Escolher hoje um blogue para destacar como blogue da semana é-me bem mais difícil do que era em 2011 (e já nessa altura a coisa não era tão simples quanto isso). Por mais que por cá continuemos a blogar alegremente, a verdade é que a blogosfera institucionalizou-se e perdeu relevância. Os blogues de sugestões passaram a blogues de marcas, num formato publicitário um tanto ou quanto manhoso. Bloggers de qualidade deram origem a comentadores de imprensa medíocres; outros foram abandonando o formato, tanto com despedidas anunciadas como pela publicação cada vez mais irregular, até se tornar inexistente. As discussões efervescentes que acompanhávamos na blogosfera política de 2003 e 2004 transferiram-se, com prejuízo evidente, para redes sociais como o facebook e o twitter, menos palavrosas e mais amigas do soundbyte, da irrelevância, da tagarelice desmiolada, e do domínio muito limitado da língua portuguesa que os nossos (ir)responsáveis políticos exibem sem pudor ou vergonha. E a maioria da blogosfera política que resta seguiu a tendência do debate contaminado das redes sociais: entrincheirou-se, radicalizou-se, e deixou-se levar pelo ruído.
Enfim, nestes dias do declínio dos blogues são cada vez menos aqueles que acompanho e recomendo (acompanho algumas coisas muito pouco recomendáveis, admito). Uma vez que já escrevo no Delito de Opinião há alguns anos, esta tarefa já me calhou algumas vezes; e uma vez que o Pedro Mexia não voltou a regressar à blogosfera (que eu saiba; alguém me avise se estiver enganado), encontro-me sem outra alternativa que não optar pela repetição de sugestões que já dei em outras circunstâncias. O que, bem vistas as coisas, não é necessariamente mau: por um lado, repetir uma sugestão já antiga significa que o blogue resistiu ao tuíte (é assim que se traduz?) da sereia; por outro, essa repetição quer dizer que o blogue não só se mantém como se mantém com a mesma qualidade e quiçá com a mesma regularidade que lhe reconhecia quando o recomendei pela primeira vez. Ora o blogue que hoje volto a destacar no Delito de Opinião não só preenche todos estes critérios (mantém qualidade, mantém regularidade, etc.) como é – continua a ser – mantido por um bom amigo e companheiro das andanças da ficção científica – e, após estes anos, continuamos amigos e continuamos (mais ele do que eu, reconheça-se) nas mesmas andanças. Mas o Intergalactic Robot, do Artur Coelho, não se resume à ficção científica que muito apreciamos: banda desenhada, cibercultura, e novas tecnologias são também recorrentes. Fica então a sugestão reiterada.

Saiba Vexa, Senhor João Campos que, em matéria de qualidade, isenção e liberdade o vosso Delito tem vindo a descer pelo cano desde há uns 3 anos.
Repare que não ponho em causa os autores, os que escrevem. Ponho em causa a falta de comunicação (e de lealdade) entre os seus membros.
Fechem o blog… por vezes mais vale isso do que ser vilipendiado.
Cumprimenta, Oliveira
O “Senhor” está no céu, ou pelo menos é o que se costuma dizer. Eu sou apenas João.
Respondendo já ao seu segundo comentário, não necessito de quaisquer hiperligações. O Delito de Opinião sempre foi um blogue colectivo onde cada blogger sempre teve a liberdade de pensar pela sua cabeça, e escrever em função disso. Não precisamos de concordar em tudo, podemos discordar activamente uns dos outros sem que caia o Carmo ou a Trindade, e nem temos de partilhar os mesmos interesses. Veja lá que o tema sobre o qual escrevo com mais frequência aqui no blogue nem é (acho eu) algo que seja do interesse da maioria dos colegas e dos leitores. Isso está longe de ser um problema; do meu ponto de vista, primeiro como leitor regular e depois como blogger menos regular, o Delito de Opinião sempre valeu pela diversidade de temas e de posições. Nem tudo será do agrado de toda a gente, mas decerto haverá qualquer coisa para muitos leitores.
Se o blogue está ou não em declínio (a blogosfera no seu todo está, mas adiante), caberá aos leitores avaliar. Independemente de gostarem ou não dos conteúdos, de se interessarem ou não por cada tema, ou de apreciarem mais ou menos cada blogger, os leitores são sempre bem vindos, e as caixas de comentários costumam estar abertas, mesmo quando a participação dos leitores nada tem que ver com o tema do post (como se nota). De igual modo, não merecerão censura se decidirem não frequentar o blogue. Tal como só cá passa quem quer, só cá volta quem quer. E nós por cá continuaremos.
Muito bem, João.
Se o Senhor entender, poderei enviar-lhe várias pessegadas publicadas no Delito.
Claro com os links apropriados.
Cumprimenta
Gostei muito da sua sugestão e, já agora, não fechem portas porque somos muitos a gostar de vós.
Agradeço-lhe, e pode ficar descansado: as portas continuam abertas.