
Votarem envergonhadamente no parlamento regional de Barcelona, em papel dobrado numa urna, sem assumirem às claras o voto por assumido receio de enfrentarem a lei penal espanhola: eis uma forma originalíssima de declararem a “independência”. Ou de “abolirem a realidade”, como bem escreve Rafa Latorre no El Mundo.
Sabe-se lá porquê, algumas boas almas por cá insistem em comparar Portugal, país independente há quase nove séculos, com a Catalunha, que nunca foi nação soberana.
A comparação é absurda. Nós tivemos um D. Afonso Henriques. Eles têm um Puigdemont – um tipo tíbio e timorato, incapaz de dizer duas tretas sem as ler com voz de falsete embargada enquanto segura um papel nas mãos trémulas, com ar de “tirem-me daqui”.
Fosse o nosso primeiro Rei como ele e o Condado Portucalense jamais se teria tornado Portugal. A coisa ficaria logo resolvida com dois tabefes de D. Teresa ao filho e um severo ralhete da tia, D. Urraca.

depois de Tejero Molina nas cortes
temos o puig empunhando esferográfica no parlament
30 anos na pildra é a melhor reforma
Brandos costumes, como dizia o outro: Espanha anda a ficar muito parecida com Portugal.
Como escreve hoje Ignacio Camacho no ‘ABC’, «nadie en la España constitucional, en la España que ha colgado en sus balcones la enseña de su recuperado patriotismo, puede entender que los golpistas que han declarado la secesión duerman este fin de semana en sus casas en vez de en presidio. Tampoco lo va comprender la Cataluña desdeñada, la Cataluña disidente sometida a la presión hegemónica del soberanismo. La Cataluña a cuyos ciudadanos quieren despojar de su identidad española para condenarlos en su propia tierra a una especie de exilio.»
http://paralalibertad.org/cachete/
Parte, do artigo de opinião, de Ferreira do Amaral, sobre as eleições Checas, que se poderia aplicar, também, à Catalunha e aos movimentos isolacionistas:
Mais umas eleições, mais
um avanço do euro-cepticismo e também da extrema-direita (euro-cepticismo e extrema-direita são coisas diferentes, apesar de haver muita gente interessada em confundir os dois conceitos).
É espantoso como em praticamente todas as eleições e referendos que, nos últimos anos, se têm efectuado nos estados membros tem aumentado e de forma clara a contestação a esta União.
Talvez por diferentes razões, os eleitores dos estados europeus aperceberam-se que esta União não serve e que está a levar a Europa ao abismo
É que os eleitores querem ser governados pelo seu Estado, exista este já como tal ou possa vir a existir para dar corpo a uma nacionalidade já existente. Mas também sabem o que não querem: é ser governados por um burocracia europeia, longínqua dos seus interesses, apoiada em duas instituições, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu que, por interesse próprio tenham forçar a todo o custo a centralização do poder nas instituições europeias
O Pedro, viu ontem o Expresso da Meia Noite, com Jaime Nogueira Pinto? Até este especialista em Assuntos Internacionais, homem de craveira intelectual ímpar, afirmou que a diplomacia de Madrid, sobre o processo catalão , foi um desastre.
Jaime Nogueira Pinto inclusive afirmou o mesmo do que eu disse há algum tempo aqui no DO. Há anos que era difícil falar-se castelhano na Catalunha. Os catalães preferiam sempre que os estrangeiros falassem em inglês, ou português , no caso de serem turistas portugueses. O sentimento nacionalista vinha crescendo há anos.
http://rr.sapo.pt/artigo/96835/as-eleico es-checas
O nacionalismo catalão derivou para o ódio anti-Espanha, inculcado nas criancinhas logo nos livros escolares a coberto da autonomia plena dos programas lectivos: es-extranjeros-manuales-escolares-histor ia-cataluna-201710272132_noticia.html
http://www.abc.es/sociedad/abci-espanol
Há duas gerações que os jovens catalães recebem diariamente estas poções de fobia anti-espanhola.
O nacionalismo é mesmo assim: não se limita a enaltecer as virtudes próprias: alimenta-se do ódio aos outros – autêntica força motriz. Se o ódio abranda, o veículo para.
“O nacionalismo é mesmo assim: não se limita a enaltecer as virtudes próprias: alimenta-se do ódio aos outros – autêntica força motriz. Se o ódio abranda, o veículo para”
Tem razão. Mas não se limita ao nacionalismo O ódio ao Outro, a alteridade, é ontogenético. É a força motriz da máquina viva
Isso é bem verdade.
CATALUNHA
Mais de 700 autarcas pró-independência reuniram-se em Barcelona
16/9/2017, 21:18
Mais de 700 autarcas catalães reuniram-se este sábado em Barcelona, numa manifestação a favor da realização do referendo independentista, entretanto suspenso pelo Tribunal Constitucional de Espanha.
