“No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5.30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.”
É assim que abre “Crónica de Uma Morte Anunciada” de Gabriel Garcia Márquez, o primeiro livro para adultos que li, por altura dos meus catorze anos.
Não havia margem para dúvidas. Quer o título do livro, quer o primeiro parágrafo da história, asseguravam a qualquer leitor, logo à partida, que desse lá por onde desse, Santiago Nasar haveria de entregar a alma ao criador, mais capítulo, menos capítulo.
Tratava-se de um crime de honra. Angela Vicario, uma rapariga de parcos recursos, depois de uma boda celebrada a preceito, tinha sido devolvida à família pelo marido assim que este percebeu que ela já não se encontrava intacta.
Obrigaram-na a confessar o nome do prevaricador que lhe havia maculado a honra – Santiago Nasar. E é assim que os seus irmãos gémeos, munidos de armas brancas, vão no encalço de Santiago para lhe limparem o sebo.
Só que os gémeos, sabendo o que tinham que fazer, simpatizavam com Santiago e não tinham vontade nenhuma de cumprir a missão, pelo que tentaram por todos os meios, que o confronto não se viesse a realizar.
E vamos assim avançando pelas páginas, intercalando tempos de narrativa, ora assistindo ao resultado do julgamento dos gémeos, ora acompanhando o percurso Santiago no dia da tragédia. Só que, por qualquer razão misteriosa e contra todas as evidências, convivemos até ao último parágrafo da história com a esperança de que o fatídico destino de Santiago Nasar não se venha a cumprir, mesmo quando damos por ele já de tripas de fora.


Que boas recordações me trouxe com este livro de Gabriel García Márquez, Francisca. Tenho na ideia que também foi um dos meus primeiros livros na entrada para o estado dito adulto. É um dos meus escritores de eleição. O livro “Crónica de uma morte anunciada”, ainda está cá por casa, e por cá se vai manter, porque isto de reler os livros soa sempre a descoberta. Um livro que se lê aos quinze anos é interpretado de uma forma diferente do que se o voltarmos a ler aos trinta. Penso eu…
Tenha um bom domingo
Confesso que cheguei ao Gabo bem mais tarde (na idade) e comecei pelos contos, mais propriamente pelos Doze Contos Peregrinos. Foi nessa altura que li este, que mais parece um conto longo ou novela – e foi uma leitura marcante, sem dúvida.
Depois cheguei aos livros mais conhecidos e nunca mais deixei de o ler e reler.
🙂 Antonieta
Já lá vão décadas que li este livro que adorei e mal li a frase inicial do post não tive dúvidas qual a obra que começava assim mesmo ao fim de tantos anos, sinal do impacte que este livro teve em mim. De facto depois de 100 anos de solidão é esta a obra de GGM de que mais gostei.
Por favor veja as vírgulas.
Dos melhores livros de sempre.
Obrigada