E aos costumes disseram nada


Sérgio de Almeida Correia,

“O salário dos gestores foi revisto em outubro pela Comissão de Vencimentos da ANAC, constituída por três elementos eleitos para essas funções: Luís Manuel Santos Pires, escolhido pela então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque; Eduardo Miguel Vicente de Almeida Cardadeiro, escolhido pelo ministro da Economia, António Pires de Lima; e Luís António Fonseca de Almeida, escolhido pelos administradores da ANAC.“

“Luís Ribeiro não poderá exercer as suas funções em razão de incompatibilidades e impedimentos. Do mesmo modo não tem experiência nas matérias internacionais e de segurança. Ou seja, corremos o risco de ter um presidente da ANAC manifestamente pouco preparado para as funções com os riscos daí inerente à aviação civil”. Foram as conclusões do relatório da Comissão de Economia e Obras Públicas, apresentado e aprovado por unanimidade em julho de 2015.”

“Os nomes indicados pelo anterior governo mereceram muitas reservas da Assembleia da República, mais precisamente da Comissão de Economia e Obras Públicas, que apreciou os currículos. A principal inquietação tinha que ver com o facto de Luís Ribeiro e Seruca Salgado serem quadros da ANA – Aeroportos de Portugal, organismo que é fiscalizado pela ANAC. E Ribeiro também pertencia aos quadros da Portway e foi nomeado num momento em que a ANAC seria chamada a pronunciar-se sobre a venda da TAP ao consórcio Gateway.

Já a vogal Lígia Fonseca transitou do gabinete do ex-secretário de Estado dos Transportes Sérgio Monteiro para o ainda INAC, em 2014, e foi reconduzida por este governante para a ANAC sem passar pelo crivo da Comissão de Recrutamento (Cresap).”

“Regularizar “a situação” significou aumentar os salários de 6 030,20 euros de Luís Miguel Ribeiro (o presidente) para 16 075,55; de 5 498,65 euros para 14 468,20 no caso de Seruca Salgado (vice-presidente); e de 5141,70 euros para 12 860,62 na folha de vencimentos de Lígia Fonseca, vogal da administração.”

 

Está visto que o problema do défice de 2015 era a viagem do outro em executiva.

0 comentários em “E aos costumes disseram nada”

  1. Parece-me que a ANA é uma empresa não um organismo.
    Também “privatizada” à maneira mercantilista e sindicalista para assegurar que não há competição nem mercado de aeroportos.

  2. O que o jornalista não conta, nem o autor do post é capaz de descortinar (seja por incompetência, seja por má-fé):

    – o que diz a lei-quadro das entidades reguladoras sobre os salários dos conselhos de administração;
    – quais os valores dos salários dos gestores das outra entidades reguladoras;
    – quem exigiu a passagem dos institutos a entidades reguladoras;
    – como votou o PS o diploma na AR.

    Como se não bastasse, misturam-se os nomes dos gestores com os da Comissão de Vencimentos; e, na notícia, carrega-se na questão dos retroactivos, deixando “em letras pequenas” o facto de os gestores não estarem a receber salário desde Julho.

    Mas, claro, os outros é que não são sérios…

    1. Os salários são só uma parte do problema. E nem tudo o que é legal é moral.

      A lei-quadro foi alterada em 2013, em pleno Governo da coligação PSD/CDS-PP.

      Que têm os salários a ver com o facto de se nomear gente sem qualificações, que não pode exercer funções por incompatibilidades e impedimentos vários, sem experiência em matérias internacionais e de segurança, que não passou pelo crivo da CRESAP e que, por acaso e só mesmo por acaso, tinha ligações à pandilha?

      E terem ficado sem receber salários em Julho foi culpa de quem? Da oposição?

      Ah!, estou a ver, o aumento salarial foi para compensar os desgraçados, pois claro. Os desgraçados ficaram sem dinheiro para as férias. Eles que até tinham quem lhes pagasse mais e só não se foram embora logo por amor à causa, é evidente.

      E a notícia não é uma, mas sim duas. Basta seguir os links para se perceber isso. E há muitas mais por aí, de outros jornais e de outros jornalistas.

