Editorial do Libération (30/31 Agosto)
“Aplicar políticas de esquerda”, velho slogan dos comunistas, é um jargão que na prática significa isto: as forças minoritárias deverão impor o seu programa à força maioritária, o PS, sem fazerem a menor concessão.
Por outras palavras: o entendimento exige credenciais prévias “de esquerda” e quem se arroga na posição de emitir essas credenciais é o PCP.
Esta posição inaceitável tem inviabilizado maiorias parlamentares à esquerda desde a fundação do actual regime constitucional (já lá vão 38 anos, a caminho de três gerações).
Uma espécie de nó cego que apenas possibilita dois tipos de maiorias:
– De direita (PSD+CDS)
– De centro (PS com apoio do PSD e/ou do CDS)
Isto decorre fundamentalmente do sectarismo do PCP, que apenas sabe relacionar-se com as restantes forças de esquerda a partir de posições hegemónicas. Acontece que o PS não é o Partido Ecologista os Verdes, apêndice do PCP. Não faz o menor sentido que um partido que nunca conseguiu vencer uma eleição legislativa em Portugal condicione qualquer entendimento político a uma condição impossível: que o PS, três vezes mais importante em termos eleitorais, se submeta às teses minoritárias.
O Bloco de Esquerda podia e devia ter desfeito este nó cego. No entanto, ao mimetizar as posições do PCP, tornou-se inútil para o nosso sistema político em geral e para a esquerda em particular. Portugal não precisa de um segundo Partido Comunista. Já existe um. E a cópia é sempre inferior ao original.

Nada acrescento e nada corrijo. Certeiro. Mas eles fazem falta.
Na oposição ou no governo?
Agora com o Costa tudo isso vai mudar.
Ele até já disse há dias que mudar a lei eleitoral nem pensar, porque tal coisa ia desagradar aos partidos à esquerda do PS. Como se a lei eleitoral que temos fosse boa e não fosse ela própria, e há décadas, um factor de afastamento dos eleitores relativamente a tudo o que cheire a aparelhagem partidária.
http://www.ionline.pt/artigos/portu gal/pslisboa-candidato-denuncia-golpada-e nvolve-costa
Convém não confundir votos com sabonetes.
Propor um modelo de sociedade ou um modo de actuação e seguidamente fazer um acordo pós-eleitoral e praticar políticas diferentes, não parece muito honesto.
Se a esquerda votasse favoravelmente o orçamento de estado até poderia pertencer a este governo e ter poder. Mas seria isto sério?
Evidentemente que quando o fim último da política é ir ao pote, não é necessário exigir nada e todas as coligações são admissíveis.
Espero que haja políticos que não queiram esse caminho (mesmo que sejam quixotescos).
Considerar que só existe uma “esquerda”, a bacteriologicamente pura, a rigorosamente minoritária, a ideologicamente irrefutável, equivale a remeter a esquerda a uma eterna cura de oposição. Por ironia, aqueles partidos que mais se queixam de verem a direita no poder são aqueles que, pondo o baluarte ideológico acima de qualquer consenso, nada fazem para construir alternativas governativas de esquerda.
Não existe só uma esquerda. Mas ou se tem convicções no que se faz ou é melhor ir fazer outra coisa.
A política é mais importante que um jogo de futebol e a ideia que ganhar é que importa, mesmo fazendo batota, é errada.
O sistema democrático deve-se basear no equilíbrio entre opiniões diferentes, não em acordos de bastidores e falsas promessas.
Quanto às teimas sempre me disseram que nenhum teimoso teima sozinho.
A política é mais importante do que um jogo de futebol, certo. Mas há quem prefira fazer sempre actividade política na bancada, sem nunca saltar para o campo de jogo. Talvez com receio de marcar golos na própria baliza.
A Esquerda PCP, Esquerda do PS está bem no sistema que existe. Para quê mudar?
Domina boa parte da retórica, marca a agenda das notícias.
Os monopólios e os grandes grupos económicos permitem-lhe ter um controlo apreciável sobre a classe trabalhadora, pois assim está arregimentada.
Quanto mais empresas existem mais poderosos são os trabalhadores e menos poderosos são os sindicatos e os grandes grupos económicos.
Ao mesmo tempo que o Ministério da Educação, o SNS e o sistema de pensões tal como está desenhado seguiram – enquanto podem -o facilitismo da compra de votos durante décadas corrompendo a sociedade e incentivando a dependência.
Outro exemplo simples, a Extrema Esquerda não protesta nunca quando a CGD aumenta capital com o dinheiro dos contribuintes…
Tendo grande influência mas sem responsabilidades aparente alguma a Extrema Esquerda está na posição mais confortável de todas.
Afinal os jornalistas não escrutinam nem o que defendem.
A extrema esquerda, parecendo combater a direita, combate afinal a esquerda que não é extrema.
Em cheio na mouche. E é precisamente por causa dessa atitude estalinista que o BE copiou do PC que em 2011 os eleitores lhe deram uma valente tareia, bem merecida. A única hipótese de se “puxar” o PS para a esquerda é coligando-se com ele, se necessário com umas demissões irrevogáveis pelo meio, de preferência sem ser na praça pública.
Pois. O facto é que nem PCP nem BE querem verdadeiramente “puxar” o PS para a esquerda pois isso iria roubar-lhes eleitorado. Ambos desejam que o PS, para poder governar, seja forçado a aproximar-se do PSD ou do CDS. A verdade é esta, não vale a pena escamoteá-la.
Ou seja, ambos os partidos estão como peixe na água no papel de contestatários, ou partidos de protesto, como se diz.
Isto levanta duas questões. Primeiro, para que serve o BE, se o PC sempre fez isso e portanto pode perfeitamente captar os votos dos que só pensam em protestar e fazem gala de apregoar que nunca votaram em nenhum dos que nos (des)governam, livrando-se assim de quaisquer responsabilidades pelo estado a que chegámos.
Segundo, como se poderão criar soluções governativas alternativas às propostas pelos partidos da direita, se uma parte substancial da esquerda só está interessada em ser do contra?
Já agora, saliente-se também que se uma coligação com o PS retiraria votos ao BE e/ou ao PCP (o que está por provar…), o mesmo acontece com o CDS relativamente ao PSD no outro lado e isso não tem impedido as coligações à direita.
É mais objectiva a direita, pensa mais no País, é mais tolerante do que a esquerda, uma vez que procura, acima dos seus próprios interesses, construir soluções de governo? Ou serão simplesmente as pessoas da esquerda mais à esquerda incapazes de dialogar, criar entendimentos, fazer cedências? Em suma, faltar-lhes-á cultura democrática?
As suas questões são muito pertinentes. Permito-me salientar duas, que se inteligam:
«Como se poderão criar soluções governativas alternativas às propostas pelos partidos da direita, se uma parte substancial da esquerda só está interessada em ser do contra?»
«Serão simplesmente as pessoas da esquerda mais à esquerda incapazes de dialogar, criar entendimentos, fazer cedências?»
“Chávez nuestro que estás en el cielo, en la tierra, en el mar y en nosotros, los y las delegadas, santificado sea tu nombre, venga a nosotros tu legado para llevarlo a los pueblos de aquí y de allá”
“Danos hoy tu luz para que nos guíe cada día, no nos dejes caer en la tentación del capitalismo, mas líbranos de la maldad de la oligarquía, del delito del contrabando porque de nosotros y nosotras es la patria, la paz y la vida. Por los siglos de los siglos amén. Viva Chávez”.
Não inventei nada, esse tal Pai Nosso foi concebido pelos maduros apoiantes, vem nos jornais…
Já vi. É de bradar aos céus.