Dupla moral


Teresa Ribeiro,

Oiço com frequência o argumento de que não adianta taxar os ricos porque no seu conjunto constituem uma percentagem pouco significativa da população, logo o que se ganharia com a colecta seria irrisório. Pergunto-me por que essa mesma lógica matemática não se pode aplicar às pessoas com deficiência.

É degradante assistir a este espectáculo e mais degradante ainda ouvir o que estes manifestantes têm para dizer em relação à dupla moral do PSD/CDS: enquanto oposição fizeram dos direitos destes cidadãos uma bandeira, agora viram-lhes as costas.

8 comentários em “Dupla moral”

  1. O argumento da percentagem pequena da população também colide com notícias como a de hoje, antecipando as medidas de austeridade a anunciar, em que um aumento de 0,25% no imposto sobre transacções (creio que era isto) financeiras geraria mil milhões de euros.

    Não interessa se são poucos mas sim quanto têm. O problema é a desigualdade.

    1. Invoquei este argumento só para chamar a atenção para a disparidade de critérios que se observa em muitas situações. Concordo com a “taxação dos ricos” dentro de determinados parâmetros – pois não nos interessa provocar fuga de capitais – independentemente do seu impacto nas contas públicas. Defendo-o por uma questão de ética.

      1. Aí está um argumento que me faz confusão. As pessoas que têm dinheiro não o estão a usar para nada que valha a pena: Não investem.
        Assim, o capital, neste momento, está apenas a servir de alavanca para extrair mais a quem produz. Será assim tão mau que se vão embora?

        1. Resumindo para si l.rodrigues – não que eu esteja admirado devido à sua ideologia de esquerda – os outros, pessoas são vacas para mugir. E se não se pode mugir deita-se fora.

          Quanto à questão da autora, ela que também parece partilhar das mesmas ideias, que as pessoas só merecem viver no seu país se pagarem o que a moral dos outros como vocês disser que devem.
          Isto acontece como consequência do socialismo que defendem, que leva obviamente à corrupção de um povo onde a grande maioria e não uma pequena minoria vive do Estado . Quem tem mais poder a manobrar no Estado Socialista é quem recebe mais. O deficientes minoria claro que estão no fim da escala porque o Estado Socialista está desenhado para alimentar a maioria. Com que vocês concordam.

          1. “os outros, pessoas são vacas para mugir. E se não se pode mugir deita-se fora.”

            Eu não definiria melhor a política do actual governo. E o capitalismo em geral.

            Só que você fica todo eriçadinho por eu tratar assim meia dúzia de privilegiados que nem fazem o que se espera deles na ficção capitalista “investir/criar emprego”.

          2. “Eu não definiria melhor a política do actual governo.”

            Precisamente.
            A política do actual Governo é ser ainda mais socialista que os anteriores excepto os das nacionalizações, coisa que você certamente concorda.

            Os 38 anos a subir constantemente a Dívida (15% do PIB em 74 , mais de 120% hoje) acabaram porque o cartão de crédito arrebentou a escala.

            A compra de votos “grátis” acabou, agora qualquer “oferta” política aos portugueses tem custos directos a serem pagos pelos portugueses em curto prazo.

            Já não se pode exportar para 38 anos depois.

            A partir de agora cada acção tem uma reacção quase sem tempo diferido.
            Os Portugueses querem um estado gigante? então têm impostos gigantes. Já não existe crédito para amortecer.

          3. Sem ser um especialista em politologia, eu diria que está equivocado. O que define o grau de “socialismo” de um estado não é tanto o grau de tributação, mas o nível e a qualidade da redistribuição. Portugal sempre foi muito pouco “socialista” nesse sentido.

            A redistribuição “socialista” feitana Saúde e na Educação, por exemplo, nunca foi tal que compensasse a redistribuição feita aos companheiros de partido, ao empreiteiro financiador do partido, ao banqueiro que promete tacho para a vida, ao especulador de terrenos, etc etc.

            Quanto às privatizações deixe lá… já temos suficiente para discordar assim como está.

  2. «O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social garante que não recebeu nenhum pedido de reunião por parte do Movimento (d)Eficientes Indignados, que estão desde terça-feira em protesto frente à Assembleia da República, onde 15 passaram a noite. Mas adianta que uma reunião esta manhã com a Associação Portuguesa de Deficientes permitiu aprovar um aumento de 2,5 milhões de euros para ajudas técnicas.

    Jornal PÚBLICO de hoje
    http://www.publico.pt/Sociedade/governo-aprova-aumento-de-verbas-para-deficientes-1565674

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