Diário do coronavírus (6)


Pedro Correia,

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Estado de emergência? Que estado de emergência? Há um mês que não via tanta gente na rua. E até o famigerado “estacionamento em segunda fila” – nome elegante para parqueamento selvagem, à margem das regras – regressou à Avenida da Igreja, como se estivéssemos num filme a andar para trás.

Operários executam obras na via pública, em atmosfera de estrita normalidade e sem o menor respeito pela regras de distância sanitária em vigor. Os cordões higiénicos que a Câmara Municipal de Lisboa decidiu colocar há dias, da noite para a manhã, foram arrancados em todos os bancos de jardim e de rua por onde circulo, não faltando pessoas ali sentadas, algumas até em amena cavaqueira.

Vejo muito mais transeuntes de máscara. Mas abunda quem não saiba ou não queira usar as ditas como deve ser. Uma senhora comerciante está de máscara 3M, mas mantém o nariz de fora. Chamo-lhe a atenção para o facto. Resposta pronta: «Tenho de estar assim, senão falta-me o ar e nem consigo respirar.»

 

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Emergência à portuguesa, pois. Uma para consumo oficial, plasmada nas palavras solenes e graves do Presidente da República e do primeiro-ministro. Outra, a do País real – que salta à vista nesta sexta-feira que antecede a mais insólita Semana Santa das nossas vidas. 

Encontro aberta uma loja de reparação de electrodomésticos. Anoto os contactos. Dá imenso jeito numa fase destas, de reclusão sine die. Se nos avaria um fogão, um frigorífico, uma máquina de lavar ou até um esquentador ficamos com o quotidiano doméstico virado do avesso e a quarentena forçada torna-se ainda mais penosa. 

 

Dizem-me que a partir de agora haverá “controlo rigoroso” da aplicação das normas decretadas pelo Chefe do Estado e especificadas pelo Governo – com coimas e até detenções por crime de desobediência neste tempo de supressão de direitos em atmosfera de quase unanimidade nacional. Incluindo o exercício dos direitos constitucionais à greve e à resistência, tornados letra morta pelo menos até 17 de Abril. Sendo previsível que a anómala situação em curso, superiormente justificada pelo combate à pandemia, seja prorrogada pelo menos mais uma vez. E outra. E talvez outra ainda.

Só me interrogo sobre a falta de coerência evidenciada pelo Governo, que por um lado endurece o discurso, ameaçando com detenções, e por outro abre as portas dos estabelecimentos prisionais, alegadamente para evitar a propagação do coronavírus lá dentro: os cidadãos que a partir de agora forem detidos beneficiarão também de perdão de penas, de um regime especial de indulto e da antecipação da liberdade condicional, à semelhança do que sucederá com cerca de 10% da actual população prisional?

Interrogo-me ainda se estas medidas, que a ministra da Justiça justifica por serem «fundamentais para proteger a saúde dos reclusos e de todos os que exercem funções no sistema prisional», não deveriam aplicar-se, por maioria de razão, aos impropriamente chamados “lares de idosos”, onde já se registam centenas de casos de Covid-19. Que lógica nos leva a soltar delinquentes enquanto mantemos os velhos em reclusão ao abrigo da mesma emergência sanitária?

100 comentários em “Diário do coronavírus (6)”

  1. Confirmo. Ontem vi muita gente na rua. Amanhã decerto veremos o preço da liberdade e do combinação combustível do chico – esperto com o macho latino.

    Quanto às máscaras são ridículas as contradições entre a comunidade médica. E já dizia o outro. Para obedecermos é fundamental haver confiança.

    Máscaras sem óculos e sem luvas não faz sentido. Usei luvas um dia e dei por mim a ser mais desleixado

      1. Pedro, mantenha a distância sanitária. As luvas parecem – me indicadas quando usadas no supermercado, durante o uso de uma ATM, etc. Máscaras só devem ser usadas, na minha opinião, se houver sinais gripais como tosse e corrimento nasal.

        Atenção. As luvas são descartáveis e devem ser substituídas com frequência, ou seja quando se sai de um ambiente de risco (já vi pessoas a coçarem a cara com luvas calçadas).

