Do meu baú (4)


Pedro Correia,

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É sempre arriscado fazer previsões para o ano que vai seguir-se. Sobretudo quando a bola de cristal está embaciada.

Razões acrescidas para felicitar o risco corrido por quem escreveu e editou o último suplemento de 2019 do semanário Expresso. Parecia um exercício de trapézio sem rede – e era mesmo.

Mal havia decorrido o primeiro trimestre do ano em curso e já muitas previsões estavam estilhaçadas.

 

O prestigiado periódico não fez a coisa por menos, substituindo a prudência jornalística alicerçada em factos por exercícios de adivinhação, submetidos ao mote 50 perguntas para 2020.

Tentando responder a esta questão de âmbito mais genérico: «O que vai acontecer em Portugal e no mundo do ponto de vista económico ao longo do próximo ano?»

Selecciono aqui algumas dessas previsões:

– «Em 2020 perfila-se margem para [o turismo] crescer em valor.»

– «A segurança, o clima, a gastronomia e sobretudo a simpatia das pessoas irão continuar a cativar estrangeiros de várias origens e também para a compra de casas.»

– «Tudo indica que os salários vão subir.»

– «O Estado vai ter excedente [financeiro] se a economia crescer acima de 3% em termos nominais.»

– «A Alemanha não vai entrar em recessão.»

– «Outras cidades poderão seguir o caminho de Lisboa ou do Porto, que fixaram este ano limites [ao alojamento local] nas suas zonas históricas.»

– «Por vontade do Governo, sim, mas logo se verá [se começa a construção do aeroporto do Montijo].»

 

Relendo hoje o suplemento, datado de 28 de Dezembro de 2019, parecem ter passado longos anos – e não apenas dez meses.

Começando logo pela manchete: «Classe média resistiu à crise».

 

Outros títulos da mesma edição:

– Preços sobem menos que salários no próximo ano

– Três anos para mudar Coimbra, do Choupal até à Lapa

– Há 3964 imóveis à venda no arquipélago dos Açores

– Six Senses investe 10 milhões no luxo

– Há cada vez mais pessoas a viajar e Hong Kong está no topo

 

Mas valha a verdade: nem todas as previsões do Expresso saíram furadas. Esta ampla antevisão de 2020 vaticinava, com acerto, que continuaríamos a pagar “buracos” na banca e que a guerra comercial China-EUA prosseguiria.

Prognósticos que até o conceituado Professor Karamba seria capaz de ter emitido. Em 2019 ou noutro ano qualquer.

 

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22 comentários em “Do meu baú (4)”

    1. A notícia dessa edição especifica:
      «Nos próximos três anos, Coimbra quer investir mais de 64 milhões de euros em obras de reabilitação urbana. Isto se não houver percalços com empreiteiros que voltem a atrasar os planos.»
      Interessante, a ressalva que arrefece desde logo as expectativas.

      1. A ressalva é muito importante.
        Quando se trata de obras públicas, há com muita frequência empreiteiros a impugnar os concursos públicos.
        E em quaisquer obras (públicas ou privadas), há com muita frequência empreiteiros que não cumprem os prazos de execução.

        1. A Câmara Municipal de Coimbra parece ter muito azar com os empreiteiros que contrata.
          A empreitada de intervenção dos muros do Mondego acabou por ser suspensa devido à falência do empreiteiro, a quem foi adjudicada a obra, no valor de 7,1 milhões de euros.
          E a recuperação do mosteiro de Santa Clara-a-Velha vai tardando, de resto como a das docas e a do emblemático parque Manuel Braga, visivelmente degradado há tantos anos.

          1. Coimbra é um ex-líbris de obras paradas. Desde o Metro ( l o l), o empreendimento dos jardins ou terraços ou lá o que é, Parque Verde, muros da margem norte. A “renovação” do Estádio Universitário foi o que foi, o S. Francisco, o iParque, Coimbra B (vai avançar, diz-se) está para reabilitar há anos.
            Por outro lado, há várias novas rotundas. E requalificações. E vem aí o tão imprescindível aeroporto

          2. Há prioridades.
            Exemplo, nos circuitos turísticos (Baixa-Alta-Universidade) não há um chafariz onde o turista possa molhar o bico (e Coimbra no Verão não é propriamente agradável).
            Em compensação, há um esguicho gigante no meio do rio

          3. Quando estive em Coimbra, há uns meses, fiquei francamente mal impressionando (mas não surpreendido) com o estado de degradação de vários locais emblemáticos da cidade. O jardim da Sereia, por exemplo.

  1. Estamos bem entregues. Se fizéssemos todos um esforço em influenciar estes influencers para que substituam a bola de cristal pelo estudo, talvez haja mais venda de jornais e melhor jornalismo e opinião.

    Trump, um rapaz que faz inveja às feministas como o seu penteado, mostra-nos que é possível conciliar uma boa presença com um bom ataque ao PC chinês.
    Tenho estudado as projecções eleitorais americanas, e concluo:
    Com a falsa Clinton, Trump também apresentava uma margem enorme e desfavorável na sua corrida à casa branca.
    Com a recente demonstração do estado do Michigan em apoio a Trump, uma vez mais fica confirmado que os swing states, em matéria de votos eleitorais, provocarão nova hecatombe nos democratazinhos, e em Biden em particular, que muito metido a influências com os chineses tem estado juntamente com seu filho.
    A história do disco duro do computador de seu filho está a ditar nova vantagem para Trump bem como o apoio que as associações negras evangélicas lhe estão a prestar, contrariando a estorieta de que Trump é racista.

    1. Sabiam alguns lá, mas estavam ainda a ser detidos e proibidos de falar do assunto. E não se sabia praticamente nada aqui.

      Em meados de Janeiro, a DGS fazia declarações públicas garantindo que eram muito reduzidas as possibilidades de o tal vírus chinês chegar a este cantinho ocidental da Europa.

      1. Eu creio que a doença foi tornada pública pelas autoridades chinesas em meados de dezembro. Em janeiro a China divulgou a sequência genética do vírus, mas já bem antes disso tinha divulgado que havia um vírus e uma doença.
        É verdade que a China ao princípio tentou ocultar a existência de uma doença, mas divulgou essa existência já em meados de dezembro.

        1. O Governo chinês fez tudo para silenciar a dimensão do caso.
          Quando esta edição do Expresso foi para as bancas não havia mais do que uma epidemia de contornos imprecisos numa cidade chinesa. Duas ou três semanas depois, já em 2020, Graça Freitas assegurava aos portugueses que dificilmente aquilo chegaria cá

  2. V.Exª esqueceu-se de mencionar uma grande obra do vaidoso Presidente da Câmara – a compra de um AUDI por 83,560 €.
    Se fosse um não socialista estava tramado, os média não largavam.
    Cumps.

  3. Isto anda tudo tão baralhado que as previsões já se confundem com profecias. Não conseguimos é interpretar o desejo dos deuses.

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