O João Gobern tem todo o direito de se assumir como adepto benfiquista. E, sendo convidado para fazer comentário futebolístico na RTP precisamente como analista de cachecol, tem naturalmente também o direito – e neste caso quase o dever – de assumir a sua condição de benfiquista. Nada a objectar quanto a isto. Sendo assim, quem poderá espantar-se que vibre em directo com a marcação de um golo da sua agremiação ao minuto 92 de um jogo contra um clube que ameaça disputar-lhe o título? Fará sentido compará-lo ao ex-ministro Manuel Pinho que foi afastado do Governo socialista por ter feito um feio gesto a um deputado da oposição na respeitável sede da democracia que é a Assembleia da República?
Quanto a mim, o caso pode e deve servir de pretexto para a indignação sportinguista mas sem ter Gobern como alvo. Quem merece críticas é a RTP, que inclui há quatro anos na grelha regular do seu espaço informativo um programa de comentário futebolístico, intitulado Zona Mista, que apenas permite um adepto de cachecol. O do Benfica. À revelia das suas obrigações de serviço público que lhe impõem normas acrescidas de isenção, pluralismo e equidade. Como se uns cachecóis fossem mais iguais que outros…
A questão é só esta. E é quanto basta para merecer debate. E suscitar legítima indignação.
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Pois é, Pedro, parece que ninguém viu que naquele programa, que não vejo por isso também mas a começar pelo moderador, há um confronto de ideias supostamente entre dois jornalistas, mas um vai de cachecol enquanto o outro contém-se clramente, tendo uma preferência clubística que a alguns mantém a dúvida sobre se será azul ou verde mas é verde…
Separando, partanto, o trigo do jorge, acardito que laguém também um dia dirá haver, quiçá no Torto Canal, um programa da bola quadrada alisado com comentadores do mesmo clube, assim a modos como na tv dos bimbos…
Pois, mas como a RTP não é o Torto Canal o melhor mesmo é que alguém por lá perceba que não existe apenas um clube com direito a cachecol.
No programa estavam representados os 2 clubes nacionais, o Benfica e os anti-benfiquistas.
Não vale a pena introduzir todas as sensibilidades anti-benfiquistas. É redundante.
Pela mesma lógica, nos debates políticos da RTP também só é necessário haver dois representantes: o do Governo e o do anti-Governo. Lógica brilhante.
Valente e desprendida gargalhada…
Muito bem.
Saudações leoninas, Outside.
Saudações leoninas antes e após…sempre Pedro :).
Relativamente a este caso, algumas considerações, alguns ideais e muitas ingenuidades:
1.Gobern, à semelhança de Rita, de Sobral, do Manha e dos Santos não se afirma oficialmente por iniciativa própria ou da estação televisiva que o recebe, salvo erro meu, como comentador representativo de um clube ou duma côr, conforme o programa de um Trio de Ataque ou um Dia Seguinte;
2. Independentemente de pessoalmente saber a sua afectação, não nos é legendada? a nós ouvintes a sua presença como representante de clube x ou y (desconfio que o Bruno Prata seja do Porto mas há quem garanta a sua paixão pelo Sporting). Gobern é apresentado como jornalista/comentador desportivo. (P(ponto)
3. É por demais evidente a hipocrisia e o oportunismo da RTP em tão imediata reacção a esta manifestação de Gobern porque sabe óbviamente da sua afectação mas produz e vende um programa como uma análise objectiva e imparcial dos acontecimentos desportivos com recurso à opinião destes jornalistas. E é por demais evidente a sua postura (RTP) ora comprometida ora inoperante em casos/situações/programas de verdadeiro relevo nacional em que se exigia o rigor/isenção/ética;
4. Gobern colocou-se a geito…e pessoalmente, que já o acompanho há largos anos…já foi tarde demais. Gobern deve ter coluna de opinião devidamente identificada em conformidade com a sua paixão.
5. E o que refiro para Gobern, vale para os ditos “jornailstas desportivos” afectos ao Sporting, ao Porto e afins…em transversalidade.
Fique bem…sempre.
Tenho muita fé para logo ;).
David
A fé era justificada, David. A magnífica carreira europeia do nosso clube nesta temporada torna ainda mais inaceitável a exclusão do Sporting destes programas de debate televisivo, sobretudo no canal público. Se há cachecóis, numa TV de ‘serviço público’, devem ser de várias cores. Não apenas encarnados.
Carlos Drummond de Andrade, que era um apaixonado de futebol, disse um dia:
“Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.”
Se bem que o programa, como todos os outros que, sobre futebol, pululuam na televisão, deixam-me no limiar do vómito, mas penso que o despedimento (?) de João Gobern é uma hipocrisia.
Ferreira Fernandes, na sua habitual crónica, hoje, no “Diário de Notícias”, coloca oa pontos nos ii.
Quanto aos cachecois, caro Pedro Correia, tem inteira razão, mas as coisas são mesmo assim, e isso apenas serve para concluirmos que aqueles programas são inúteis e só ajudam a destruir o futebol, que não tem culpa nenhuma de ser um belo espectáculo.
Que dirão os brcarenses que, vêem o seu clube a lutar pelo título, e não conseguem vislumbrar um único cachecol naqueles programas da treta?
Aliás, penso que o futebol não se discute, vive-se e, se apixonadamente, melhor ainda.
Para voltar a citar Carlos Drummond de Andrade:
“Eu sei que futebol é assim mesmo, um dia agente ganha, outro dia a gente perde, mas por que é que, quando a gente ganha, ninguém se lemra de que futebol é assim mesmo?”
Concordo com grande parte do que assinala, Sammy – e também gostei da crónica do Ferreira Fernandes (aliás suspeito na questão de fundo por ser benfiquista). O Drummond, genial poeta, tinha toda a razão no que escrevia. Quanto ao Braga, é mais que tempo de ter representantes nestes painéis futebolísticos. Como já deixei bem claro aqui:
sporting.blogs.sapo.pt/184151.html
Um abraço. E boa Páscoa.