Dois artigos fundamentais.
1. Adam Tooze explica a Alemanha aos maniqueístas de ocasião. O texto inclui uma análise dos anacronismos financeiros da senhora Merkel, mas também das reformas profundas que o país iniciou enquanto andávamos a ganhar o futuro. Pior, revela-nos problemas fiscais graves de âmbito estadual. O autor ensina História em Yale.
2. Martin Wolf, que acerta sempre, diz que o financiamento da dívida grega é só o começo da conversa:
Greece is being asked to do what Latin America did in the 1980s. That led to a lost decade, the beneficiaries being foreign creditors. (…) This package will surely fail to return Greece to the market, on manageable terms, in a few years. More money will be needed if debt restructuring is unwisely ruled out.
O resto é ainda mais sombrio.
E agora pense — pense com muita força no aeroporto, na ponte, nas auto-estradas, no TGV. Imagine-se a percorrer a Estremadura, uma brisa doce acariciando as searas, a beber orchatas de chufa enquanto a fronteira, lá ao fundo, se esbate num risco violáceo. Você está na Classe Conforto, o país vai bem, o futuro é sorridente — e a Paloma ou a Perla ou a Consuelo acaricia a barriga enquanto aguarda o fruto varão das suas incursões ibéricas.
Talvez resulte.
