E o Nobel da Economia que já foi atribuído…


joaomsandre,

Soares dos Santos gosta mesmo de tomar os outros por parvos. Agora vem com a ideia de colocar as pessoas a trabalhar sete dias por semana mas, e aqui vem a parte hilariante, com um total de horas diárias inferior ao actual. Virão perguntar, então e qual o problema? Pode ser boa ou má ideia, mas por que razão não haveria de se pensar nisso?

 

Quase ninguém trabalha hoje em dia as 40 horas semanais que tem de cumprir. Seja no público ou no privado. Quase toda a gente fica mais tempo no trabalho. Com o esticar da semana de trabalho para 7 dias, Soares dos Santos acabaria por ter gente a trabalhar mais tempo por menos dinheiro. Durante a semana isso não é prático já que os trabalhadores são uns chatos e dizem que têm que ir buscar os filhos, fazer compras, arrumar a casa, etc. Assim, em vez de trabalharem umas 10 a 12 horas por dia e 5 dias por semana (sendo pagos 7 ou 8 horas), acabam a trabalhar as tais 7 ou 8 horas por dia, mas 7 dias por semana. Genial não?

 

E depois Soares dos Santos pode ir gozar os seus lucros para a Holanda, o país genial que não cobra impostos sobre lucros do estrangeiro de empresas sediadas no país, e que por via dessas cobranças fantásticas está agora em recessão e crise orçamental e decidiu ser mais transparente que o país de Passos Coelho e declarar o fim do estado social.

 

Correcção: como vários comentadores referiram, o que Soares dos Santos disse não foi aquilo que eu entendi. Seriam as empresas a trabalhar e não os trabalhadores. Também acho a ideia disparatada, mas disso falarei depois.

16 comentários em “E o Nobel da Economia que já foi atribuído…”

  1. Não vou defender a ideia do sr. Soares dos Santos (aliás ele afirmou que a ideia não é dele, ouviu-a num forum em Colónia), vou apenas esclarecer que ele não disse que os trabalhadores trabalhariam sete dias – as empresas trabalhariam sete dias, os trabalhadores cinco (ou seja, aplicar a toda a economia o que se faz nas cadeias comerciais, na hotelaria, na indústria pesada, etc.)

  2. Já há muito boicoto o Pingo Doce e passei a ir ao Continente, ao Auchan, ao Lidl, ao Intermarché, ao Leclerc, etc, que têm todos as sedes fiscais em Portugal, como aliás todas as empresas do PSI20.

  3. Bem, parce-me que Soares dos Santos, e o autor da ideia original em que baseia seu pensamento, esquece que as pessoas trabalham 7 dias por semana: para a entidade empregadora, para elas mesmas, nas responsabilidades familiares e do lar, e também nas sociais. Isto é trabalho que deve ser feito.

    Por outro lado, parece-me que a ideia que preconiza não se baseia na realidade que vê, mas numa imaginária. Explico: ao fazer tal proposta, Soares dos Santos acresecenta que isto deveria aplicar-se “a todo o mundo” sic.
    Verifico que Soares dos Santos e seu mentor pretendem mudar o mundo e não adaptá-lo a uma nova realidade.
    Por outro lado, Soares dos Santos esquece que os fins-de-semana livres proporcionam o ganha-pão de muitos, incluindo o dos supermercados. Porque é o tempo que as pessoas têm para abastecer de víveres suas casas. Mas também para dar de comer à indústria do entretenimento e cultura, lazer etc. etc. etc. e tal
    Mas eu percebo Soares do Santos: um supermercado tem picos no fluxo de compradores; e tornando norma o trabalho 7 dias por semana ele poderia também encaixar as horas dobradas que tem de pagar aos funcionários.
    Já não há management à altura que pense a economia como um todo. É necessário reduzir-lhes o salário!

    Já agora: o que preconiza para África? Que lhes aumentem o nr. de dias na semana para que se possa encaixar todos aqueles que vivem na miséria (e são muitos)?

    1. Tal como outros comentadores referiram, li mal a notícia. Se aquilo que eu pensei inicialmente fosse correcto, o seu comentário complementaria muito bem o meu post.

