Diário pormenorizado dos sete primeiros dias do meu ano (emulando o jaa)


Ana Cláudia Vicente,

Terça-Feira, 1

Acordei não muito mais tarde do que o costume. Já só tinha algumas horas com a família, incluindo os recém-chegados sobrinhos gémeos, pelo que dar biberão, pôr a arrotar e mudar fraldas extremamente badalhocas foi coisa preciosa. Quando ficamos a milenas de quilómetros dos mais próximos há que aproveitar. Deve ser a isto de ficar com o coração muito mas muito pequenino, na hora do embarque, que se chama o fado do (e)migrante.

 

Quarta-Feira, 2

Custou-me a acordar à hora habitual. Perguntei: «A passagem de ano foi boa?» e respondi: «Foi boa. E a s/t/ua?» dezenas de vezes. Fora isso, tratou-se de um dia cheio de motivos de interesse: andei os habituais 200 quilómetros (ida-e-volta) para ir trabalhar. Recebi, no espaço de duas semanas, pela segunda vez, o triste aviso de que uma casa da família havia sido assaltada. Passei a frequentar as respectivas esquadras/quartéis da PSP/GNR das freguesias das áreas das mesmas. Já conheço uma boa parte dos seus efectivos, passou-bem e tal. Estou extremamente instruída sobre modus operandi da malandragem, coisas que só acontececem no CSI e não na realidade porque são muito caras, etc.  

 

Quinta-Feira, 3

Dia normal. Falou-se do tempo. Os meus alunos têm vontade de aprender, quase todos. Vários deles têm o hábito de me apanhar no corredor e fazer um mosh que é um abraço que é um Feliz Ano Novo que me faz querer voltar todos os dias para eles.  

 

Sexta-Feira, 4

Nada de especial aconteceu. Falou-se do tempo para o fim-de-semana.

 

Sábado, 5

Acordei não muito mais tarde. Nenhuma surpresa durante o dia. Não encontrei nenhum ladrão dentro da casa roubada enquanto fazia o inventário das perdas na aldeia. À noite, o Sporting perdeu. Tenho saudades do Valckx (sim, o que jogava com a cara partida e tudo).


Domingo, 6

Acordei menos tarde do que ontem. Domingo perfeitamente banal, exceptuando o facto de que me baldei a um certo convívio blogosférico por motivos de força maior. Mandei beijinhos.

 

Segunda-Feira, 7

Custou-me a acordar à hora do costume. Sinto-me mariquitas, dói-me a garganta. Perguntei: «O fim-de-semana foi bom?» e respondi: «Eh, já passou. E o seu?» várias vezes. De resto, nenhuma novidade. Falou-se do tempo. Não odeio segundas-feiras, mas às vezes são duras como um corno.

6 comentários em “Diário pormenorizado dos sete primeiros dias do meu ano (emulando o jaa)”

  1. andei os habituais 200 quilómetros (ida-e-volta) para ir trabalhar

    Credo, que horror. Não seria aconselhável alugar uma casita, nem que fosse um estúdio, perto do local de trabalho?

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