Duas entrevistas


fiodeprumo,
 

  

Ontem assisti a duas entrevistas. Uma ao Prof. Sobrinho Simões que falou de assuntos vários todos eles ligados por esse tema maior que é a educação. A outra ao Procurador Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, sobre os temas da Justiça. Ambas tiveram interesse.

Para mim, a primeira, como sempre, confesso, encantou-me. Porque – e cada vez mais corroboro esta minha opinião -, o Professor continua a ser uma das mentes mais lúcidas que o nosso país tem. Lúcido e sem medo de usar as palavras, seja na crítica, seja no elogio. No fundo, é alguém que já não necessita de provar nada a quem quer que seja. A sua carreira fala por si. Mas é a dimensão do homem que está por detrás dela que importa conhecer.

Na segunda, Pinto Monteiro quis mostrar o que de novo tinha acontecido na sua área, nos seis anos em que exerceu as funções de Procurador Geral, e falar das dificuldades que teve de enfrentar, num Ministério Público que lhe era parcialmente adverso.

Para quem esteja longe destes assuntos, a mesa redonda que se seguiu a esta entrevista foi de enorme utilidade, porque permitiu desmontar o que não era inteiramente verdade e já estava esquecido e salientar o que merecia ser apreciado.

Uma frase houve, nesta última conversa, na qual não acredito de todo. É quando ele afirma que “em 23 anos de carreira e em particular nos últimos seis, jamais tinha sido submetido a pressões políticas“.

Não pode ser verdade. Até eu, que não sou rigorosamente ninguém, já as tive…

11 comentários em “Duas entrevistas”

  1. ..” Submetido a pressões politicas..”

    Foi o grande filosofo Sócrates que afirmou:
    -Politicamente falando… uma descompressão vale mais que uma pressão..”

  2. «Até eu, que não sou rigorosamente ninguém, já as tive…» Uhmmm sugeriram-lhe que desse alguma das suas crianças para adopção?

    1. Caro Artur Silva,
      Crianças?! Simpatia da sua parte.
      Para adopção? Jamais. Gosto muito dos meus infantes – pese embora tudo o que tenham de bom seja herança paterna -, mas nunca me desfaria deles.
      Pressões? Sem duvida. Já fui excluída de lugares para os quais tinha competência por ser mãe deles e já me fizeram pedidos para qualquer deles.
      A todos respondi e respondo o mesmo. Se não gosto que eles estejam na política não lhes pedirei nada que tenha que ver com a mesma…
      Aliás, tenho grande orgulho em que, ao longo dos anos, tenhamos sabido todos separar sempre a vida profissional da familiar!

      1. Era uma mera e inocente graça, se essas coisas ainda existem e se permitem.
        De resto, creio que quando escreveu se referia a pressões sobre decisões profissionais que dependiam de si.
        Só uma nota: é sempre difícil manter a harmonia doméstica e não lhe quer tirar créditos, mas não é a política que mais separa a família. Nisso, felizmente, as culpas continuam a pertencer às partilhas.

        1. Ó Artur eu também lhe respondi em tom de graça. Mas às vezes tenho uns laivos de cansaço por causa das ditas crianças. Uns acham que eu pendo mais para a direita do que para a esquerda e portanto situam-me perto do mais novo.
          Pelo seu lado, o mais velho diz que eu sou a mulher de direita mais à esquerda que ele conhece.
          Sabem lá eles o que eu sou! Se soubessem ficavam ambos surpreendidos. Às vezes até eu me surpreendo comigo…
          O que eu sei mesmo é que era incapaz de me filiar num partido, porque detesto espartilhos, sejam eles físicos ou mentais.Gosto muito de pensar pela minha cabecinha, que até não funciona mal de todo. :-))
          Porém, na altura das eleições, são ambos uns amores comigo: sempre é mais um votozinho a conquistar…
          Quanto às partilhas, tem toda a razão. Deve-se tratar disso em vida e fazer um testamento dizendo como se quer que as coisas sejam feitas. E quem não gostar, paciência!

  3. Estas duas entrevistas não têm simplesmente termo de comparação. Entre a riqueza e pobreza de conteúdo vai uma grande diferença. Enfim. Aqui, é que posso aplicar o termo “piegas” (segundo entrevistado, está claro.)

    Cristina Silva

    1. Eu não as comparei. Apenas referi que tinha assistida às duas e que do meu ponto de vista tinha valido a pena faze-lo.
      Elas vieram uma atrás da outra, no canal onde esta sintonizada e fui clara ao dizer que, na de Pinto Monteiro, o mais importante foi o debate que se lhe seguiu.
      E mesmo que na última se tenha revelado o lado piegas, como refere, não acha que valeu a pena ter consciência disso? Eu acho, porque confirmei uma série de aspectos de um PGR que não se demite nem é demitido!

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