        Mas parece – me que a medida mais prática e mais eficiente é a manutenção da distância social e claro não andar na rua a passear cães imaginários

        1. Também não convém andar na rua a passear carrinhos de supermercado, como tenho visto. E menos ainda atirar luvas usadas e máscaras usadas para o chão, como tenho visto infelizmente também.

        2. Sim, usar luvas no supermercado é extramente útil. Principalmente, se atendermos ao facto de que depois de levamos as embalagens e os sacos para casa, como que por milagre, todos os possíveis vírus terão morrido durante o trajecto. Brilhante.

          1. Mais uma vez, brilhante! Se pudesse, promovia-o a conde de Gouvarinho!

            Bem haja!

    1. a pergunta que vou fazer é potencialmente estúpida, mas se o uso de máscaras de banalizou na China depois da epidemia de 2003 (li por aí, não sei se é verdade, admito que sim), e se as máscaras protegem tanto como se diz, por que razão os chineses tiveram de optar pela quarentena e isolamento social? não deviam, por utilizarem máscara, estar à partida mais protegidos contra este tipo de surtos?

      certamente está a escapar-me algo de muito óbvio.

      quanto às luvas, o desleixo é recorrente sobretudo nos supermercados.

      1. A recomendação é utilizar a máscara quando se tem sintomas, algo que parece ser geralmente cumprido pelos asiáticos, mas infelizmente este vírus pode ser transmitido por pessoas assintomáticas. Isto deve ser parte da explicação. Acresce que o uso da máscara diminui a probabilidade de contaminar outras pessoas, mas não a reduz a zero.

        1. “(…) mas infelizmente este vírus pode ser transmitido por pessoas assintomáticas. Isto deve ser parte da explicação. Acresce que o uso da máscara diminui a probabilidade de contaminar outras pessoas, mas não a reduz a zero.”

          Raciocínio cristalino. Coincidente com o meu. Além do mais, que encontra fundamento nos números de que vamos dispondo de Taiwan, Japão, Coreia do Sul e Macau. Vejam os números por milhão de habitantes aqui https://www.worldometers.info/coronavirus/ (total de mortos e total de infectados) e tirem as vossas conclusões.

          Vejam também a norma emitida hoje pela DGS, que alarga as recomendações para o uso de máscaras
          https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0192020-de-03042020-pdf.aspx

          Em posts anteriores neste blogue já tinha defendido o uso obrigatório de máscaras em todos os recintos fechados.

          Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/aprender-como-nao-se-faz-11450367#comentarios .

          Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/lavouradas-da-semana-11428650#comentarios .

      2. Os chineses começaram a usar máscaras nos 90’s não por causa da pandemia mas por causa da poluição. A China é líder em doenças do foro respiratório. Considerando que as partículas poluentes em suspensão são maiores do que os vírus veja bem a utilidade das máscaras. Aliás, os vírus de uma forma geral se apresentam capacidade infectante por via nasal /bucal têm também capacidade para usar a via ocular como meio de transmissão. Veja, mais uma vez a pertinência das máscaras. “Máscaras verdes” de cirurgia não são eficazes na retenção de partículas virais, mas sim na retenção de agentes bacterianos, bem maiores do que os vírus

          1. “em resumo, a discussão em torno das máscaras é mais política do que científica.”

            Não. É por não haver ainda grandes conhecimentos. Há recomendações que contudo devemos seguir.

            A medicina está transformada numa ciência social. Cheia de interpretações.

          2. “É por não haver ainda grandes conhecimentos”

            É isto que eu não percebo. Como é que não há grandes conhecimentos e pode haver tantas dúvidas se há países cuja população usa frequentemente máscara desde os anos 90? E como é que nesses países surgem surtos desta dimensão e gravidade? A máscara não protege a 100% e não protege toda a gente. Mas não devia diminuir a intensidade do surto, como alegam agora (segundo li por aí), por exemplo, os Checos? Volto assim à minha pergunta inicial: tendo os Chineses o hábito de usar máscara não deviam estar um bocadinho que seja mais protegidos contra estes surtos do que acontece noutros países?