      Quando não convém esconde-se. Quando se é aldrabão justificam-se as aldrabices próprias com o que outros fizeram sem nunca se assumir o que se fez. E depois arranja-se meia dúzia de “sampys” para assumirem (anonimamente, é claro, porque os cobardes e os ínvios nunca se comprometem para poderem ir comendo do pote sem se tramarem) a defesa da trampa que os outros fizeram e que se achou por bem manter — depois de se chegar ao poder e governando em maioria absoluta — porque até dava jeito para lá enfiar a malta amiga quando fosse preciso.

      Infelizmente, Portugal, os partidos e até os blogues estão infestados de “sampys”.

      1. O autor do post bem tenta virar o bico ao prego, mas está cada vez mais difícil disfarçar a facilidade com que recorre às meias-verdades, normalmente bebidas numa leitura acrítica de cachas que tresandam a encomenda, enquanto grita por uma moralidade que jura defender ao mesmo tempo que a viola pela forma intelectualmente desonesta e mal-informada com que expõe o seu argumentário.

        Estando eu tão habituado a lidar com essa forma de estar nos mais variados ambientes, não me deixa de pasmar o incómodo que me causa constatá-la num colaborador deste blog. Talvez porque, por norma, os autores desta casa se esforcem sinceramente por não deturpar a verdade dos factos nem por antepôr-lhes as suas opiniões. Assim, a diferença de posturas revela-se abissal.

        Quanto ao conteúdo do post: se quer discutir nomeações, discutamo-las; se quer falar de salários, falemos. Se discorda da lei, queixe-se ao Partido Socialista, que se absteve quando foi votada. Mas, pelo menos, mostre que se deu ao trabalho de buscar um pouco mais de informação e que percebe quando a notícia está mal amanhada.

        Quanto à questão do nick e do anonimato: não precisa de se preocupar. “sampy” diz-lhe tanto a si como Sérgio Almeida a mim. Não sei quem é, o que faz, onde mora, com quem dorme ou com quem almoça. Não me interessa. Tudo o que sei de si, é de ler o que escreve e como o escreve. Não revelará por inteiro o seu carácter; mas, daquilo que revela, aspectos há que precisariam de uma urgente revisão.

    2. Eu esforço-me imenso para ler e tentar levar o Sérgio a sério, a bem da pluralidade, de ler uma opinião diferente talvez – é quase impossível. É tão previsível estas entradas a pés juntos sempre que há um “assuntozeco” qualquer da moda que importuna (supostamente) a ala direita, gosta de se perder na desinformação que estes assunto são ventilados que quase roça o infantil. Os argumentos usados só servem para os visados nunca para os seus – até porque só se insurge quando alguém lhe informa “hey, há por aí um caso novo, acorda!”.
      É uma pena, a pressa para o PR indigitar o Costa, a pressa por um orçamento, deixaram de ser imperativos. Os avisos da DBRS não são importantes. Os avisos da UE e da UTAO também não. Isto é que é importante! Ahah.

      1. É tudo importante, mas sobre o que afirma também ouvi isto, a partir do minuto 26, e pareceu-me que as explicações seriam sérias. Mas talvez me possa convencer do contrário. Tenho alguma dificuldade em perceber por que razão só os que têm dúvidas falam verdade. E já agora, em quantos anos seguidos se falharam as metas? E olhe que não defendo os governos Sócrates.

        http://www.rtp.pt/play/p2044/e223020/360#sthash.XsHQgnVi.gbpl&st_refDomain=m.facebook.com&st_refQuery=/

  3. OK, mas,
    Só gostaria de saber o que é que está a ser escondido atraz desta diversão.

    Sim, revelação de salários razoáveis e nomeações clubisticas, nunca serão novidade, nem por governos de direita nem de esquerda.

    O que está realmente a acontecer ?.

  4. «A ata da Comissão de Vencimentos não foi divulgada.»
    Ponto?
    Bem sei que se ata, o caso pode ser complicado.
    Mas não há alguém que possa desatar a acta?

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