E no fim a malta foi tomar umas “bejecas”


Sérgio de Almeida Correia,

Vi de tudo. Bloquistas, skinheads vestidos a rigor, sindicalistas da CGTP, meninas das “famílias numerosas” exibindo a respectiva prole, arrumadores, membros de claques, estudantes, desempregados, os Homens da Luta, reformados, reconhecidos ociosos, deputados, patuscos, e até simples arruaceiros. Também ouvi de tudo. Frases sem nexo, algumas repetidas várias vezes diante das câmaras do tipo “abrem os olhos” (sic), outras como “governo rasca, geração à rasca” e “não fui ao centro de emprego porque aquilo é uma perca de tempo”. Frases que misturavam milhões e tostões, muitos gritos contra a precariedade, os banqueiros e os políticos, canções de intervenção e batucada. Também havia uns tipos com idade para serem meus avós aos saltos e a gritarem “quem não salta é do Governo”. Muitos lenços árabes, alguns enfeitando os cães “desfilantes” e os respectivos donos. Muita gente. Muita gente. De vez em quando cantavam o hino, mas só afinavam na letra quando se tratava de mandar marchar contra os canhões. Televisões, rádios, muitos jornalistas na rua, afadigados a entrevistar quem passava. Alguns manifestantes de carapuço na cabeça escondiam o rosto e vociferavam. Das reportagens que vi – SIC, TVI24 e RTPN – fiquei com uma certeza: a maioria dos destacados para a cobertura deviam ser “precários”. Num dos canais, uma repórter exibia uma nota de € 500,00 devidamente adaptada ao evento com o rosto de José Sócrates e ao ver o símbolo do PS, à laia de chancela do banco emissor, disse candidamente aos telespectadores que “os partidos” já se tinham infiltrado. As intervenções dos jornalistas foram tão rascas que só pode ter sido propositado. E combinado com a “geração à rasca”.

 

Quando o sol se preparava para desaparecer via-se que a malta estava satisfeita. Foi então que ouvi a frase que resumiu tudo: “Isto já não dá mais, pá, vamos mas é tomar umas bejecas e comer uns tremoços com as gajas“. 

 

Espero que o Presidente da República tenha ficado satisfeito com o “sobressalto cívico” que patrocinou. Eu fiquei ainda mais preocupado. Com eles e por causa deles.  

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