Numa altura em que o actual presidente e um ex-presidente comentaram a situação da Grécia recorda-se, sem qualquer intenção de concordância ou discordância, o que dizia Eça de Queiroz em 1872:
“Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão.
Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa –citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.”
Eça de Queiroz, in ‘Farpas (1872)

Muito oportuno, Ana.
Também eu me continuo a deliciar de cada vez que as releio.
Antigo, mas bem actual…
Só faltou a Eça acrescentar a Itália e a Espanha, e estava composto o 4º regime de Estados-Providência, o regime falhado da Europa do Sul de Ferrara.
Faltam os outros do sul como a belgica, a irlanda, o reino unido e os states….
Vai ser racista pro …..
Não consegui publicar só a primeira frase, Mike.
Mike, dar-lhe troco brejeiro a esta altura do campeonato seria o mesmo que dar pérolas a porcos e isso, meu caro amigo, não é a minha função neste mundo.
Recomendo-lhe portanto a leitura de um texto do Prof. Maurizio Ferrera da Universidade de Pádua intitulado “Modelo Meridional de Bem-Estar na Europa” para se inteirar daquilo que realmente quis enunciar no meu comentário. Obviamente, que como matriz base do pensamento do Prof. Ferrera terá que ler a obra de Esping-Anderson, no que toca pelo menos aos 3 regimes de Estado-Providência que o mesmo cataloga e caracteriza.
Isto é, se quiser ler. Se não quiser, pode continuar na ignorância.
Eça de Queiroz é sempre uma boa ideia, para casos destes. Quando leio as críticas que ele fazia à Assembleia (que ainda não era da República) e aos seus deputados, até me assusto…
Passaram mais de cem anos e é inacreditável. Não é só a questão da actualidade, que se deve muito mais ao olho de lince do caçador do que à abundância da caça 😉 O mais espantoso é a frescura da escrita. Tb nunca me canso do Eça.