“É a vida!”.
Esta deve ser a frase que mais uso para explicar o que sei de antemão ser inexplicável.
Num texto de José Ricardo Costa publicado no seu blog Ponteiros parados, ele afirma que esta é, também, a expressão que mais ouve no lar onde a sua mãe se encontra.
Que quereremos todos, e eu própria, dizer com ela? Muito possivelmente, que sabemos ou sentimos – e sentir é outra forma de saber – que nem tudo à nossa volta tem explicação plausível e que pelo menos uma parte da nossa existência se situa no domínio de um insondável mistério.
Todavia é essa mesma vida que faz com que as pessoas se agarrarem a ela, sem qualquer justificação que não seja ela própria. E este facto, este amor à vida que se desconhece, é que continua a ser surpreendente.
É claro que há pessoas que se suicidam, atentando assim contra o seu bem mais precioso. Mas esses casos são considerados como fazendo parte do domínio da patologia. A realidade é que a maioria das pessoas gosta de viver, mesmo quando não gosta da vida que leva. E esta é que é, para mim, a chave da grande aventura do ser humano!


Excelente.
se suicidam, atentando assim contra o seu bem mais precioso
Se se suicidam isso é, evidentemente, porque para elas a vida deixou de ser um bem. Muito menos um bem precioso. Se se suicidam é porque a vida passou para elas a seu um mal.
Não, Luis Lavoura. Se não estivessem doentes a vida seria preciosa. Não é o valor do bem que muda, mas sim a perspectiva que se tem dele. É por isso que, por norma, se quer viver.
esses casos são considerados como fazendo parte do domínio da patologia
A minha mãe, em tempos já muito remotos, teve um professor na universidade que ensinava os estudantes que é preciso ter extremo cuidado em diferenciar o “normal” do “anormal” e do “patológico”. Pelos vistos a Helena nunca teve quem lhe ensinasse isso.
Ou, então, sou eu que tenho uma visão anormal…
Na área das patologias, onde o suicidio se pode incluir, não é a distinção entre normal e anormal que se procura.
A sua insistência em que o suicídio é uma patologia faz-me lembrar uma visão que antigamente se tinha da homossexualidade, que alguns também consideravam como uma doença.
Não se deve transferir para a área clínica os nossos preconceitos e ideologias.
Ó Luis Lavoura fique lá com os seus (pré) conceitos…
Trés bien dit 🙂
Parece que o Varumfacas já começou a adoptar essa expressão. Ele que não se ponha a pau e vai ver que suicídio lhe dão lá na terra dele. Ainda tem mas é de emigrar para a terra dos cangurus.
Do ser humano e de todos os seres vivos, desde os unicelulares.
Se há algo de transcendental no universo será esse facto, querer sempre viver mesmo que seja gigante o esforço.
Bem verdade, cristof. Ao ler este texto, lembrei-me que essa vontade de viver não é exclusiva dos seres humanos. Talvez esse desejo inexplicável de querer viver, esse amor à vida, mesmo quando não se gosta da vida que se leva, seja ainda das poucas coisas que temos em comum com os outros animais. O amor à vida é mais instinto de sobrevivência do que outra coisa.
E não será por acaso,penso eu que estou nesse barco.