Repito: o mundo continua a enlouquecer alegremente.
E já ninguém se importa muito com isso.
Andávamos todos tão necessitados deste Castelões melhorado como do novo paradigma do dr. Soares. Mas não se apoquente, amigo novo-rico português que ficou excitado com a ideia de ter este ano um estômago mais brilhante do que a sua árvore de Natal: não quero apontar-lhe o dedo, que é isso! Nem dizer-lhe o que penso desta aberração imoral, sobretudo nos tempos que correm (olha, perdão, já disse). Afinal, você tem tanto direito de exibir a sua alarvice pseudo-sofisticada como qualquer sultão dos petroemiratos ou estrela pop, seja a lady gaga ou outra de discurso escorreito. Não, longe de mim estragar uma perspectiva de orgasmo gastronómico tão empolgante. Venho só lembrá-lo, e não diga que vai daqui, que essa coisa de “ouro comestível” não existe. Ou é ouro verdadeiro e ainda há-de levá-lo direitinho à radioterapia, ou é falso e estão a ir-lhe ao bolso com muita pinta… quem avisa, amiga é. Os velhos marajás de Jaipur também engoliam ouro e diamantes triturados para ficarem mais machos, mas esses sempre tinham de dar conta de um harém, não é? Enfim, não vá nisso, é o que lhe digo. Esta gracinha inglesa não vale nem a cinta do nosso queijo da serra.
Para si, cidadão teso e desempregado como qualquer português que se preze, há um novo desporto: descobrir onde há pontes prestes a cair, assim uma espécie de cruzamento da Maya com o Wally. Ah, pensava que isso era tarefa de técnicos, engenheiros civis e assim, pagos por todos nós para fazer essas coisas? Pois enganou-se. Estamos em crise, todos temos de colaborar. Levante lá o traseiro do sofá, calce as galochas e vá dar um passeio pelas redondezas para avaliar o estado das pontes da sua terra. Leve o martelo dos bifes, por exemplo, e dê umas pancadinhas na base dos pilares. Se a ponte se aguentar de pé é porque a coisa não está mal de todo, pode continuar a passar lá com a carroça. E não se esqueça de levar um bloco para o relatório, há que começar o cadastro por algum lado. De caminho, e já que está tão imbuído desse salutar espírito cívico, dê um pulo à central eléctrica e passe um dedo nos cabos de alta tensão. Se ficar vivo, alerte as autoridades porque há qualquer coisa que precisa de arranjo. Com sorte, depois de algum treino ainda o contratam para dar opiniões técnicas na televisão. O sol ainda vai alto e não lhe apetece voltar para casa? Bom, há sempre uma ETAR para vistoriar (se o seu nariz for bom), uma ou duas cirurgias por fazer nas urgências do hospital, um matadouro para fiscalizar, sei lá eu. Trabalho não lhe faltará, garanto. E é tudo a bem da nação.
Desta nação que se recomenda e está bem entregue a quem anda a queimar pestanas, esforçadamente, para ter um futuro. Se não acredita, veja aqui se não tenho razão.
Olhe, sobretudo não se queixe muito. Há quem esteja à beira do precipício e ainda tenha de ouvir este melro.


Fiquei curioso…e meti-me na nave, não numa daquelas que sulcam as ondas, não, mas daquelas mais modernaças, extraterrestres, cheias de corezinhas, que riscam os céus à velocidade da luz e que, num ápice, nos poriam à altura das estrelas se tal fosse preciso. Mas não, só precisei de subir dois ou três mil metros para ficar a ver tudo na perfeição. De lá -céus! – podemos ver tudo muito melhor e com outra nitidez. Vejam só o que apurei em relação a cada um dos tópicos:
1) O queijo dos milionários, afinal, já se encontra à venda em fatias, a preço de saldo, em lojas de ouro usado;
2) O número de brechas detectadas em todas as pontes do país é insignificante quando comparado com a enorme brecha que se abre de a toda a extensão do território, estando iminente a queda deste no mar a qualquer momento;
3) O ponto mais crítico de todo o território situa-se exactamente numa zona central de Lisboa, junto a um edifício conhecido como “Palácio de S. Bento”, onde a instabilidade detectada é absolutamente crítica;
4) Tem razão quanto à estudantada. No mais recente inquérito aos seus conhecimentos superiores que pude ouvir, em resposta à pergunta “Quem escreveu Os Maias?” um deles ripostou: – «E o senhor, sabe tudo? Diga-me então lá quem é que escreveu Os Aztecas?» (toma lá, que já levas…)
5) Este melro, afinal não é um melro porque não sabe cantar, nem tem bico amarelo. É um cuco que só sabe instalar-se no ninho que foi feito pelos outros.
Não haja dúvidas, do alto vê-se tudo muito melhor…
Quem escreveu os Aztecas??? Meu Deus. Olhe, Luís, cheira-me que eles acham que é assim uma espécie de saga em episódios, tipo Harry Potter: os Maias, os Incas, os Aztecas…
Alvíssaras, alvíssaras, a Ana Vidal está de volta!
Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza (que é mais o caso, diga-se). I’m back.
Eh lá, Ana! Vens com a bateria no máximo, boa! ;))
Esteve tanto tempo a carregar que deu nisto. lol