            Repare, uma coisa é haver dúvida sobre que tipo de máscara usar e se há máscaras mais adequadas para vírus ou bactérias (ou o que seja), ou se há actividades que devem sempre usar máscara e outras apenas às vezes, etc. Outra coisa completamente distinta é esta discussão que se instalou de usar ou não máscara. Neste sentido, e tratando-se de uma mudança do nosso modo de vida e da relação que estabelecemos com as outra pessoas em contexto social, parece-me que há aqui muita política à mistura.

          3. Percebo – o. Há quem diga que a indústria tem dedicado biliões em investigações médicas fúteis, associadas a “colesterois” , antidepressivos, a poções de combate ao envelhecimento, à engenharia genética com propósitos eugénicos, etc, e pouco milhões ao que faz realmente diferença (antibióticos, antivirais, enfim medicamentos que CURAM) . Parece que o objectivo é ficarmos todos doentes de alguma coisa qualquer, real ou imaginada.

            Já pensei que não faz sentido a investigação médica estar sob controlo do volúvel e fútil empenhamento do interesse Privado (muita da investigação é subsidiada através de fundos estatais, mas os lucros, futuros, são distribuídos pelos shareholders) mais dos clamores do mercado ocidental (classe média, alta, com tristezas profundas fincadas em coisas de nada)

        1. Pois, mas os vírus não se deslocam pelos seus próprios meios. Utilizam antes as gotículas e os aerossóis que expelimos naturalmente quando respiramos, falamos, tossimos, etc. E as gotículas e os aerossóis (partículas que permanecem em suspensão no ar) constituem a fonte primária de infecção.

          Logo, o uso de máscaras impede em grande medida a disseminação do agente causador da infecção.

          Com um tão grande número de casos assintomáticos (números verificados no terreno apontam para entre 30% a 75% dos casos), mais importante se torna o uso obrigatório de máscara em todos os espaços fechados.

      3. https://www.fastcompany.com/90483762/why-masks-arent-better-at-protecting-us-from-viruses

        in a standard surgical mask (by far the more common type of mask) reduces transmission of bacteria. Both bacteria and viruses are microscopic microbes, but they differ greatly. Bacteria are living cells, while a virus is a particle that requires a host cell to replicate. A coronavirus virion (particle) is spherical, averaging around 125 nanometers in diameter. Compare that to bacteria’s 1,000-nm size. It’s a grape compared to a grapefruit. A surgical mask whose purpose is to block bacteria will do little to prevent passage of the smaller coronavirus particle.

        1. Vorph, certo, mas será que uma fracção significativa dos vírus é expelida e transportada em gotículas, vulgo perdigotos? Se for o caso, a máscara não diminuiria o espalhamento do vírus em virtude de ser um filtro capaz de reter vírus, mas porque retém gotículas repletas de vírus. Eu não sei a resposta, a pergunta é genuína.

          1. Concordo. Mas no site da OMS não se fala nos vários tipos de máscaras. Surgem apenas as cirúrgicas (verdes, com a parte de cima dotada de um pequeno filamento de arame, que não se ajusta, justapõe, adequadamente ao nariz (fica sempre um pequeno espaço entre o bordo superior da máscara e a cara)

          2. Essa é a mesma organização que não permite a entrada de Taiwan no seu seio, nem mesmo como observador, fruto do veto chinês?

            A mesma organização que se refere a Taiwan, como “Taipei e arredores, China”?

            A mesma organização que afirmava, segundo um “estudo” chinês, não existirem provas da transmissão do vírus entre humanos, quando já aqueles médicos de Wuhan tinham alertado para a existência de uma epidemia?

            A mesma organização que, por essa altura, não defendia a proibição de ligações aéreas com a China?

            A mesma organização que os japoneses designam por “organização chinesa de saúde”?

            E podia continuar com as ligações da Etiópia à China, com o facto do presidente em exercício da referida organização ser etíope, com os indícios de corrupção que vão aparecendo avulso, com o criticismo de que está a ser alvo pela resposta tardia, etc. Mas acho que deu para entender.

