DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José Navarro de Andrade: «Este senhor vai ser decisivo na Cimeira Europeia, certo? Foi para isso que se fez e aprovou o Tratado de Lisboa, certo? E o Tratado de Lisboa foi um grande passo em frente na construção europeia, certo? E a partir dele as instituições europeias, magnificamente legitimadas, funcionam muito melhor e com enorme eficácia… certo? Ou então – hipótese macabra – o seu total desaparecimento de cena e a nulidade do seu cargo comprovam o descalabro institucional da UE.»

 

Rui Rocha: «De facto, já ninguém suportava os comentadores de futebol, as reportagens dos bastidores de selecção, as conferências de imprensa dignas da descendência, por linha directa, de Monsieur de La Palisse e as notas biográficas sobre a adolescência dos jogadores nascidos na freguesia vilacondense das Caxinas. Menos mal que agora, com a eliminação do Euro 2012, podemos voltar a nossa atenção para notáveis momentos televisivos como as Manhãs da Júlia, o Prós & Contras, os debates entre o Alfredo Barroso e o Ângelo Correia ou as análises políticas do Pacheco Pereira, do António Costa e do painel residente do Eixo do Mal.»

 

Eu: «Ouço, a todo o momento, jornalistas e comentadores referirem-se a Angela Merkel chamando-lhe “senhora Merkel”. Como se fosse a Dona Rosa do lugar da hortaliça. Isto podia obedecer a um critério, mas não obedece. Os mesmos jornalistas e os mesmos comentadores não aludem a Barack Obama chamando-lhe “senhor Obama”. Nem a Vladimir Putin chamando-lhe “senhor Putin”. Nem a Durão Barroso chamando-lhe “senhor Barroso”. Nem ao Presidente venezuelano chamando-lhe “senhor Chávez”. Nem ao Chefe do Estado angolano chamando-lhe “senhor Santos”. Existe um preconceito óbvio nesta forma de tratamento jornalístico da chanceler germânica. Não certamente por ser alemã, mas por ser mulher.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. Não certamente por ser alemã, mas por ser mulher.

    Claro.

    No desporto também se designa as modalidades femininas como sendo de “senhoras”. Enquanto que as masculinas não são de “senhores”, mas sim de “homens”.

    E nas casas de banho também é assim. Há as de “homens” e as de “senhoras”.

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