      1. João André,

        O meu comntário foi produzido de acordo com a entrevista de S. dos Santos ao “Jornal de Negócios”. Neste sentido o meu comentário mantém toda a prtinência. Porque na realidade muitas empresas trabalham ao fim-de-semana.
        Isto de querer dissociar o trabalho das empresas, ao fim-de-semana, com o dos trabalhadores é uma questão mal equacionada sob o ponto de vista académico. Porque ele, com este sistema, cria trabalhadores disponíveis para os empregadores, e daí para a consumação da efectividade desta disponibilidade é um pequeno passo.
        No entanto, concordo que a redução horária criará emprego, desde que esta redução não seja equacionada como trabalho temporário e/ou em part-time. E que não se pense que através desta redução se adopte o sistema da desvalorização horária em sintonia com a desvalorização salarial. Isto criaria miséria e não emprego, melhor, criaria emprego miserável; que é o que em regra se encontra.
        O sistema actual pretendeu seguir o da desvalorização salarial, por isto mesmo se deslocalizaram empresas para paraísos onde a mão-de-obra era e é escrava. Nesta deslocalização esqueceu-se a retaguarda, isto é, os consumidores, para essa produção com trabalho escravo, estavam e estão nos países de fuga dessas empresas, e a miséria é tanta que eles não têm agora produção e mercado, e buscam a fuga para outros paraísos para compensar as perdas financeiras, as receitas comerciais e os cutt-offs nos empréstimos do sistema financeiro (que vêem mais rentabilidade nas aplicações de dívidas soberanas), mas sem sucesso.

        Mais uma vez, o que produzi em meu comentário mantém-se.

  4. “Quase ninguém trabalha hoje em dia as 40 horas semanais que tem de cumprir. Seja no público ou no privado. Quase toda a gente fica mais tempo no trabalho.”

    É por isso que os sindicatos da Função Pública querem que o TC chumbe o diploma das 40 horas semanais.

  5. Soares dos Santos não disse isso!
    Disse sim que as empresas podiam trabalhar 7 dias por semana e os trabalhadores manteriam os actuais 5 dias, mas com folgas rotativas.
    No entanto discordo da sua ideia (que nem é dele); aumentaríamos emprego e produção, mas provavelmente apenas a prazo, pois esta ultima deve ser ajustada à procura. Além disso os custos das empresas também aumentavam e talvez não fossem compensados pelo aumento da produção.

  6. Uma facto que de há muito me intriga:

    Por que será que os “experts” em economia e finanças, falham /falharam/ quando governam?:

    / Manuela F Leite/ Bagão Félix… só para mencionar os dois que mais criticam o actual governo…

  7. Para muitos negócios é perfeitamente lógico. Vejamos um hospital, deve fechar ao fim de semana se há doentes ao fim de semana?
    Um bloco operatório que custou milhões deve ficar parado durante boa parte da sua existência ou deve ser utilizado?
    O bloco operatório é como uma máquina: investimento.

    A questão é as empresas de terem liberdade de se organizarem como querem. Quem quiser só trabalhar para certos clientes, trabnalhar só ás quintas e sextas deve poder fazê-lo tal como outra opção.

    Aliás a bizarria é que quer o autor deste texto quer o Soares dos Santos vivem no mundo das regras, vá a uma empresa pequena mesmo não familiar e conforme vem o trabalho, trabalha-se e se se tiver de trabalhar um mês 6 dias por semana trabalha-se e se houver uma emergência num domingo também. Depois faz-se as contas e dá-se dias livres.

    1. Eu devo estar a ficar mal quando me vejo a concordar mesmo que em parte consigo. Vamos às discordâncias.

      Os hospitais: bom, a verdade é que não estão fechados, mas é verdade que funcionam a meio gás. Habitualmente estão organizados para poder lidar com o fluxo de casos que lhes cheguem, mas temos um caso de ovo e galinha: se os potenciais pacientes sabem que os hospitais têm menos médicos de serviço, poderão tentar aguentar o mal estar e ir ao hospital apenas na segunda-feira. Dessa forma reduzem o fluxo de pacientes e os hospitais podem reduzir o pessoal.
      Ainda assim, os blocos operatórios poderiam de facto aumentar o serviço ao fim de semana. Seria uma forma de reduzir o tempo de espera por cirurgias. No caso das emergências, os hospitais conseguem habitualmente lidar bem com elas.

      As empresas já podem organizar-se como querem, mas têm de pagar um custo extra pelo trabalho ao fim de semana ou fora de horas. No caso de algumas empresas (que refere correctamente) será possível dar simplesmente folgas para compensar o trabalho extra. Noutros paga-se o custo de fazer as pessoas trabalhar num período em que deveriam estar a descansar. Note ainda que os trabalhadores que trabalham por turnos e têm frequentemente de estar de serviço ao fim de semana ou noites costumam ter contratos específicos onde estes pontos estão já previstos. Por essa flexibilidade, acabariam por receber um salário mais elevado, mas não se pode pedir que toda a gente trabalhe pelo mesmo valor (teríamos o belo do comunismo, certo?).

      Penso que deve de facto haver liberdade para todas as empresas poderem trabalhar de acordo com a conveniência. Aquilo que eu defendo é apenas que os trabalhadores (todos, desde os empregados de limpeza, passando pelos operários e chegando aos gestores de topo) vejam os seus direitos defendidos e não sejam mastigados pela empresa. A economia deve estar ao serviço da sociedade, não o contrário.

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