Prever o futuro é um desejo natural de todos os seres humanos. E o mercado oferece, hoje em dia, várias alternativas para satisfazer esta necessidade básica. Umas são, naturalmente, mais fiáveis do que outras. Pessoalmente, e embora não acredite em nenhum desses métodos, incluo a leitura da mão, a astrologia, as cartas, as conchas, a agenda do outlook e os discursos dos políticos em período de expansão económica no grupo dos que poderão, com alguma sorte, acertar de vez em quando. Até os relógios parados têm razão duas vezes ao dia. Por seu lado, as previsões meteorológicas (pode lá ser que nos Açores chova todos os dias), as sondagens, as projecções elaboradas por economistas e as promessas de títulos do Jorge Jesus situam-se, na minha visão, no grupo das previsões que nunca serão confirmadas pelos factos. Por tudo isto, desenvolvi o meu próprio método de antecipação do que vai acontecer nos próximos anos (sim, também eu sinto esta curiosidade ontológica). Na verdade, estou convencido de que a melhor forma de prever o futuro é observar o que se passa nas escolas. Esta observação é feita à distância (a que decorre de ser pai de crianças em idade escolar e familiar de professores), com as vantagens e desvantagens inerentes. O que vejo, melhor diria, o que ouço, leva-me a algumas conclusões (enviesadas, admito, como tudo o que é obra humana). A excelência está limitada a um pequeníssimo grupo de alunos, professores, pais e escolas. O resto é uma massa de:
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alunos desinteressados, palradores, engraçadinhos, sem o mínimo interesse em aproveitar o tempo de aula para outra coisa que não seja a conversa, a pantomina e a ostentação do último gadget ou penteado (like?);
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professores desmotivados, razoavelmente incompetentes (quantos deles são capazes de resolver as provas e exames a que os seus alunos são submetidos?), formados por Universidades ou Institutos sem o mínimo de credibilidade técnica ou pedagógica e que optaram pelo ensino em último recurso (até porque não tinham média de entrada para outra coisa);
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pais displicentes que ainda não perceberam que, sem esforço e competência, o mundo não vai oferecer aos filhos as oportunidades que a eles próprios foram prometidas;
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facilitismo, com as provas remetidas para níveis elementares, e as escolas (públicas ou privadas) imersas num ambiente de competição em que empolar as classificações é a unica garantia de, a prazo, manter as portas abertas.
É uma bola de cristal pouco brilhante a que aqui partilho e as previsões que faço não são animadoras. É um assunto em que desejo estar tão errado como as folhas de Excel de Teixeira dos Santos. Não entro sequer na onda dos que afirmam que o passado foi melhor. Sinceramente, acho que não. O que me parece é que o futuro vai exigir muito mais do que aquilo que estamos a preparar para lhe dar em troca.

E o futuro foi aquilo que se viu…
Já era.
O que me parece é que já não queremos conquistar mais nada… :((
Gostei “deste” seu regresso, continue… cheguei a pensar que sentia uma grande paixão assolapada pelo Sr. José Sócrates! Desculpe o desabafo, não resisti!!
Quem é o José Sócrates?
(obrigado, Ilda)
Por acaso ouvi no outro dia Teixeira dos Santos dizer que ia voltar ao antigo trabalho;dar aulas.
Mais do mesmo.Parabéns pelo post, como mãe concordo plenamente consigo.
Sim, ouvi o mesmo. Creio que vai basear as aulas em casos práticos: com quantos PEC’s se faz uma bancarrota.
(obrigado, Isabel)
Vim pelo facebook felicitar pela objectividade. Concordo plenamente.
Reafirmo, Maria. Espero estar muito enganado.