          3. “O melhor, nisto como em tudo o resto, é ir à fonte mais autorizada.
            Eis o que diz a Organização Mundial de Saúde:”

            Haha. Por se seguir acriticamente as asneiras da OMS é que estamos assim.

            lucklucky

          4. Nota : não sou de infecto – contagiosas

            Mas, sim Miguel. Contudo as “gotículas” “rapidamente assentam” , não ficando ao nível das vias de contágio/transmissão, (aéreas /ocular/bucal) . Mas para isso é fundamental respeitar as regras de distância sanitária.

          5. «Contudo as “gotículas” “rapidamente assentam”» nas superfícies sólidas onde podem os vírus nelas transportados ficar activos durante horas, ou mesmo dias, dependendo do tipo de superfície (já há estudos, é só procurar).

            Todavia, os aerossóis permanecem em suspensão no ar e neles o vírus pode ficar activo até 3 horas (também já há estudos, é só procurar).

          6. Já desisti. Ganhou. Saia de casa de fato de mergulho.

            Procure : dose infectante mínima viral

            Se todos cumprirem as regras preconizadas minoramos o contágio. Se nos comportarmos como umas bestas, não. E pelo que tenho visto da janela talvez tenha razão

          7. Partilho da mesma duvida, do mesmo modo que o virus precisa de um hospedeiro para se multiplicar também precisará de um meio auxiliar de “transporte” e as gotículas / aerossóis expelidos pelo infetado ou assintomatico terão dimensão suficiente para ficar retidas numa máscara (eventualmente até nas mascaras simples de tecido).

          8. Errado. Só ficarão retidas se forem espelidas por exemplo através de secreções nasais ou bucais, via tosse ou espirro. Aliás a OMS recomenda o seu uso no caso desta sintomatologia estar presente. Agora se o vírus for expelido pelo cone normal de expiração (infectados assintomáticos) é garantido que não fica retido na máscara. Relembro ainda o espaço que se forma entre a cara (grosseiramente entre a zona malar /cânula nasal) e a dita máscara verde cirúrgica. É estreito, diz? Meu caro, falamos em nanómetros, o Luís ou o Miguel que expliquem, mas acredito que saiba.

            É um milionésimo de milímetro!!!!!

            É perigoso fazer uso de um equipamento sem haver nenhum tipo de conhecimento e experiência.

            Distância sanitária, regras de higiene, confinamento. Prático, simples e eficaz

            Nota :ontem, no Drive do Mcdonalds o funcionário usava galhardamente máscara sem usar luvas. Imagino dar trouco, o cartão multibanco, teclas do mostrador da caixa, etc, uma confusão do caraças. Eu estava no carro, paguei com MB móvel, e estava de luvas.

          9. Que tal te informares luck.

            Presentemente quem está exposto a cargas virais altas são os profissionais de saúde/de risco . As cargas virais estão também associadas à replicação viral ocorrida pós infecção, relacionadas, por sua vez, com uma inadequada resposta do sistema imunitário à presença do vírus e não apenas à “quantidade” inicial infectante do vírus (dose inicial infectante).

            Uma máscara trivial (cirúrgica), como um “penso higiénico” , não impede a passagem de uma partícula viral. Uma partícula viral é milhares de vezes mais pequena que uma bactéria. As máscaras estão apenas indicadas para doentes covid positivo e pessoas com sinais gripais (corrimento nasal, com presença de tosse e espirro – responsáveis pela formação de gotículas, respingo, etc).

            Repare o equipamento de segurança dos profissionais de saúde – dois pares de luvas, dois tipos de máscaras (ex:Máscaras N95, ou outras, com filtro HEPA).

            Boa descrição.
            https://youtu.be/ZjqFZrEjdOw

            Recomendo que saia assim para dar uma volta abaixo de Braga :

            https://youtu.be/9HsGqQCLzLU

          10. “Presentemente quem está exposto a Cargas Virais AMBIENTAIS Altas são os profissionais de saúde/de risco (bombeiros, etc)”

            Lavar mãos. Manter distância sanitária. Se for comprar alimentos não me parece adequado ir a espaços pequenos. Não entrar em superfícies comerciais com muitos utentes embora já hajam limites impostos quanto ao número de consumidores que podem estar presentes (levar luvas e saber calçá-las e descalçá-las) e desinfectar as mãos com regularidade.

