É a nossa cultura, estúpidos!


Teresa Ribeiro,

Tentei ontem, sem sucesso, fazer um link para um texto assinado por Luís Calisto, director do Diário de Notícias da Madeira, e que vos convido a procurar na "montra" do site do jornal e a ler na íntegra. Dele transcrevo alguns excertos: 

"De que grau na escala de Richter seria o terramoto na capital se Sócrates ameaçasse expropriar um jornal? Foi o que Jardim fez relativamente ao Diário, aliás com todo o País a ouvir.

José António Saraiva do ‘Sol’ e a ‘Sábado’ atribuiram aos desígnios de Sócrates a interferência governamental nos jornais, através da redução de publicidade institucional nos órgãos incómodos e do aumento nos mais ‘amigos’. A ERC, e muito bem, logo chamou os autores da denúncia para saber o que se estava a congeminar. Então… e se, mais do que a tentativa de usar a publicidade como castigo ou prémio, o governo de Sócrates tivesse mesmo cortado há mais de dez anos os anúncios oficiais a um órgão para os canalizar todos ao jornal da sua cor, tal como faz na Madeira o dr. Jardim? Que, além de negar publicidade ao Diário para a entregar ao JM, e ainda intimidar nos discursos públicos os empresários que anunciam no Diário, mandou que todos os órgãos públicos cortassem a assinatura do DN, incluindo escolas".

"Sócrates foi criticado por atacar Manuela Moura Guedes (…) E se Sócrates fizesse como o sr. Jardim, que calunia, insulta e enxovalha diariamente os jornalistas com epítetos de corruptos, traidores, comunas, súcias, fascistas, tolos, incapazes, incultos, vingativos, desonestos, gente reles, mentes recalcadas, bastardos, exóticos, incumpridores de estatutos editoriais, ralé que não toma banho? E as jornalistas de vendidas, descompensadas, sovaqueiras…? Que seria de um Sócrates cavalgando tal paradigma?"

"Pois. Cá para a parvónia é que não há Constituição a cumprir. O Presidente da República tem a queixa do Diário nas mãos e, quando veio cá, elogiou a "obra" de Jardim. (…) ERC, Jaime Gama, Almeida Santos, Manuela Ferreira Leite, Paulo Rangel, PS e oposição nacional, todos têm conhecimento do estado da comunicação social insular. Mas vivem entretidos com o ‘polvinho’ que brinca no Mar da Palha".

 Não pretendo, ao chamar a atenção para este texto, branquear o que se passa no "contenente". Luís Calisto, a avaliar pelo que escreve, também não. Mas é sempre bom lembrar que nem todos os que andam para aí aos gritos a lamentar os atentados à liberdade de expressão do PS têm moralidade para falar. Infelizmente nesta, como em muitas outras questões essenciais à qualidade da nossa democracia o centrão afunda-se em contradições, duplicidades e cumplicidades.

 O atrevimento do poder político em relação aos outros poderes: o judicial e o dos media (porque a comunicação social não é formalmente um poder mas tem um enorme poder) é propiciado pela nossa cultura democrática. Fundada por partidos que formalmente se opõem, mas que na prática se neutralizam e diluem num mar de interesses e afinidades.

"Solidarizemo-nos com as vítimas continentais das escandalosas suspeições", escreve com uma ironia cáustica, Luís Calisto . "Aquilo vai tão mal por lá em matéria de atentados ao jornalismo que o próprio Jardim desabafou à porta do Conselho Nacional PSD, escandalizado com a falta de respeito pela liberdade de imprensa no Continente: "Num País com a tradição democrática como a Inglaterra, Sócrates já não era primeiro-ministro." Ninguém nos contou esta declaração. Ouvimo-la na rádio".

De facto, a falta de vergonha devia ter limites. Refiro-me, é claro, a Alberto João Jardim mas também aos que, tendo responsabilidades, desviam pudicamente os olhos da Madeira ao mesmo tempo que se afirmam como paladinos da liberdade de expressão. E por qué no se callan? Hein?

 

17 comentários em “É a nossa cultura, estúpidos!”

  1. Enquanto o PSD se curvar perante Jardim, até poderá ter muitos votos na Madeira, mas continuará a perder muitos no Continente. Aliás ouvir jardim a falar de liberdade de expressão é a mesma coisa que ouvir Chavez. É só ver o exemplo do Jornal da Madeira, ou o que recentemente se passou (agressões) a deputados da oposição.

    1. Devo acrescentar que não é por isso que devemos baixar os braços por cá. Antes que seja tarde.
      Mas não devemos igualmente esquecer-nos da realidade madeirense, que tem sido escandalosamente tolerada há tanto tempo.

    1. Balofa é a vovozinha descascando xuxu. E Teresa Ribeiro escreve-se com iniciais maiúsculas, Assis.

      Quanto ao seu problema, é simples: quando queremos provar algo, apresentamos factos ou testemunhas. Ora, para o efeito, como eu sou um frequentador regular da Madeira, onde tenho ligações há muitos anos, sou testemunha do que está escrito no ‘post’, palavra por palavra, pela Teresa Ribeiro e pelo director do DNM.

      1. “….branquear o que se passa no “contenente””. …e o que se passa no contenente, teresa ribeiro? sustente com factos.

          1. deixe de ser um chato! as senhoras sabem perfeitamente contraditar. não precisam de você para nada!

  2. Na realidade, AJJ já chamou aos jornalistas «(…) filhos da puta (…)» (sic) e já sobre eles disse «(…) Fuck them (…)» (sic).

    Para mim há muito que AJJ funciona como barómetro das lideranças do PSD: caso tal líder coloque AJJ no seu devido lugar, isso será bom indício da fibra desse líder.

    Infelizmente, porém, não consegui ainda vislumbrar tal atitude finalmente purificadora em nenhum líder.

  3. Na Madeira respira-se liberdade e competencia!

    A Madeira recebe uns dinheirinhos dos continentais e com grande respeito a estes, aplica-os em prol dos Madeirenses, o que se traduziu no aumento do nivel de Vida do Grande povo Madeirense! tudo porque tem uma comunicação social que zela pelo interesse publico…

    Os Continentais que receberam e recebem Oceanos de $$$$ da Europa e só os Mafiosos é que aumentam o seu nivel de Vida…tudo porque a comunicação social “contenental” apenas zela pelo interesse dos “grupos Mafiosos”…

    A inveja é feio…

  4. E agora mais esta desgraça: já vai em 7 mortos.

    [Não é para desviar do assunto do seu post Teresa, mas estou impressionada com o relato do que se está a passar na Madeira, sobretudo no Funchal]

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