Dos efeitos do Acordo Ortográfico (ou o que sucede quando se abre a caixa de Pandora)


escafandro,

Há portugueses a fornecer «contatos».

18 comentários em “Dos efeitos do Acordo Ortográfico (ou o que sucede quando se abre a caixa de Pandora)”

  1. Também há portugueses a querer celebrar “contractos”.
    E também há portugueses que escrevem “baca” e “varco” em vez de “vaca” e “barco”, respetivamente.
    Sempre houve portugueses que não sabem escrever corretamente a sua língua. É de prever que, com esta simplificação ortográfica, o número de erros vá diminuir. Não aumentar.

    1. Se o acordês parido por essa Aberração Ortográfica pretende seguir um critério fonético, em lugar do respeito pela etimologia (onde, por exemplo, se poderia legitimar a opção por “contracto”, sendo então não um erro mas um arcaísmo ), então, meu caro, baca ” e varco ” são absolutamente legítimos.

      Ou há limites geográficos para a tal pronúncia culta de que os partidários do aborto ortográfico se parecem arrogar? Ou a pronúncia das gentes do Norte é inculta (donde, essa gente estúpida)? E onde começa então a fronteira do “português culto” (o do AO90 , presume-se)?

      É uma caixa de Pandora , é.

      Costa

      1. O conceito de português culto é como o tudo mais do «acordo»: uma concepção caduca, com mais de 90 anos.
        Tem toda a razão quanto ao baca e demais exemplos. É legítimo e se o aocordo viesse a entrar validamente na ordem jurídica (não entrou e assistimos “apenas” a um abuso de poder) escrever baca teria de ser considerado legítimo.
        Seria interessante saber o que consta da actas das reuniões, que nunca foram conhecidas. De qualquer modo, o Casteleiro declarou (com alguma candura) sobre o acordo “É que isto não é uma questão linguística, é uma questão política, uma questão muito importante do ponto de vista da política de Língua no âmbito da Lusofonia”, http://expresso.sapo.pt/acordo-ortografico-falta-vontade-politica-para-ratificacao-malaca-casteleiro-cfoto=f254931#ixzz216Qx8Jka

        Estamos, pois, perante política externa. Do Brasil.

        1. Essa questão da “vigência” forçada, em descarada violação da hierarquia de normas e dos requisitos de vigência de um tratado internacional, que um estudante de Direito aprende bem no início do seu curso, é só mais um exemplo da descida ao abismo deste país.

          Mas quem se vai preocupar com o AO, quando vai faltando dinheiro para comer, quando o povo, que nunca foi culto e tem da língua uma noção puramente instrumental, não lê (a não ser jornais de futebol e revistas ditas “femininas”, de resumos de telenovelas e horóscopos) ou escreve? E tem uma noção básica e primitiva de “desenvolvimento” ou “progresso”? E, empobrece vertiginosamente?

          O AO nunca teria entre nós grande dificuldade em se afirmar: as questões de legalidade, desde logo, nunca ocuparam muito um povo embrutecido e para quem, fundamentalmente, os lá de Lisboa e do governo, por muito “ladrões” que sejam, por muito que andem “agarrados ao tacho”, afinal “têm estudos” – ou assim se pensava – e são afinal quem manda. Ora “manda quem pode e obedece quem deve”, como se sabe.

          Quando que se luta cada vez mais pela simples sobrevivência, quem se vai ralar com a consoante que abre a vogal que a antecede; ou o étimo (o quê?) de uma palavra.?

          Questões de cultura – verdadeira cultura e identidade nacional – quando se está de estômago vazio?

          Entre nós, nem com ele cheio…

          Costa

          1. Mas olhe que se preocupam com o acordo. E essa preocupação tem ainda mais valor, dada a situação que descreve.
            E o acordo não se está a afirmar. Está a ser usado por imposição governamental e nos jornais que precisam do favor bancário ou estão ligados à maçonaria – que em Portugal tomou a imposição do acordo nas suas mãos (já a “reforma” de 1911 foi maçónica).
            Mas não se pode ser injusto: só no Facebook há dezenas e dezenas de milhares de protestos contra o tal acordo.
            O que tem faltado é respeito democrático pela vontade popular e pelo património cultural do país.

          2. E não só. Está a ser imposto nas escolas, enfiado implacavelmente pelas mentes das crianças, numa idade em que se está especialmente receptivo aos exemplos. Maus exemplos incluídos.

