Depois da Líbia, onde foram os primeiros, os últimos e os mais ardentes defensores da ditadura de Kadhafi, os comunistas portugueses acorrem agora em defesa da ditadura de Assad na Síria. Contra as mais gritantes evidências, contra todos os sinais de alerta de organizações respeitadas e prestigiadas como a Amnistia Internacional e o Observatório de Direitos Humanos, contra as imagens chocantes que nos têm chegado de Homs, a cidade-mártir, e de outros pontos da Síria, o PCP mantém-se fiel à sua prática internacionalista muito peculiar de se solidarizar não com os povos oprimidos mas com os regimes que oprimem esses povos. Em sintonia com a China e a Rússia, como nos saudosos tempos da Guerra Fria, como se ainda houvesse Muro de Berlim e Pacto de Varsóvia, o órgão central do PCP tem-se distinguido pelo ardor na defesa de Bachar al-Assad, tal como já defendera o pai deste, Hafez Assad: os comunistas adoram a monarquia hereditária se esta for “republicana” e “socialista”.
«Síria desmonta campanha imperialista.» Foi este o título estampado na primeira página do Avante! para destacar uma “notícia” centrada na versão dos acontecimentos fornecida pelo ministério do Interior sírio. Nada mais chocante, nada mais manipulador, nada mais indiferente ao sofrimento de um povo. Imaginem, no Portugal dos últimos anos de Salazar, um jornal estrangeiro a noticiar o que aqui se passava dando voz ao ministro Gonçalves Rapazote, que tutelava a PIDE…
Também na última edição, o jornal comunista congratula-se com o veto russo e chinês à condenação da ditadura síria no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Transferindo para as vítimas o ónus da culpa pelo banho de sangue perpetrado pelo regime de Damasco, à margem de toda a legalidade internacional, numa escala de repressão sem precedentes no país. Como se o PCP não soubesse que há mais de dez meses a polícia e o exército, actuando como esbirros de Assad, vêm procedendo sistematicamente ao massacre da população civil. No total terão já morrido cerca de sete mil sírios. Apenas porque reclamam liberdade e o respeito pelos mais elementares direitos humanos.
Leio estas “notícias” no Avante! e vem-me inevitavelmente à memória aquele mote totalitário inspirado no 1984 de Orwell: «A mentira é a verdade». Lembrem-se das atrocidades cometidas contra os civis de Homs e Damasco — ou os de Misrata e Bengazi — cada vez que ouvirem o PCP, de lágrima compungida, falar em populações que sofrem.
Imagem: saudações fascistas em louvor do ditador sírio,
de que o ‘Avante!’ tanto gosta


Caro Pedro, estranho o facto de nao ter comentado a notícia realmente importante sobre a Síria, que ontem saiu.
7,000 mortos “Apenas porque reclamam liberdade e o respeito pelos mais elementares direitos humanos”… De facto a mentira é a verdade quando as posiçoes estao tomadas à partida, seja pelos PCPs anti-imperialistas, seja por quem for.
Será que há espaço na cabeça de algum ilustre comentador para uma visao um pouco mais colorida do que se está a passar na Síria? Que mais nao seja em respeito às verdadeiras vítimas do conflicto, os inocentes que vao morrendo completamente alheios à política de esgoto.
Caro Felipe, li e reli o seu comentário e confesso que não descortino o que tem a objectar ao que escrevi.
Os meus cumprimentos.
Caro Pedro,
É na seguinte frase que reside a minha objecçao: “Apenas porque reclamam liberdade e o respeito pelos mais elementares direitos humanos”.
Esta é a mentira que tem sido passada. Se assim nao fosse, juntava-me eu tambem, imediatamente, ao coro da indignaçao. Infelizmente nao é este o espelho da realidade, e o que está na base dos protestos é a procura da supremacia, nao a procura da democracia. E convém notar tambem que os protestos nao sao pacíficos, pelo contrário, e a violência vem das várias partes.
As mortes, os massacres, e as torturas, lamento-as vezes mil, sobretudo àqueles que realmente querem a paz e que se vêem entalados entre um conflicto que nao é (que nao era) o deles, mas estou convencido que o caminho para a nova Síria tem de fazer-se pelo actual regime, e as mudanças que tem proposto.
Daí ter mencionado tambem a notícia do dia: o anuncio da nova constituicao que irá a referendo no próximo dia 26, e que provavelmente será a forma ideal de transiçao do actual regime.
É um problema quando se coloca este conflicto na esfera da “guerra anti-imperialista”, de um lado, e do outro, no “cavalo de batalha dos comunistas”. Assim corre-se o risco de generalizar a questao e saltar detalhes fundamentais ao entendimento do que se está a passar.
Agradeço e retribuo os cumprimentos.
Eu sou um crédulo, caro Felipe. Tendo sempre a acreditar que todas as ditaduras são más e que todos aqueles que combatem as ditaduras são democratas.
Ideias simples, reconheço. Mas profundamente enraizadas no meu espírito.
Não há nada mais desprezível do que esta cegueira ideológica.
Diz o roto ao nú?
Cegos, surdos e mudos perante a mais elementar realidade.
Olha mais um defensor de fundamentalistas islâmicos e dos regimes ditatoriais da Arábia Saudita e Katar, coligadas com a trampa reaccionária da europa e EUA.
