Do uso irreflectido das palavras


josegomesandre,

Num longo artigo no DN de ontem, Mário Soares disserta sobre o conflito em Gaza, não se ficando por meias palavras: “Israel lança-se numa «guerra inútil» que lembra a barbárie do Holocausto”.

Confesso que face à complexidade destes eventos tenho dificuldades em assumir posições taxativas. Porém, este género de declarações é absolutamente ridículo, não apenas porque compara o incomparável, mas essencialmente porque relativiza um evento histórico de gravíssimas e hediondas proporções – ao qual nos deveríamos referir com grande parcimónia tendo objectivos metafóricos.

As pessoas têm todo o direito em indignar-se com as decisões militares de Israel. Mas isso não justifica a invocação fácil do Holocausto como arma de arremesso (numa espécie de psicologia invertida), banalizando o Mal e atraiçoando a memória histórica das suas vítimas.

15 comentários em “Do uso irreflectido das palavras”

  1. Infelizmente no mundo mediático em que vivemos a reflexão que deveria ser formalizada pela justa medida das palavras utilizadas é, isso sim, aligeirada pelo peso das expressões carregadas de simbolismo. Estas permitem esclarecer estados de alma, mas retiram serenidade à análise e valor às coisas pela banalização, tanto mais que muitos dos conceitos e realidades com que se rotulam ou comparam os factos comentados não são conhecidos com a profundidade desejável pela generalidade das pessoas.

  2. É a banalização do conceito, duplamente ofensiva, no caso. Não é nova -Saramago, como se sabe, fá-lo amiúde…

  3. Temos de desculpar o Senhor, atendendo à sua idade, apesar de há algum tempo ter apregoado os seus vigorosos 18 anos!!! O tempo passa e começa a haver umas certas falhas de memória! Por mim, está perdoado!

  4. Obrigado pelos comentários. Eu nada tenho contra Mário Soares (pelo contrário), mas este tipo de declarações – recorrentes, ainda por cima – tiram qualquer um do sério… Um abraço a todos!

  5. É natural que fiquemos incomodados com as imagens de sofrimento mas gostaria de aqui deixar algumas notas que no meu ponto de vista definem os dois lados do conflito.
    – Os centros operacionais e logísticos do Hamas e do Hezbolah, que incluem locais de lançamento de rockets sobre povoações israelitas, localizam-se deliberadamente em prédios habitacionais para que os seus compatriotas sirvam de escudos humanos contra os ataques israelitas.
    – Os restos mortais dos soldados israelitas mortos em combate e que fiquem em posse do inimigo são reclamados pelo Estado de Israel que pretendem lhes prestar homenagem e os sepultar de acordo com o ritual judaico. É habitual haver troca de prisioneiros palestinianos, alguns até comprovadamente envolvidos em actos terroristas, por restos mortais de soldados mortos há vários anos.
    – Muitas crianças palestinianas são educadas e treinadas para um dia se fazerem explodir matando com eles o maior número de pessoas possível. Os cérebros destes métodos preferem ocupar os lugares politicos e guardam o colete de explosivos para os seus jovens.
    – Olhando para as diferenças entre a forma como ambos os lados tratam os seus, leva-me a sentir que de facto, enquanto ocidentais estamos necessariamente mais próximos dos judeus, que dos palestinianos.
    – O timing dos ataques dos últimos dias à faixa de Gaza devem-se ao vazio de poder dos EUA, que se prolongará até à tomada de posse de Obama. Aqueles que gostariam de uma América menos poderosa têm aqui uma pequena amostra do que seria o mundo sem a sua influência.

    Continua em http://vilaforte.blogs.sapo.pt/60017.html

  6. se fosses palestino e vivesses em Gaza e levasses em cima com milhares de toneladas de bombas dia e noite, se assassinassem os teus filhos e familiares, se a tua casa tivesse sido bombardeada, se não tivesses que comer, nem medicamentos, nem luz nem água, que chamarias ao povo que te inflige tamanho sofrimento, eu chamou-lhes nazis . Há sessenta anos, desde que foi criado artificialmente o estado de Israel, que os judeus já assassinaram muitos milhares de palestinos e obrigaram milhões a exilarem-se. ISTO TEM UM NOME GENOCÍDIO.
    ATÉ QUANDO A COMUNIDADE INTERNACIONAL VAI ASSISTIR IMPÁVIDA E SERENA A ESTE HOLOCAUSTO. TEM JUÍZO RAPAZOLA.

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