            Crianças que, chegadas a casa, na sua esmagadora maioria não têm pais com hábitos de cultura ou o culto do seu idioma (por cada carta lapidar de uma mãe indignada, circulando na internet, haverá centenas de milhar de mães e pais indiferentes. Pelo menos…) e que, entre si, nos telemóveis e nesse tal facebook “, em que passam o resto do dia, sem tocar num livro, trocam a queda das consoantes mudas, que a escola lhes impõe, pela tirania dos “k”, dos “x”, dos lol “, e sei lá que mais que, consta, acham “cool “.

            Gostava de ter a sua confiança e esperança. Não tenho. Porque, meu caro, este é um povo, por muito boa gente que seja, fundamentalmente estúpido. Assim o modelaram, incansavelmente, décadas (séculos?) a fio os poderem que por cá estiveram e por cá estão.

            Tornei-me um luso céptico profundo. Bem vistas as coisas que merece este povo? Futebol.

            Haja futebol que, como se sabe, é o que verdadeiramente interessa.

            Costa

            Ps.: se o futuro me demonstrar errado, nem imagina o gosto com que admitirei esse erro.

          3. Foi imposto no ensino pela ministra alçada, mulher de Rui Vilar, «próximo» da maçonaria.
            Há gente em casa a ensinar os filhos… A língua portuguesa entrou na clandestinidade no ensino…

      1. Há um assunto que não deve ser encarado com indiferença: em democracia e num estado de direito, como pode um governo tomar decisões que envolvem aspectos dde elevada tecnicidade ignorando os pareceres técnicos que solicitara (e depois escondeu)? É o gosto pessoal? É o que? “Achismo”? São as comendas recebidas? É uma atençãozinha que se faz ao Brasil?
        E como se pode consentir algo que é um crime de aculturação de dimensões inéditas na história da humanidade?

    2. Diz o amigo Lavoura que “sempre houve portugueses que não sabem escrever corretamente a sua língua”, o que é verdade.
      Fique a saber que, para mim, a palavra correctamente, como a escreveu, é erro, uma vez que que entendo que se deve escrever “correctamente”, para que o primeiro é seja pronunciado aberto, de forma condizente com a maneira como aquela palavra é dita, em todo o lado.
      E assim sendo, ou se vai escrever mal, ou se vai pronunciar mal.
      Além disso, não sei onde foi buscar essa sua ideia de que “é de prever que, com esta simplificação ortográfica, o número de erros vá diminuir. Não aumentar.”
      A meu ver, o AO nada tem de simplificação, antes vai ser fonte de erros sem conta, tanto em Portugal como nos países que falam a nossa língua, menos no Brasil que adoptou uma variante de Português que muitos de nós não quer aceitar. Como é, pelos vistos, o caso do Lavoura.

      1. Em “Correctamente” encontramos o grafema “EC”, uma unidade incindível que não pode ser destruída.
        O Malaca, para alguém de estar preocupado com política e não com linguística não é fonólogo – nem houve nenhum a pronunciar-se.

    3. Meu Senhor,

      Como não me sei expressar em “mensagês” com Kapas e tudo, vou dar uso ao meu acoardo, em uso no Poarto e do qual até me orgulho.

      Antes do mais debo dizer que não troco os bes pelos bes. Apenas não o uso como falante.

      Nisto de acôardo e acôardos (penso que não se diz acóardos) era preciso terem algum cuidado.

      Já la vão muitos anos e um meu professor chamou a atenção para o uso da palavra estupefacto.

      Dizia que vinha do latim e era como dizer que estava feito estúpido.

      Ora, hoje fico estupefato, v.g. feito fato. Pois…

      Aliás fico preplexo e não querendo ser morcom ou caga na saquinha, por não darem uso ao alfabeto fonético, sim, aquele com que no meu tempo se ensinava a pronúncia nas línguas estrangeiras.

      Então, sim. Mais simples não haberia.

      Mas irrita-me ser espetador.

    4. “Sempre houve portugueses que não sabem escrever corretamente a sua língua. É de prever que, com esta simplificação ortográfica, o número de erros vá diminuir. Não aumentar.”

      V.Exa. adora novas oportunidades. Rejubila na simplificação do resultado/produto onde os os factores não interessam.

  2. Por onde tem andado?
    Este ano, no Diário da República, lia-se “união de fato”. Não me consta que tenha sido emendado.
    Aliás, creio que o objectivo é de que fique tudo exactamente como nos brasis. Creio até que nos oferecerão, em sinal de boa vontade os “c” e “p” que os brasileiros conservam naquilo a que chamam oficialmente “ortografia nacional”.

  3. Por acaso ainda não percebi isso, agora toda a gente escreve “contato”, é o que dá meter o conversor e deixar tudo à sorte… mostra um pouco o país que somos…

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