Dos que sofrem com pouco / Dos que se alegram com muito


realmagic,

Das muitas manias que existem há uma que é comum a muitas pessoas, nomeadamente a mania de preencher o tempo com muitas actividades. O excesso de actividades pode ser um problema na vida destas pessoas e, por ser uma mania com queda para a obsessão, acaba por se tornar numa patologia do foro psicológico, que mais cedo ou mais tarde pode ter consequências nefastas para os que dela sofrem.

A mania surge por força de vários factores, sendo um deles a hiperactividade e outro a sede de conhecimento. As pessoas ávidas de conhecimento são tidas como perigosas, porque movem o mundo na busca de algo que preencha o vazio que sentem, querendo sempre aprender mais e sobre vários temas.

Um dos problemas de se fazer muitas coisas em simultâneo é que não nos dedicamos a nada em particular. O tempo parece nunca ser suficiente para tudo o que tem de se fazer e o descanso acaba por ser relativo, uma vez que não se pode dormir muito para não roubar tempo útil.

Fazer apenas uma coisa o tempo todo poderia tornar-se monótono e desinteressante. Fazer uma coisa de cada vez seria eficiente. Porém, o desafio reside no que torna a tarefa difícil e isso só acontece porque esta não é o único foco de atenção. Eu defendo que as pessoas que fazem muitas coisas ao mesmo tempo aprendem a priorizar, a relativizar, e regozijam quando efectivamente conseguem terminar algo a que se propuseram. Acredito plenamente que a busca pela felicidade varia de pessoa para pessoa e que algumas serão felizes com as banalidade que encontram em cada dia, com uma vida pacata, serena, com um ou outro pico de entusiasmo. No entanto, há aquelas que não se contentam com o trivial e que só se realizam no emaranhado de ideias que as atormentam, para que nunca deixem de ter a ambição de ser e fazer cada vez mais.

0 comentários em “Dos que sofrem com pouco / Dos que se alegram com muito”

  1. Joaninha,

    esta sua reflexão fez-me pesquisar os mapas do conhecimento e buscar uma referência que a muitos de nós pode ajudar.
    Dizia Scott Peck, um psiquiatra também escritor: “A Vida é Difícil”.

    E acrescenta: “Tanto a verdade como a realidade são evitadas quando dolorosas.
    Só podemos rever nossos mapas quando possuímos a disciplina para ultrapassar essa dor. Para ter essa disciplina, devemos ser totalmente dedicados à verdade. Isso quer dizer que devemos sempre considerar a verdade, na medida em que a podemos determinar, mais importante, mais vital para o nosso interesse pessoal, do que o nosso conforto.
    Inversamente, devemos sempre considerar o nosso desconforto pessoal relativamente sem importância e até encará-lo positivamente ao serviço da busca da verdade.
    A SAÚDE MENTAL É UM PROCESSO PERMANENTE DE DEDICAÇÃO À REALIDADE A TODO O CUSTO”.

    Um outro Mentor, Jesus, afirmou: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará” João 8,32

    Estamos perante uma e a mesma dimensão da Verdade, aquela que Liberta. Mas esta não fica só pela Liberdade, impele a agir.

    Já agora, Joaninha, não nos falte qualquer coisita sobre a verdade. Se tiver que acontecer, pois que seja agora:
    https://www.youtube.com/watch?v=vGG60sTNnDc

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