DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Há uma coisa que parece não ser clara no Estado: o Estado não tem de dar lucro. Não é suposto que dê lucro, da mesma forma que não deve dar prejuízo. O saldo entre receitas e despesas deve dar zero. Se dá lucro, a primeira medida é baixar as contribuições (taxas e impostos) impostas a todos os portugueses (não só contribuintes, mas qualquer pessoa com uma conta da luz, neste caso). Porque tiram-se duas conclusões: (1) a gestão foi boa. Óptimo, muitos parabéns. (2) Não precisam de tanto financiamento privado.»

 

Henrique Burnay: «Há lugares que nos chocam porque são reveladores, confrontam-nos com a verdade. Auschwitz, e Birkenau, pelo contrário, são lugares que fazem parte da nossa memória. Já sabíamos tudo antes de termos chegado. Vistos de perto, chocam pela simplicidade. A maldade humana não necessita de sofisticação, não precisa de nada de extraordinário. Um lugar banal e homens vulgares são suficientes. E o ódio ao outro. Auschwitz não pode ser apenas a recordação da infinita possibilidade do mal. Com certeza que não. Há homens e mulheres reais que sofreram ali, não são apenas símbolos.  Mas esse último sacrificio é necessário. Para que cada um de nós saia de Auschwitz com a certeza de que é possível, de que o mal é facilmente humano. Sobra a esperança de saber que o bem também é humano. E que, em ambos os casos, é uma escolha.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Nos dias de hoje o valor da liberdade e da independência acaba por estar de acordo com os tempos de crise. Já não há processo judicial, já ninguém vai discutir a existência ou inexistência de justa causa. Os princípios reduziram-se a um número redondo e ficou tudo bem para os patrões e para a dispensada. O Código do Trabalho pode não prestar para nada, mas para isto ainda serve.»

 

Eu: «Do Presidente da República espera-se particular atenção à defesa da imagem pública do País no decurso das suas frequentes deslocações oficiais ao estrangeiro. Lamentavelmente, isso não suecedeu na viagem que Cavaco Slva fez a Praga, em Abril deste ano, na qual assistiu impávido a duas intervenções destemperadas do homólogo checo, Václav Klaus, pondo em causa o rigor e a competência das autoridades portuguesas na difícil missão de enfrentar a crise económica. O problema, neste caso, não era saber se Klaus tinha razão: o Presidente da República Portuguesa não pode ouvir em silêncio estas desconsiderações e estes enxovalhos, comportando-se como se nada fosse. Ou, pelo menos, não deve. Cavaco comportou-se assim. Ficou muito mal na fotografia. Quase tão mal como o seu colega checo.»

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