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QUIQUE GARCIA/EPA
Autor
Agência Lusa
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Mais de 700 autarcas da Catalunha reuniram-se este sábado em Barcelona para demonstrar união pela realização do referendo independentista, convocado para 1 de outubro, mas suspenso pelo Tribunal Constitucional de Espanha.
“Não seremos intimidados. Isto não é sobre independência, é sobre os nossos direitos”, afirmou hoje a presidente da câmara municipal da capital catalã, Ada Colau, na praça Sant Jaume, em Barcelona, acompanhada do presidente do executivo catalão (Generalitat), Carles Puigdemont, e de cerca de 700 autarcas catalães.
Na Catalunha existem aproximadamente 900 autarquias.
Parole, parole…
Claro que quem não é natural da Catalunha, ou de qualquer uma das outras Comunidades Autónomas -ou mesmo de outro País- tem direito a ter a sua opinião sobre este caso, que aparenta ser entre o governo de Madrid vs o governo da Catalunha. Aparenta.
Na Catalunha aparecem manifestações, nas ruas, com interessados em defender ambos os lados, o pró e o contra a independência. Óptimo.
Em Madrid as manifestações a defender a posição do governo da Generalita catalã são óbviamente muito tímidas.
Mas, as outras Comunidades Autónomas ?.
Há manifestações pró governo da Catalunha e/ou pró governo de Madrid?.
Afinal não são todos espanhóis, um todo, um País, uma Monarquia secular, contra o dissidente e pró-republicano ?.
Há Comunidades Autónomas defensoras do seu governo central em Madrid ?.
Difícil perceber esta Espanha, unida, e sobretudo estes espanhóis.
Dia 21 de Dezembro, quando as urnas falarem, todas as dúvidas ficarão dissipadas.
Simile tauromáquico : ainda estamos no primeiro aviso – e, com “el manso de Moncloa” como matador, muito temo que o bicho recolha vivo aos curros…
Elucidativa (como sempre) a crónica de Ignacio Camacho em “Fundacion para la Libertad”.
Entretanto – e para manter a linguagem tauromáquica – o outro já foi com as chocas.
“um tipo tíbio e timorato, incapaz de dizer duas tretas sem as ler com voz de falsete”
Este também a tinha assim e durou, durou….
https://youtu.be/WjcNjph-rWE
E o nosso D. Pedro, o Justiceiro, era gago….o nosso mais amado!
Esse não era pai da pátria, felizmente. E ninguém imagina o D. Afonso Henriques com tal voz.
ninguém imagina o D. Afonso Henriques com tal voz
Afinal o direito à secessão resume-se, finalmente, à voz do monarca. Se o monarca tiver uma voz máscula e possante, tipo Manuel Alegre, ótimo, passa. Se o monarca tiver voz esganiçada, de falsete ou efeminada, o nóvel estado chumba o teste.
O Afonso Henriques, cuja voz há dez séculos ninguém ouve, tinha sem dúvida uma voz máscula, grossa, imponente. Não pode ser de outra forma.
E tinha uma espada muito comprida.
Refere-se à espada propriamente dita, ou ao órgão com forma similar?
Falo da espada dele, claro. Uma espada que se tornou célebre. E que podia bem mais do que a esferográfica do “líder catalão”, espúrio “pai da independência” que só durou um par de horas.
Deste post concluo que a diferença crucial entre Portugal e a Catalunha é que Portugal foi comandado por um macho alfa mas a Catalunha não tem nada disso.
Aparentemente a estrutura do direito internacional fica assim reduzida ao nível de uma competição de gorilas ou chimpanzés na selva africana. Tudo se resume a saber que grupo é liderado por um macho alfa, possante e violento.
Conclui mal. A grande diferença é que a Catalunha nunca foi uma nação soberana, ao contrário de Portugal, independente há quase nove séculos.
Todas as nações têm uma altura para ficar independentes. A Letónia, por exemplo, só lá chegou em 1918. Os judeus tiveram que esperar até 1948. O Montenegro, só lá para 2008. Ninguém contesta essas independências lá por terem chegado tardiamente.
Não é a história quem concede direitos a uma nação. Os direitos não existem: conquistam-se e são defendidos passo a passo.
Os catalães já são independentes. Enquanto parcela autonómica do Estado espanhol. Têm mais independência do que muitos Estados supostamente soberanos.
Para compensar, tem a Catalunha fartura de hienas-fêmeas da ERC e das CUP. Fossem elas vivas no tempo do primeiro dos Afonsos e o bom do Henriques só teria licença de uso e porte de… um canivete. E murcho.
Meu caro, se tivesse de enfrentar um cobardolas como Puigdemont, que ao primeiro contratempo sério foge com o rabo entre as pernas, bastaria ao nosso bom rei Afonso o tal canivete murcho. Ou até a palma da mão.
Com o Puigdemont sim, meu caro Pedro Correia. Já com a Anna Gabriel a coisa seria mais dura: a moça tem cara de quem come pregos (biológicos, claro) ao pequeno-almoço e cospe vigas de aço ao jantar.