            Evitar sair à rua. Com “máscaras” , as pessoas deixam de dar importância ao que realmente está recomendado e comprovado, andando por aí como se já nada houvesse.

          11. Eu por acaso só ainda fui à farmácia. Drives para mim, cria-me urticária. Principalmente quando depois vejo as embalagens que foram atiradas pela janela do carro. E preferia que a farmacêutica não usasse luvas e a cada cliente, lavasse as mãos ou as desinfectasse. Assim se não muda de luvas a cada cliente, seja o troco ou o multibanco, ainda fica o vírus mais agarrado. Só se com luvas não levamos as mãos à cara (olhos, nariz e boca).

          12. É verdade. Já há algum tempo afirmei que a contenção seria impossível. O que será possível é um controlo, no tempo, do número de casos. E as medidas mais adequadas serão aquelas que quando postas em prática têm menos possibilidades de serem mal implementadas por aqueles a quem elas se dirigem. Uma coisa é estar habituado a usar este tipo de equipamento (as pessoas têm noção como se devem calçar umas luvas cirúrgicas? A colocar uma máscara? A vestir uma bata cirúrgica? )

            https://vorph.blogs.sapo.pt/necessitamos-como-pao-para-a-boca-de-365636

            Mas cada um que endoideça à sua vontade. Até podem limpar as patas dos cães após o passeio

          13. Ricardo, existem vários tipos de máscaras conforme a ameaça /agente.

            Ex: Máscaras cirúrgicas (de tecido /fibras sintéticas, de cor verde, azulada, etc ) que mais comummente vemos na rua e outras, como por exemplo as N95 (com filtro e capazes de uma justaposição perfeita).

          14. A resposta encontra-se nos números de infectados e óbitos por milhão de habitantes de países como Taiwan, Coreia do Sul, Japão e Macau. onde o uso de máscaras é generalizado e mesmo obrigatório, no caso de Macau, em todos os recintos fechados.

            A evidência encontra-se nesses números que podem ver aqui https://www.worldometers.info/coronavirus/ .

            Na Repúblca Checa, desde há cerca de 2 semanas, e agora também na Áustria, o uso de mascára já é obrigatório em determinadas circunstâncias (desconheço os detalhes).

            E a nossa querida DGS emitiu hoje mesmo norma a largar substancialmente o seu uso https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0192020-de-03042020-pdf.aspx .

    2. As máscaras são essenciais como já venho a dizer desde inicio, só a estupidez da OMS e o desastre que é a DGS.

      As máscaras evitam
      – expelir
      – receber, e receber parcialmente, mesmo que se seja infectado através de uma máscara a carga viral será menor porque parte ficará na máscara e pode ser a diferença entre um caso grave e um caso menor.

      Também não existe o aviso para cortar as unhas rentes.

      Ah a máscara nem é bem colocada… muitos não lavam as mãos como se deve , mas isso não impede de se avisar para lavar as mãos.

      É preciso barreiras, são imperfeitas são, mas o conjunto de barreiras imperfeitas todas somadas pode ser significativa.

      —-
      OMS – organização que se recusa a comunicar os resultados positivos de Taiwan e as lições do país. Organização Mundial de Saúde . Saúde o que é que isso interessa?

      lucklucky

      1. Sim, luck, até acho estranho não ter aproveitado a ocasião para criticar o combate ao Covid-19, tomando – o como exemplo do discurso hipócrita, marxista, das organizações internacionais, marxistas, dedicadas à protecção da natureza, marxista, e espécies em risco, marxistas. Afinal, o COVID-19 tem tanto Direito à Vida como o Ser Humano e o Mexilhão-Lapa-Peregrino (lapus mexia paracrinus) .

      2. “- receber, e receber parcialmente, mesmo que se seja infectado através de uma máscara a carga viral será menor porque parte ficará na máscara e pode ser a diferença entre um caso grave e um caso menor.”

