É o melhor sem dúvida ou talvez não


Pedro Correia,

 

Confesso que ainda consigo espantar-me com certos comentadores futebolísticos. E ninguém me espanta tanto como o omnipresente Rui Santos, o homem que anda há vários anos à procura dos pontos finais sem conseguir encontrá-los, motivo que o leva a produzir as frases mais quilométricas da história da TV em Portugal. A necessidade de encher chouriços em televisão é tramada. Só isto explica que o prolífico comentador da SIC Notícias tenha ontem transmitido duas ideias aparentemente contraditórias. Por um lado, emitiu este juízo categórico: «Potencialmente, Nélson Oliveira é já o melhor ponta-de-lança português. Não temos melhor.» Por outro, minutos adiante, foi deixando este judicioso conselho a Paulo Bento: «No jogo contra a Dinamarca eu defenderia um Nani atrás dos pontas-de-lança, que deveriam ser Cristiano Ronaldo e Quaresma.»

Descodifiquem-me este raciocínio, como se eu tivesse cinco anos: como é que num jogo que precisamos mesmo de ganhar o seleccionador nacional pode dar-se ao luxo de deixar no banco «o melhor ponta-de-lança português»? Padecerá o jovem Nélson de alergia aos dinamarqueses, altos e loiros? Não poderia formar ele com vantagem a dupla atacante com Ronaldo? E, sendo tão bom ao ponto de se considerar que «não temos melhor», porque não deixá-lo sozinho à frente? O Quaresma amuaria com tal escolha? Será a lógica uma batata?

Vou reflectir sobre tão magna questão nas próximas 48 horas. Usando, de preferência, frases mentais sem ponto final. Pois do meu ponto de vista a intangibilidade do esférico decorre das sinuosidade tecnico-tácticas adjacentes à linearidade do relvado e a verdade desportiva depende em alto grau e larga medida da disponibilidade de todos os agentes envolvidos na condução do processo dentro das quatro linhas de jogo mas principalmente nas estruturas que enquadram este fenómeno capaz de mobilizar a massa adepta e também os milhões que se acumulam sobre as mesas directivas em razão do qual eu não me calarei e sempre relatarei aqui tudo quanto sei e julgo saber ou talvez nem saiba nada por aí além mas mesmo assim contem com a minha voz que ressoará qual trombeta contra a investida castelhana nos plainos de Aljubarrota naquele ano em que a Ala dos Namorados conquistou a Taça Ibérica.

 

ADENDA: o mocho é um convidado especial, com presença fixa neste blogue

10 comentários em “É o melhor sem dúvida ou talvez não”

  1. Ahaha.. a parte final do texto está, sem dúvida alguma, no estilo “santista”.

    Admito que até tenho um comportamento reflexo -qual cão do Pavlov-, cada vez que vejo dito senhor na tv; mudar de canal, ou apagar a televisão.
    No entanto, lendo o que o Pedro escreveu, arrisco-me a fazer uma interpretação de ditas ‘antíteses’. Talvez fosse no sentido de descrever o Nélson Oliveira como ponta-de-lança nato e os outros dois, simples avançados, adaptados à posição.
    Honestamente, não consigo é compreender a escolha do Quaresma… mas também, se há coisa que não me arrisco a tentar compreender é a ponderação de Rui Santos.

  2. É um raciocínio parecido com o Del Bosque. O melhor PL é o Torres – foi o que entrou. Ok metemos o Cesc – no Arsenal era medio.
    Se eu fosse o Prof. Marcelo dizia isto:
    de 0-20, Helder – 0, Hugo – 1, Nelson – 2.

    1. Ele preconiza não uma mexida pontual na equipa mas uma verdadeira revolução. Sugerindo um cenário que sabe de antemão não ter condições para ser posto em prática numa fase destas, sem experiência prévia. Custódio como trinco, Miguel Veloso como lateral esquerdo e Fábio Coentrão jogando como médio em linha com o Meireles, mais o Miguel Lopes à direita e o João Moutinho (reconhecidamente um dos melhores elementos da selecção que jogou contra a Alemanha) fora da equipa. Além do Nani a servir os “pontas-de-lança” Cristiano e Quaresma.
      Caro José Manuel, dou-lhe os parabéns se atinou com esta formação e com a táctica que o comentador da SIC Notícias pretenderia delinear a partir dela. Eu não percebi patavina e julgo que o próprio autor da ideia também não.

    1. Do meu ponto de vista devo dizer-lhe que em função do que ficou escrito por si nada mais tenho a dizer senão agradecer as suas amáveis palavras mas já agora gostaria de acrescentar que continuarei a pugnar sempre pela verdade desportiva em razão das novas tecnologias e quem disser que isto não tem viabilidade por falta de condições financeiras e de tecnologia adequada e de interesse dos agentes desportivos afinal nada percebe das caprichosas movimentações do esférico durante as partidas do desporto-rei que eu venero sem limites apesar de ser notoriamente republicano.

  3. Olá Pedro.
    Também quero comentar sobre futebol, mas não sobre tácticas que não percebo, e sim de jogo que percebo muito bem porque quando era miúda jogava futebol com os rapazes, e então a minha opinião é esta.
    Quer com este ponta de lança ou com outro qualquer, eles sabem jogar todos porque foram seleccionados, e quando estão a jogar por que não experimentam chutar para a baliza. Se tentassem tenho a certeza de que iam marcar golos e íamos ganhar.
    Quando eu jogava futebol com os rapazes era assim que fazia e estava sempre a marcar
    Mas não sei que táctica é a do nosso treinador que só sabe defender e assim nunca vamos ganhar nada.

    Cordiais saudações.

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