«É a circunstância que gera uma parte daquilo que é o problema com o qual nos temos confrontado»


Pedro Correia,

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«Nos tempos mais recentes uma das coisas que tem falhado é a capacidade institucional de ter uma articulação estável e articulada e integrada que permita que de facto a rede funcionando como um conjunto, funcionando como um todo, seja utilizada, conhecida, programada e sem alguns desequilíbrios nessa resposta. Portanto, dai que a primeira resposta seja de facto a criação de uma comissão de acompanhamento da resposta em emergência de ginecologia e obstetrícia e bloco de partos que integra cinco coordenadores regionais e um coordenador nacional e que replica de alguma forma o modelo que já utilizámos quando foi necessário maximizar a coordenação nacional por exemplo na resposta às necessidades de medicina intensiva. Portanto esta comissão irá funcionar num modelo semelhante, sendo que o trabalho desta comissão é muito vocacionado para aquilo que é o curto prazo e quando estou a dizer curto prazo estou a falar dos meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro. Então o que irá fazer esta comissão? Designadamente identificar os recursos disponíveis por hospital e região mas também aprovar um modelo de articulação e gestão integrada dos hospitais de cada região apoiando as administrações regionais de saúde nesse trabalho, centralizando, analisando, apoiando a elaboração dos planos de contingência de cada hospital. (…) Por outro lado esta equipa terá também a missão de por exemplo propor ou discutir com as administrações regionais de saúde a necessidade de celebração de acordos com outros sectores – o sector privado, o sector social – como aliás já fizemos no passado também noutras situações de necessidade e como sabem também as nossas reuniões desta semana envolveram o sector privado e social e houve disponibilidade de, dentro das limitações que também o sector privado tem para esta resposta, nos apoiarem. Por outro lado será também uma tarefa muito importante desta equipa, desta comissão, o acompanhamento dos indicadores de saúde materna, daqueles que se podem acompanhar no curto prazo, ir monitorizando para efeitos de acompanhamento daquilo que é a qualidade. Entre outros aspectos, naturalmente estou a sublinhar os mais importantes. Este é um aspecto, outro aspecto também no curto prazo prende-se com uma circunstância que todos temos percebido que é também a circunstância que gera uma parte daquilo que é o problema com o qual nos temos confrontado, que é a necessidade de rever questões associadas à remuneração médica em serviço de urgência.»

 

O enorme parágrafo anterior transcreve parte do que disse a ministra da Saúde na semana passada, só para anunciar isto: face ao caos nas urgências hospitalares, o Governo decidiu criar uma comissão. Recurso habitual para iludir o problema: consta dos manuais do ramo.

Conversa mole, discurso redondo, gastando quatro ou cinco vezes mais palavras do que o necessário. Para marcar a agenda mediática. Muita forma, nenhum conteúdo.

Com este palavreado, de que aqui ficam apenas breves excertos, Marta Temido abriu os telediários dessa quarta-feira. Conseguiu 4 minutos e 36 segundos de tempo de antena no Jornal da Noite da SIC, 5 minutos e 53 segundos no Jornal das 8 da TVI e 6 minutos e 46 segundos no Telejornal da RTP.

Missão coroada de sucesso. Os problemas da saúde podem esperar.

 

Texto publicado no semanário Novo.

24 comentários em “«É a circunstância que gera uma parte daquilo que é o problema com o qual nos temos confrontado»”

  1. Já dizia a minha mãe :
    Quem muito fala, pouco acerta.
    Entretanto aí está a primeira grande medida que vai salvar o SNS:
    Os médicos podem passar receitas à mão.
    Não tarda estão autorizados a fazer sangrias

  2. Na mouche. Já no dia em que o PM foi ao parlamento a Rtp passou das intervenções da oposição: Psd 10 segundos / Ventura 3 segundos e os restantes partidos mais oumenos 5 a 10 segundos . O que dá uma ou duas frases completas. No caso do Ventura nem isso. A censura está bem viva e veio para ficar.

    1. Do Ventura? Mas eu ouço-o todos os dias nas televisões. Fico até com a ideia de que não existe mais ninguém lá no partido.
      Já no PSD nem isso: parece ter fechado para balanço, não têm ninguém para mostrar.

  3. O termo técnico creio que é “lero-lero” e parece que até já há um programa informático para produzir, automaticamente, longos discursos inteiramente isentos de substância (mais uma actividade tipicamente nacional a ser ameaçada pela globalização desenfreada).

    1. Cruzamento de retórica digna de bacharel coimbrão (como se diria no tempo do Eça) com o típico empastelamento vocal de Costa a fingir que diz imenso com torrentes de palavras inúteis.
      A ministra tem a lição bem assimilada, como se comprova neste exaustivo trecho – que está longe de ser a reprodução integral de tudo quanto disse naquela abertura de todos os telediários.

  4. Essa ministra já devia ter ido com os porcos. Mas os homens deste país adoram uma loira com ar de santinha que lhes trate da saúde.

    1. «Ir com os porcos» é expressão de taberna rasca. Imprópria de pessoa civilizada, própria de alguém que se oculta no anonimato.
      As redes ditas sociais estão infestadas disto.

      1. Sendo a taberna um ex líbris da cultura fadista é com manifesto desagrado que leio o seu preconceito contra as tabernas. Ficou ofendido problema seu. Pelo menos digo o que penso sem rodeios, farto de paroquianos bacocos.

          1. Quem ofendeu as tabernas e o fado foi vossa excelência. Se o excelentíssimo fosse um cristão a sério saberia que esta expressão esta relacionada com o Evangelho, segundo Mateus, capítulo 8, versículo 29 e seguintes.

  5. ou seja , do palavreado a metro da senhora deduz-se que até aqui o sns trabalhava ao calhas , sem qualquer tipo de organização , sem saberem de que recursos dispõem e bla bla…bonito.

  6. Com o Portugal nas compotas e com a Graça Freitas no bacalhau à Brás, o que a ministra devia fazer não era uma comissão era uma confraria. Talvez a malta digerisse melhor a coisa.

  7. Ela podia ter poupado minutos de antena e gigabytes de internet simplificando todo aquele palavreado rococó numa singela frase: “Desculpem lá mas ando completamente aos papéis”.

    Mas não sejamos mauzinhos. A senhora tomou posse como ministra há um punhado de meses e ainda não teve tempo para perceber o que a antecessora lhe deixou como herança. Além do mais, nem a sua formação académica nem a sua experiência profissional são na área da saúde, por isso vai demorar até “tomar o pulso” do sector.

    1. Ainda está na fase de reflectir sobre a questões postas em cima da mesa em busca do novo paradigma de avanços significativos para a vida individual e colectiva elevando o patamar dos conhecimentos gerados e utilizados na sociedade e oferecendo o estímulo para constante adaptação à mudança de modo a possibilitar a salvaguarda da diversidade e propiciar dinamismo social sempre com escrupuloso respeito pelo meio ambiente e no combate às alterações climáticas nos organismos sanitários sem esquecer a obtenção da eficiência nos processos de desregulamentação e descentralização dos processos de decisão tendo em vista uma interacção complexa em que tanto os factores sociais pré-existentes como a criatividade e o espírito empreendedor possam coexistir em perfeita harmonia.

      E mais não digo porque já me perdi neste emaranhado de palavras.

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