        If you have a high viral load, you are more likely to infect other people, because you may be shedding more virus particles. However, in the case of covid-19, it doesn’t necessarily follow that a higher viral load will lead to more severe symptoms.

        https://www.newscientist.com/article/2238819-does-a-high-viral-load-or-infectious-dose-make-covid-19-worse/

      3. Dr Michael Skinner, Reader in Virology, Imperial College London:

        It is unlikely that higher doses that would be acquired by being exposed to multiple infected sources would make much difference to the course of disease or the outcome. It’s hard to see how the dose would vary by more than 10 fold. (Although differences have been seen in lab animal infections with some viruses, those animals are inbred (genetically similar to respond in the same way). It’s unlikely that we’d see the differences as statistically significant in out-bred humans.)

  2. Que lógica nos leva a soltar delinquentes e manter os velhos em reclusão?

    É a mesma lógica fosca que nos levou a fechar as escolas ao mesmo tempo que mantemos as fábricas abertas.

  3. O cordão higiénico que a Câmara Municipal de Lisboa decidiu colocar há dias, da noite para a manhã, foi arrancado em todos os bancos de jardim e de rua

    Esse cordão higiénico dizia (pelo menos num jardim perto de minha casa) que era devido a terem aplicado nos bancos de um desinfetante (hipoclorito de sódio).

    É normal que as pessoas esperem que esse desinfetante passe e depois voltem a sentar-se nos bancos.

    A CML não dizia que fosse proibido as pessoas sentarem-se, somente que era devido à aplicação de desinfetante. Tratar-se-ia portanto de uma recomendação para não-uso temporário.

    Penso eu de que.

  4. Há um mês que não via tanta gente na rua.

    Fazem as pessoas muitíssimo bem. Não é proibido andar na rua. Eu todos os dias tenho andado na rua pelo menos uma hora, sem que jamais alguém me tenha tentado impedir de o fazer.

    As pessoas podem e devem andar na rua, mas ter cuidado de não respirar para cima umas das outras e de se manterem afastadas umas das outras. E de não tocar com as mãos em qualquer superfície.

    1. Não é proibido andar um bocadinho na rua todos os dias, mas não é, de todo, recomendável ficar na rua, muito menos se houver outras pessoas e muito menos em amena cavaqueira e sem os cuidados adequados. Se não, de que serve a quarentena?

  5. Utilizei hoje o meu saco de serapilheira e o chocalho. Não deu resultado. Curiosos e comentários interessantes abundaram.

    Amanhã vou vestido de pintor com uma lata de tinta aberta!

    Smoreira

  6. Eu também tenho reparado na minha área de residência que há cada vez mais pessoas na rua e que algumas mantém o trabalho ou retomam a ele como nada se passa-se.
    Eu contínuo a trabalhar porque aí isso estou obrigado (moralmente também) apesar de ter em casa membros de um grupo de risco embora faça tudo para evitar contacto …
    Quanto ás distâncias de segurança tento mantê-las dia-a-dia mas no trabalho é impossível mesmo.
    Embora o holandês tivesse sido repugnante e a voz do dono, obviamente Portugal não tem estaleca para efectivar qualquer recolher obrigatório / estado de emergência, basta analisar o passado recente com as catástrofes anuais dos incêndios, falta sobretudo disciplina, método e gente capaz não escolhida por laços partidários / familiares (não sei se é ao contrário) nos lugares de chefia.
    Atendamos por exemplo o estado calamitoso das nossas FA e forças de segurança.
    Estamos quase no 25 de Abril, que nos trouxe a democracia, cada vez mais um verbo de encher pois para o português comum, a democracia é confundida com laxismo, o deixar andar e quem vier a seguir que resolva. Ainda por cima calhou-nos nesta altura e uma vez mais um prodigioso governo xuxalista acolitado num PR que não tem noção do ridículo, o anterior PR era ainda pior, aliás a qualidade da “democracia” tem vindo a descer desde o 25 de Abril.

