Terça-Feira, 1
Acordei não muito mais tarde do que o costume. Já só tinha algumas horas com a família, incluindo os recém-chegados sobrinhos gémeos, pelo que dar biberão, pôr a arrotar e mudar fraldas extremamente badalhocas foi coisa preciosa. Quando ficamos a milenas de quilómetros dos mais próximos há que aproveitar. Deve ser a isto de ficar com o coração muito mas muito pequenino, na hora do embarque, que se chama o fado do (e)migrante.
Quarta-Feira, 2
Custou-me a acordar à hora habitual. Perguntei: «A passagem de ano foi boa?» e respondi: «Foi boa. E a s/t/ua?» dezenas de vezes. Fora isso, tratou-se de um dia cheio de motivos de interesse: andei os habituais 200 quilómetros (ida-e-volta) para ir trabalhar. Recebi, no espaço de duas semanas, pela segunda vez, o triste aviso de que uma casa da família havia sido assaltada. Passei a frequentar as respectivas esquadras/quartéis da PSP/GNR das freguesias das áreas das mesmas. Já conheço uma boa parte dos seus efectivos, passou-bem e tal. Estou extremamente instruída sobre modus operandi da malandragem, coisas que só acontececem no CSI e não na realidade porque são muito caras, etc.
Quinta-Feira, 3
Dia normal. Falou-se do tempo. Os meus alunos têm vontade de aprender, quase todos. Vários deles têm o hábito de me apanhar no corredor e fazer um mosh que é um abraço que é um Feliz Ano Novo que me faz querer voltar todos os dias para eles.
Sexta-Feira, 4
Nada de especial aconteceu. Falou-se do tempo para o fim-de-semana.
Sábado, 5
Acordei não muito mais tarde. Nenhuma surpresa durante o dia. Não encontrei nenhum ladrão dentro da casa roubada enquanto fazia o inventário das perdas na aldeia. À noite, o Sporting perdeu. Tenho saudades do Valckx (sim, o que jogava com a cara partida e tudo).
Domingo, 6
Acordei menos tarde do que ontem. Domingo perfeitamente banal, exceptuando o facto de que me baldei a um certo convívio blogosférico por motivos de força maior. Mandei beijinhos.
Segunda-Feira, 7
Custou-me a acordar à hora do costume. Sinto-me mariquitas, dói-me a garganta. Perguntei: «O fim-de-semana foi bom?» e respondi: «Eh, já passou. E o seu?» várias vezes. De resto, nenhuma novidade. Falou-se do tempo. Não odeio segundas-feiras, mas às vezes são duras como um corno.

A tua vida é muito mais emocionante do que a minha. Viagens, perigo, investigações policiais, mosh,…
ópá, este ano está-me a sair melhor que a encomenda…
andei os habituais 200 quilómetros (ida-e-volta) para ir trabalhar
Credo, que horror. Não seria aconselhável alugar uma casita, nem que fosse um estúdio, perto do local de trabalho?
Seria, e é. Mas lá acontecem sacramentais dias da semana em que regresso ao poiso de origem, Luís.
Gostei muito deste teu diário, Cláudia. De tal maneira que me senti inspirado para fazer também um. Perdoa-me o quase plágio.
Ladrão que rouba a ‘ladrona’….