“[É] preciso pedir o regresso da política, é preciso que os problemas sejam tratados através de uma perce[p]ção dos anseios e necessidades das pessoas e isso é muito mais vasto do que a visão tecnocrática afunilada com que muitos dos problemas do país têm vindo a ser tratados até agora”. – Carlos Abreu Amorim, 11/05/2013
É preciso ter memória quando se fala do OE 2016 (2)
Sérgio de Almeida Correia,

O correcto saloio é usar grandes frases generalizadoras para tratar de casos.
Depois fica a memória…
Primado da política, então. Que é o que esta declaração citada invoca. Primado ou, pelo menos, o justo peso da política na circunstância concreta (ou seja, o justo peso do financeiro e do económico nessa mesma circunstância).
E é correcto invocar tal princípio. Desde que aplicável: desde que a situação financeira não seja de tal modo grave que a tudo se sobreponha. Pouco interessa discutir inflamadamente a distribuição do dinheiro quando este não existe. E desgraçadamente, muito que isso doa a alguns santos da liturgia desta república, ele não aparece sempre. Sem custos – e penosíssimos – pelo menos.
Mas não política pura e dura, cega e surda às circunstâncias económicas e financeiras, política que a ser seguida as fará piorar drasticamente, política de pura vingança, política de pagamento de promessas de curto prazo. Política de satisfação de objectivos eleitorais dos seus agentes, na perspectiva de um bem provável descalabro a prazo breve. Política de extrema-esquerda, que bem se sabe depende do caos para existir (depois passa a depender da força para manter a – sua – ordem).
Gostemos ou não da ideia, não vivemos de política. Vivemos do dinheiro que temos ou não temos e com as responsabilidades em que mal ou bem incorremos.
Haja a decência de não ofender a própria inteligência a defender o indefensável. A menos que as agendas pessoais a isso obriguem, e o diáfano e tão útil conceito de responsabilidade política o permita, claro.
Costa (nada a ver com esse)
É caso para dizer, como dizia a Hermínia Silva: «Anda Pacheco, digo Amorim».