dizer zero, um grande tiro ao lado.
3 pontos para o país de Gales. Toda a lengalenga só dá razão aos monárquicos lol.
Gosto particularmente do facto de que para o senhor não são democracias os países que em todas as qualificações internacionais possuem atestadamente as melhores democracias…
Admito perfeitamente que não seja monárquico, mas não diga balelas…
As democracias que refere não o são por terem Rei. São-no porque assentam num mecanismo de eleição não aplicável ao Rei.
“Isto dito, e sendo a humanidade o que é, a comparação entre a monarquia e as alternativas democráticas de escolha do Chefe de Estado deve fazer-se pela facilidade com que em cada um dos sistemas é possível pô-los a andar.”
A melhor maneira de “por a andar” um chefe de estado é não ter qualquer chefe de estado, pois o que está em causa não é a importância ou até o papel de cada um. Apenas a facilidade com que se anula o dito cargo. Que até pode ser por dá cá aquela palha.
Posto isto, a discussão entre monarquia e presidencialismo torna-se irrelevante.
Ora aí está um ponto a considerar: o da utilidade da figura.