Pois, não sei. Não digam é que a situação portuguesa é semelhante à da maioria dos restantes países da Europa. Curiosamente, para provar o argumento, recorrem invariavelmente à comparação com Espanha, como a tabela demonstra, não por acaso…
E a culpa é do Sócrates?
jorgeassuncao,


Que culpa??? a dos 150.000 empregos?
O caso espanhol é exemplar – dentro do mau, ali chegou-se ao péssimo. O problema, como já acentuei num ‘post’ abaixo, é que a Espanha está demasiado perto de nós para podermos ficar imunes a um efeito de contágio – desde logo por ser o nosso principal parceiro económico. Isto sim, deveria preocupar-nos seriamente. Mas nunca vejo este tema ser debatido, ao contrário de tantos outros que não deveriam merecer um segundo de discussão. Parafraseando Clara F. Alves, “”Em Portugal estamos sempre a discutir o acessório! Estamos sempre a discutir o acessório! Estamos sempre a discutir o acessório! Estamos sempre a discutir o acessório!”
Abraço
“é que a Espanha está demasiado perto de nós para podermos ficar imunes a um efeito de contágio”
Isso sem dúvida (concordo inteiramente com o ponto que fazes em post anterior sobre isso). O desemprego em Espanha, em conjunto com o significativo abrandamento da actividade económica quer na Espanha, quer na Alemanha, afecta-nos de forma a que não podemos escapar. O que tento contestar é – muito a propósito do que o PM fez na entrevista que deu ou de uma argumentação muito típica de figuras como Vital Moreira – a escolha de alguns países em situação pior que a nossa só para dar a entender que o nosso problema não é mais grave que o da maioria dos países europeus.
De resto, mesmo entre os países com desemprego elevado, as situações são distintas. Os casos mais preocupantes são os da Espanha, Portugal, Itália, Irlanda e Grécia – embora não propriamente pelos mesmos motivos. No caso português, espanhol e grego andamos anos a contrair divida face ao exterior, na expectativa que os juros, dado o euro, fossem baixos. Mas o mercado está a corrigir essa situação existindo já uma diferença significativa entre o que é cobrado à Alemanha e a qualquer outro dos países em causa. Mais, o euro, revelou-se (como muitos alertaram aquando da sua criação) uma zona monetária não óptima – a Espanha, por exemplo, sem recurso à política monetária e com a política fiscal (por vários motivos, entre os quais o endividamento excessivo que aponto acima) limitada, está sem opções para combater a crise (que não seja a diminuição dos salários para se tornar competitiva face ao exterior – como imaginas, bem a propósito do caso português, uma solução de aplicação quase impossível, pois do ponto de vista popular é inaceitável).
Isto não vai ser fácil, mas se escolhermos a via do TGV e do aeroporto ainda menos fácil será (é tentar atenuar isto sem resolver qualquer um dos nossos problemas estruturais – bem pelo contrário, muito provavelmente irá pôr-nos em situação ainda mais desfavorável). No outro dia no jornal do jornalismo travestido, Medina Carreira pedia que alguém perguntasse ao PM qual a causa do nosso problema. Eu tenho a mesma interrogação.
É evidente: as super-obras abrirão caminho a um enterro lastimável. Mas, se perguntarmos ao dito cujo qual é a causa do nosso problema, a resposta vai ser a do costume: é a nossa excessiva dependência energética e, quanto a isso, estamos no melhor caminho. O que traduzido, deve querer dizer que podemos já ir gastando por conta de uma eventualmente menor dependência…
“eventualmente”
Eu gosto como o João sintetiza tão bem a coisa. Mais, para além dos proveitos incertos, tem custos garantidos no curto-prazo (e confesso desde já que sou contra a estratégia). Embora nesse aspecto, verdade seja dita, é das poucas coisas onde o governo aparenta estar mais preocupado com o longo-prazo do que com o momento actual (por outro lado, algumas ‘apostas’ em energias alternativas serviram tão só para garantir espaço nos noticiários).
E esse, sendo um factor explicativo, não é certamente ‘o’ nosso problema…
Claro que não é, Jorge. A energia alternativa em que mais se tem apostado é ainda incipiente e cara, muito cara. Dizem alguns entendidos que, ainda por cima, a eólica é a pior de todas, porque as ventoinhas-.gigantes vão ser o lixo dos montes daqui a uns 50 anos. Dizem eles que a energia ideal para nós seria a obtida do mar (além da solar, que nunca compensará verdadeiramente).
“Claro que não é, Jorge.”
Eu não quis ser tão taxativo, mas concordo. 🙂
Talvez a eólica seja a pior de todas, mas não em Portugal, certamente. Lembra-te que ele é um gajo «cheio de vento»…
Evacuado?…
Quanto à energia do mar (ondas), aconselho uma espreitadela neste post http://matosinhosonline.blogspot.com/200 9/04/ondas-ha-mas-energia-parece-que-nao-v ai.html
Abraço
Jorge, sugiro desde já que transformes este teu comentário em ‘post’, pois falas de coisas demasiado importantes para ficarem apenas nesta cx de comentário. Em relação aos países que enumeras, eu acrescentaria também a Islândia. De resto, estamos de acordo.
Fica prometido um post sobre o assunto, Pedro (não necessariamente o comentário em causa, mas assim que tiver tempo para ordenar melhor as ideias, farei um post sobre o tema). Na questão da Islândia tens razão, embora seja curioso constatar que o FMI já prevê diminuição do desemprego na ilha em 2010 (bem como uma taxa de crescimento económico mais favorável que a portuguesa no mesmo ano). Nestas coisas fica sempre a ideia que o que sucedeu por lá foi o fim do mundo, mas a situação por lá não é pior do que a por cá. Claro que é muito mais revoltante e significativo estar a ganhar 200 e passar a ganhar 120 do que estar a ganhar 100 e passar a ganhar 90, mas ganhar 120 continua a ser melhor do que ganhar 90.
I Parte
A escalada é assustadora
perante uma política irrealista,
a crise é reveladora
da ineficácia socialista.
Com o desemprego a aumentar
reflexo da recessão,
a economia está a rebentar,
assim como, esta (des)governação!
O mexilhão realista
e com dificuldades no trabalho,
considera populista
este socialismo de cibalho!
II Parte
A marca da desgovernação
é terrível e escandalosa,
a teoria da negação
é de natureza ardilosa.
Esta catástrofe social
tem uma marca bem vincada,
este socialismo demencial
é feito de política tresloucada!
O mexilhão trabalhador
e perfeitamente capacitado,
não é de todo merecedor
de um (des)Governo inabilitado!
III Parte
O síndrome de endeusamento
através de obras majestáticas,
conduzirá ao desmoronamento
de ignóbeis políticas estáticas.
Mais próximo das comunidades
e de implementação mais agilizada,
responde-se às necessidades
da economia mais fragilizada.
O mexilhão carenciado
das mais básicas necessidades,
sente-se sentenciado
com sumptuosas infantilidades!
Epílogo
Sem uma visão estruturada
e sem capacidade motivadora,
esta (des)governação deteriorada
é de natureza atemorizadora!
De propaganda viciado
e dependente da alta finança,
este socialismo depreciado
já não merece confiança.
Da elevada consciência mental
acerca da actual realidade,
o mexilhão considera fundamental
mudar a nossa mentalidade!