Um dos passatempos preferidos dos actuais governantes do Velho Continente é criticar o projecto europeu e reduzi-lo a um monte de burocracia, que está em decadência e que pouco ou nada faz pelos seus povos. Com mais ou menos intensidade, esta é a tónica dominante da retórica de praticamente todos os líderes dos vinte e oito Estados-membros. Seja por convicção, seja para agradar ao seu eleitorado interno, seja até por razões válidas (porque há muitos erros que devem ser corrigidos), são diárias as críticas e os ataques feitos ao projecto de construção europeia. No meio de tudo o que se vai ouvindo, é recorrente o lamento sobre a falta de liderança política na Europa. Ao nível dos Estados-membros, não existem figuras carismáticas que possam assumir esse designio comum e inspirador de levar isto por diante e, no âmbito das instituições comunitárias, percebe-se que as figuras que têm sido escolhidas para assumir tais cargos nos últimos anos não têm gerado o efeito de mobilização e de alavancagem que se precisava. De certa maneira, hoje em dia, fica-se com a sensação de que a construção do edifício europeu entrou em piloto automático a partir do início dos anos 90, acrescentando-se andares sobre andares em cima de “pilares” frágeis, mas sem qualquer farol que apontasse um porto seguro.
Não se estranha, por isso, que uma certa ideia romântica de Europa unida e solidária se tenha perdido lá atrás, com a saída de cena de homens como Delors, Kohl, Miterrand, Soares ou González, apenas para dar alguns exemplos. No entanto, se é verdade que Jacques Delors é e será sempre uma figura de referência na construção europeia, tal evidência não deve distorcer a análise comparativa entre os seus dois mandatos na Comissão e os que se lhes seguiram. Porque, de certa maneira, no final dos anos 80 e no início dos anos 90 viveu-se uma euforia europeia, com alguns dos principais líderes europeus da altura, com destaque para Helmut Kohl e Francois Miterrand, a “acelerarem” o projecto europeu para um nível de integração absolutamente inédito. Maastricht é precisamente o resultado, mas também o símbolo, dessa vontade política. Na prática, e até pela realidade ainda bem presente dos traumas de uma Europa dividida, todos eles estavam a lutar pelo mesmo. E isto veio facilitar (e de que maneira) o trabalho de quem estava nas instâncias comunitárias e, ao mesmo tempo, criar uma onda de entusiasmo junto dos cidadãos europeus.

28 ?. Dir-se-ia, 27 orfãos em casa em que não há pão, só bolachas.
E mais um texto em que os Unionistas se apropriam da palavra Europa…
A União parecia boa porque corria tudo aparentemente bem, os EUA pagavam o guarda chuva nuclear e a União podia dedicar-se ao que o complexo Politico-Jornalista mais gosta:
Exprimir o seu puritanismo criando ainda mais poder sobre os outros: mais camadas de poder.
Tal como o regime do 25 de Abril viveu da poupança da Ditadura, a União viveu da poupança dos anos 50, 60. Com essa prosperidade começaram a colocar mais e mais camadas de Socialismo.
O resultado do socialismo é obvia decadência cultural, moral pois cada vez a independência é mais difícil.
Líderes carismáticos?! Hitler, Mao, Estaline também o eram…
O Miterrand por exemplo um tipo que quase lançou a França na bancarrota, teve de chamar o austeritário Jacques Delors com o cuidado de chamar “Rigor” em vez de “Austeridade” , mandou colocar uma bomba num barco da Greenpeace, e ajudou a criar a Front Nationale do Jean Marie Le Pen.
Assim de facto se vê o poder do jornalismo em escrever e reescrever a história.
Tudo Hubris.