    WW

    P.S. – Num outro post do Pedro Correia (comentário da semana) disse que havia na minha área de residência pelo menos uma agência da CGD fechada devido ao covid-19 e que só atendiam por marcação e teriam de ser assuntos urgentes (muitíssimo), ora isto não pode ser… ou haver autarcas que mandam mais que ministros ou directores gerais e autarcas vizinhos com opiniões / acções diametralmente opostas só porque têm agendas pessoais.
    Depois os paladinos da democracia rasgam as vestes quando o povo (os povos) não votam da maneira que eles acham correcta e tentam até ao ultimo momento torpedear a vontade do povo intoxicados (os paladinos da democracia) pela sua alegada superioridade intelectual e moral.

    1. Parece-me importante, o alerta que deixa no seu P. S. Não apenas no que se refere à CGD mas também (e sobretudo) no que se refere aos autarcas, numa altura em que vários deles parecem alinhar numa espécie de concurso público para se perceber quem toma medidas mais musculadas.
      Pena que alguns deles não tenham tomado as medidas profilácticas adequadas quando se impunha.

  7. Pelo Porto também vejo uma certa normalidade na rua. E também não consigo arranjar explicação lógica para os indultos. Ainda que seja questão de perigo sanitário e de superpopulação não haja dúvida que são escolhas do microclima mental que nos governa e preside.

  8. Por acaso reparou se algum familiar tentou ir buscar o seu idoso ao lar? E viu a estatística dos que fizeram tal? Se é que alguns o fizeram e fui eu que não dei por tal. Não sei como serão recebidos em casa os prisioneiros, mas quase que adivinho o não lugar dos velhos. E agora o covid faz o resto do serviço. Que tristeza!

    1. Cara senhora Bea.
      Talvez os pri… ex-prisioneiros não tenha nenhum interesse em ir para casa. Vão para a rua, de preferência criar ajuntamentos a fim de uma “proveitosa” disseminação do vírus, dado que quanto mais bicho houver menores probabilidades de encarceramento terão. 🙂
      Não sei, acho.
      Um excelente fim-de-semana.

  9. Estando em reclusão há semanas (excepção para compras, farmácia, pôr o chasso a trabalhar e despejar do lixo + eco), e em quarentena há uma, espero que o Dr Prof Marcelo faça como o homólogo tailandês e dê ordem para atirar. Pronto, uma bala de borracha, para amaciar o pêlo. Ou uma daquelas cenas que dá choques. Fazer a apreensão do calçado ali também não era mal pensado.

    O portuga não deixa de surpreender pela sua noção de solidariedade e visão da sociedade. Lembra-me uma conversa que tinha com um indivíduo zangado pelas filas enormes de trânsito que tinha de aguentar na 2ª circular. O seu raciocínio, se as (outras) pessoas não fossem uns comodistas e usassem os autocarros e metro, não haveria trânsito e ele circulava à vontade.
    Agora temos os que vão dar a voltinha mas não se cruzam com ninguém. Até está melhor para os runners na cidade grande, menos obstáculos.

    1. Não é o homólogo tailandês do nosso Presidente: é o homólogo filipino. O tal de gatilho fácil.
      O “homólogo” tailandês de Marcelo Rebelo de Sousa é o Rei da Tailândia, que se refugiou na sua (dele) mansão na Alemanha, acompanhado de harém privativo, putativamente para se manter a coberto do coronavírus:
      https://nypost.com/2020/03/30/king-of-thailand-isolates-from-coronavirus-with-20-women/

      (Não sei como, pois há bastante mais infectados na Alemanha do que na Tailândia.)

  10. OK. Vai uma aposta. Quinta do Crasto Reserva

    Aposto que vai haver missa pascal nalgumas aldeias, lugarejos, vilarejos, onde judas perdeu as botas, como demonstração de crença. E aposto que vai haver diáconos de deus, levantando o compasso, contra o passo de espera demandado pelos profanos e falhos de fé.

    PS:estou palavroso porque não tenho nada para fazer. Já aspirei a casa 2 vezes. A seguir vou lavar o chão. Contudo ainda não perdi o paladar e o olfacto, boas noticias, embora desconfie ter perdido o juízo.

    1. Ena! Quinta do Castro Reserva. Isso é jóia, caro Vorph.
      E isso de aspirar a casa é frequente, ou são danos colaterais devido a um juízo assim mais periclitante?
      Um excelente fim-de-semana.