Chiça. Antes a Dona Urraca.
Jamais Rajoy pensaria que por esta tugolandia haveria uns tantos defensores do nacionalismo mais nauseabundo, tipicamente franquista. É fartar vilanagem!
Rui Mateus
Os separatistas catalães professam o “nacionalismo mais nauseabundo”? Eu não diria tanto.
D. Afonso Henriques tinha seguramente voz de comando, as cordas vocais bem colocados no sítio. Tinha seguramente outras coisas no sítio para conseguir levar a cabo está façanha independentista , como provou em S. Mamede, onde junto com os barões portucalenses se travou contra Trava, o aconchego da mamã e a pôs em sentido. Mas isso foi em 1128 e S. Mamede. Estes inedepensentistas em comparação, são uma m*rda, pardon my french.
Sempre me fez muita confusão os filhos que arreiam nas mães.
Então faz-lhe impressão os filhos catalães baterem na Mamã Espanha.
Bem dito. Mamaram na teta que agora mordem.
Dulce, mama-se para aprender a morder. O homem procura na mulher a mãe perdida. E morde, julgando mamar. Procura ser o filho outra vez.
Freud?
Ou Albino Forjaz Sampaio, explicando a nona arte.
Bom Domingo !
O respeito é bonito e recomenda-se. A violência doméstica É uma “doença social”, mas parece que já vem de longe.
Segundo reza a história o nosso fundador ainda era um adolescente. Memórias recalcadas de um pai que praticamente não conheceu e de uma mãe um tanto dada ao desfrute, de pensamento prático, que achava um disparate ter que ter passaporte para ir aos saldos a Leão e Castela.
Técnicamente ” bateu-a” apenas no campo de batalha.
Consta que o jovem D. Afonso não apreciou um candidato a padrasto que de vez em quando aparecia lá por casa.
Bem, bem, vamos por partes:
1 – Afonso Henriques era ainda muito novo ao tempo de S. Mamede, sim, tinha entre 20 a 22 anos. Mas S. Mamede nada tem a ver com a independência de Portugal em relação ao poder central hispânico! Foi mais uma questão regional. S. Mamede marca a tomada de poder de Afonso Henriques sobre o Condado Portucalense, mais por pressão dos barões portucalenses, que não achavam piada nenhuma à supremacia dos Trava, do que por iniciativa própria.
2 – Não há prova histórica de que Afonso Henriques rejeitasse a ideia de sua mãe de juntar o Condado Portucalense à Galiza, pois ele próprio o tentou, depois de S. Mamede, durante, salvo erro, cinco anos. Só depois deste falhanço, é que resolveu virar a sul e combater os mouros.
3 – D. Teresa, no fundo, foi a primeira a tentar a independência em relação ao poder central hispânico, numa tentativa de dividir a herança de seu pai entre ela e a meia-irmã: Leão e Castela para Urraca; Galiza e Portucale para ela própria. Por isso, alguns historiadores falam dela hoje como a primeira rainha de Portugal. Afonso Henriques, como neto de Afonso VI, deu, afinal, seguimento às intenções da mãe, renovando a luta dela – no caso de D. Teresa, contra a meia-irmã; no caso de Afonso Henriques, contra o primo (filho da segunda).
4 – D. Teresa morreu apenas dois anos depois de S. Mamede, com cerca de 50, não se sabe de que doença. Já estaria doente e/ou enfraquecida à altura da Batalha? Nunca o saberemos..
5 – Afonso Henriques nunca bateu na mãe, nem a pôs a ferros, como diz a lenda. Não há provas históricas de que tenha, alguma vez, condenado o seu comportamento (ao contrário do arcebispo de Braga e de alguns barões portucalenses que, aliás, se juntaram à volta do jovem Afonso, na esperança de substituirem a sua mãe por ele – o que veio a acontecer). Na verdade, Afonso Henriques até se reconciliou com o conde de Trava, há provas de que Fernão Peres de Trava tenha visitado a corte coimbrã, alguns anos depois de S. Mamede.
6 – D. Urraca morreu três anos antes de S. Mamede, Afonso Henriques tinha à volta de 17 anos e talvez ainda nem tivesse sido armado cavaleiro (não se sabe bem quando foi). O certo é que o nosso primeiro rei ainda não tinha tido qualquer papel na História Hispânica, nessa altura.
Com tudo isto, não pretendi tirar o mérito do post do Pedro Correia que, numa interpretação livre da História, faz uma crítica assertiva e, ao mesmo tempo, divertida, a Puigdemont. Os comentários é que foram um pouco longe demais, desculpem!
Ora bem. À parte os comentários ad lib e recreativos, nunca disse que D. Afonso Henriques bateu na mãe. Apenas a bateu em batalha, como reza S. Mamede.
A minha filha é historiadora e creio que o ” longe demais”
é exagerado. Ser bem humorado não é crime.
Boa semana.
Obrigada, igualmente.