Criminosos é que essa gente é, e defensor de criminosos é o que este post representa!
Eis a confirmação viva do que escrevi: a mentira é a verdade. Há ditadura em todo o lado menos na Síria, que deve ser um exemplo de radiosa democracia para este A. Silva. O facto de uma só família oprimir há mais de 40 anos todo um povo -neste caso a família Assad, tal como sucede com a família Castro em Cuba desde 1959 e com a família Kim desde 1948 na Coreia – é motivo de congratulação para estes “internacionalistas” da treta, que se solidarizam não com os povos oprimidos mas com os regimes opressores.
Para quem estiver interessado em saber um pouco da verdade sobre a Siria e não só as criminosas mentiras propagadas pelos meios de “comunicação” do costume: http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/20 12/02/allo_damasco_1.html#comments
Criminoso é o regime de Damasco. Lamento desiludi-lo, mas este regime terá em breve o mesmo destino que tiveram os regimes de Ben Ali, Mubarak e Kadhafi. Você e outros membros do seu partido dividem os ditadores: há os bons (a que chamam “democratas” e até “socialistas”) e os maus.
Para mim são todos maus.
E esta é uma diferença fundamental entre nós.
Pedro Correia está confiante que o dinheiro gasto pelas familias Saudita e do Qatar, para arregimentar fundamentalistas islâmicos em tudo o que é mundo arabe, mais as armas e o apoio logistico fornecido pela NATO/Turkia/EUA, são suficientes para derrubar o governo Sirio.
Também não tenho grandes duvidas acerca da actual força dos criminosos, há alturas em que a barbárie vence a razão!
Mas como dizia Lincoln: “Pode-se enganar todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo.”
Ó Pedro Correia explique lá ai como é que regimes criminosos e “democratas”como o da Arábia Saudita e do Qatar podem estar tão interessados em apoiar os bons fundamentalista islâmicos sirios?
Raciocínio simétrico ao de Salazar em 1961 em Angola e Goa: a culpa de tudo é dos americanos. Nada de novo debaixo do sol.
À falta de argumentos, Pedro Correia delira.
Vamos, explique mas é lá, como os regimes mais despóticos do mundo arabe podem estar tão interessados numa “democracia” na Siria?
Querem reeditar as situações do afganistão, iraque e libia, onde as autocracias existentes foram substituidas por regimes despóticos e fundamentalistas, ainda mais criminosos e asquerosos.
Explique lá isso e deixe-se de tretas sobre suposta inimizades entre Salazar e os EUA.
Espantoso. Nem uma palavra sobre as vítimas da ditadura síria. Já teve várias oportunidades de a exprimir e não consegue: é superior às suas forças. Quando o ditador é “amigo”, você e os seus olham para ele e vêem um democrata.
Falta pouco para o proporem para o Nobel da Paz.
Pedro Correia continua a fugir à pergunta que lhe fiz atrás. Agora vem hipocritamente queixar-se da falta de uma palavra sobre as vitimas, quando ele não é capaz de ter uma leve palavra de condenação dos criminosos.
O que se passa na Siria é a repetição das mesmas mentiras usadas para o Iraque e a Libia, as mesmas mentiras com que Pedro Correia tenta enganar o pessoal.
Sem argumentos, só lhe resta a repetição das mesmas mentiras ad nauseum.
O que se passa na Síria, com estes massacres, é a repetição dos massacres anteriores, ocorridos durante o mandato do falecido ditador Hafez Assad, pai do ditador actual (muito gostam as ditaduras “socialistas” de imitar as monarquias, fazendo transmitir o poder supremo de pais para filhos!).
O massacre de Hama, em 1982, terá provocado 20 mil mortos, segundo o testemunho insuspeito do jornalista Robert Fisk. Deixo-lhe a ligação para não alegar ignorância na matéria:
en.wikipedia.org/wiki/Hama_massacre
É curioso que estes crimes da ditadura síria não lhe mereçam sequer uma palavrinha de repúdio.
Decididamente a mentira é o vosso forte.
Essa história é tão falsa como ridícula, segundo os aldrabões que a propagam Hafez el-Assad mandou matar os 20 mil habitantes de Hama e terraplena-los a seguir, só que os aldrabões se esqueceram de um “pequeno” pormenor, Hama é a 4ª cidade da Síria e tem 600 000 habitantes.
Pedro Correia, arranje mentiras novas, que essa já deu o que tinha a dar.
Todos. Direita ou esquerda. Já havia concordado consigo sobre isto antes, Pedro. (Tudo o resto é treta e pensamento (des)organizado.)
Pois, AE.
Continuo a não entender estes textos sobre o PCP. O PCP sempre foi assim, é bem pior porque ao pé de Estaline e dos crimes dos partidos comunistas – na Síria é uma variante nacional-socialista do Baath – Hafez Al Assad e o filho foram e são aprendizes. Na Síria pode-se ter um negócio, é uma ditadura ao nível de Salazar embora com um grau de violência muito maior.
Na União Soviética tinha de se pertencer ao colectivo.
Você ‘não entende’ estes textos sobre o PCP mas lá vai dando a sua achega. Se entendesse ainda era capaz de entupir estas caixas de comentários.