Sou uma rapariga pacífica. Pego nas aranhas com cuidado, para as pousar do lado de fora da porta. Salto por cima de caracóis e afugento moscas pelo método janela aberta, e não insecticida. Os meus piores terrores, as formigas, são escorraçados sem piedade com recurso a cabeças de cravinho, cujo cheiro parecem não suportar. Mas não sou santa: odeio pombos cinzentos, daqueles escuros que infestam as nossas cidades. Em dias bons, trato-os por ratazanas com asas. Em dias maus, defendo o extermínio da espécie. Aparentemente, há uma cidade onde seria muito, muito feliz:
Barcelona: Concurso público para matar pombos
As gaivotas, ninhos e ovos também deverão ser eliminados.

Acabo de saber, através do Telejornal da RTP, que vão ser finalmente destruídas, conforme vontade dos srs. Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, as conversas telefónicas entre os falsos eng. e dr. nas quais os investigadores viram um atentado ao estado de direito.
A notícia suscita-me duas reflexões, entre outras possíveis:
1. Afinal, “o crime compensa”;
2. O estado de acagaçamento dos nossos media ante o poder é total.
O socretinismo pode, portanto, continuar a destruição do país.
Ana, eu que vivo em Alvalade sei bem que praga é essa de que fala. Só que, ao contrário de si, defendo o extermínio da espécie em dias bons.
Identifico-me com as três primeiras frases. Agora nunca tinha visto pombos nessa perspectiva. Isso de ser citadina também tem os seus delitos de opinião para um campónio. Qualquer animal se realça no ambiente urbano, vê uma qualquer rotina urbana. Quando ganha proporções consideráveis começa a fazer confusão ao [animal] dominante, ao ponto de este pensar em extermínio. Porque, para o racional, não serve de nada a natureza deste celestino, ainda por cima tão próximo (pois pensa-se em fezes sem asas). Não nos misturamos com a natureza nem a deixamos misturar com a nossa cidade. Já por isso é uma cidade. Já por isso vivo no campo com a justiça dos irracionais.
Também detesto pombos, que me destroem as plantas e são uma praga que ninguém parace conseguir exterminar. Para agravar, os turistas, os reformados e as crianças acham graça a dar-lhes milho e pão…
Mas não posso deixar de reparar na quantidade de disparates deste extraordinário texto do CM: propõe às empresas que asfixiem e gaseiem redes, que eliminem cadáveres sem lhes causar dor e que o façam de modo a que isso seja irreversível, ou seja, que os mortos não possam ressuscitar…
Subscrevo. E são além disso responsáveis pela delapidação acelerada e irreversível de obras monumentais maravilhosas como, p.ex, as que são construídas em pedra de ançã, na região centro.
É um espectáculo triste (e visível a olho desarmado) o que se passa, por exemplo, com o portal da Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, coberto de estátuas de João de Ruão e Nicolau Chanterene, devoradas pela “pombaria”.
Odeio pombos. E jamais perceberei porque se mantém a coisa de os associar ao símbolo da paz: parece que, ainda por cima, são imensamente cruéis e desordeiros!
Existem formas menos cruéis de controlar a procriação dos pombos. Algumas câmaras alimentam os animais com produtos esterilizantes. Em Itália, os monumentos são electrificados para impedir que se aproximem deles.
É inevitável que surjam pragas nos centros urbanos, somos nós que as causamos com o nosso lixo, sendo nós a praga principal.
Exterminar a espécie poderia trazer uma praga pior, digo eu…
As gaivotas são bem piores. Anda aqui um bando a aterrorizar a zona. Destroem tudo e, pior, comem os ovos das aves mais pequenas.
É verdade, há formas menos cruéis.
Por exemplo, a utilisada por diplomata inglês que foi Embaixador em Lisboa e que, na biografia no “Who’s who”, indicava como “hobbie” “KICKING PIGEONS”.
Conta-me tudo sobre isso do cravinho e as formigas. Não me causam qualquer terror – em pequeno adorava dar-lhes comida e vê-las carregar o alimento até ao formigueiro – mas são uma praga lá por casa. Sobretudo com o calor.
ENSINA-ME!
Fiquei surpreendido com essa veia terrorista…
Não será melhor contratar os Americanos e eles vêm cá com um Apache e resolvem o problema?
São ratos com asas.
É proibido dar de comer aos pombos, mas vejo muita gente a alimentar esta bicharada fonte de doenças e porcaria.
Que insensíveis estes catalães,agora que andavam tão preocupados com o bem estar dos toiros e a quererem proibir as touradas, vamos lá a gasear pombos…
é bicho de que gosto, o pombo-bravo,o torcaz e o da rocha,o saudável hábito de comerem bolota torna-os um manjar delicioso. Os citadinos são praga realmente irritante.
Ana Margarida,
E o que estes ratos com asas fazem aos monumentos?? Muitos edificios estão já “armadilhados” contara esta passarada nojenta…