    2. Ahahah … adorei o seu P.S., muito bom!

      Também tenho as maiores dúvidas quanto à bondade da medida a aplicar aos prisioneiros. Saem e vão para onde, será que todos têm casa ou lugar que os recolha? Fazem teste antes de sair? Não fazem e ficam aptos a contaminar ou ser contaminados? E os que ficam, fazem teste? Enfim, n perguntas que se me ocorrem. Parece-me que seria mais eficiente bolar um controlo em contexto prisional do que disseminá-los por aí e entregá-los à sua sorte.

      1. Fácil, Fátima. Os reclusos entretanto libertados que não tiverem para onde ir cometem agora um crime de desobediência e são assim conduzidos de novo à prisão. Até a ministra da Justiça propor novo perdão de pena e o Presidente decretar novo indulto – e assim sucessivamente, num dinâmico entra-e-sai.

  11. Quanto ao uso obrigatório de máscara no interior de recintos fechados, já dei a minha contribuição em posts anteriores neste blogue. Uma contribuição fundamentada na evidência dos números e na opinião de vários especialistas.

    Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/aprender-como-nao-se-faz-11450367#comentarios .

    Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/lavouradas-da-semana-11428650#comentarios .

    E também noutros posts, que não os quero maçar.

    Até já tinha colocado a seguinte questão: “Quando requisita o governo, conforme previsto no decreto do estado de emergência, empresas para fabricarem as máscaras necessárias ao uso obrigatório por toda a população no interior de todos os espaços públicos e acessíveis ao público?”

    Hoje, finalmente, a DGS emitiu uma norma (que podem encontrar neste link: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0192020-de-03042020-pdf.aspx ) que alarga substancialmente a recomendação do uso de máscaras.

    Nessa norma, a DGS refere que o uso de máscara cirúrgica se recomenda a pessoas com “sintomas de infeção respiratória”, a “todas as pessoas no interior de instituições de saúde” e ainda noutras situações.

    Deo gratias! Já é alguma coisa, mas continua a ser pouco, muito pouco.

    1. “a DGS refere que o uso de máscara cirúrgica se recomenda a pessoas com “sintomas de infeção respiratória”, a “todas as pessoas no interior de instituições de saúde” e ainda noutras situações.”

      Porque os utentes e Profissionais estão em Ambientes com Cargas Virais potencialmente muito Altas. O ambiente de um hospital é diferente do de uma rua.

      1. Vamos analisar isto com objectividade.

        Quando “a DGS refere que o uso de máscara cirúrgica se recomenda a pessoas com “sintomas de infeção respiratória”, qual é o pressuposto?

        Para mim não existem dúvidas. Parte-se do princípio lógico que o uso de máscara por pessoas com “sintomas de infeção respiratória” pode contribuir para diminuir a disseminação do vírus. Trata-se, assim, de tentar proteger terceiros de outros potencialmente infectados.

        Tendo em consideração que os números de que dispomos até ao momento evidenciam uma grande percentagem de casos assintomáticos, entre os 30% da Coreia do Sul e os 50% a 75% daquele estudo epidemiológico realizado no terreno em Vò, vila italiana com 3300 habitantes onde surgiu o primeiro caso diagnosticado em Itália e que conseguiu debelar a epidemia, torna-se evidente que o uso de máscara não se devia recomendar apenas a pessoas com “sintomas de infeção respiratória”.

        É claro que, como afirma, “O ambiente de um hospital é diferente do de uma rua.” Mas a nossa querida DGS não refere hospitais nem ruas. Refere que o uso de máscara cirúrgica se recomenda a “todas as pessoas no interior de instituições de saúde”.

        De um ponto de vista pragmático, pelo que escrevo acima e perante a evidência dos números de infectados e de óbitos por milhão de habitantes de países como o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan e Macau (sei que Macau não é bem um país), o uso de máscara deveria ser obrigatório no interior de todos os espaços fechados.

        Em Macau é isso que se passa. Na República Checa e mais recentemente na Áustria, também o uso de máscara é obrigatório em determinadas circunstâncias, de que desconheço os detalhes. Soube ontem que também nos EUA o seu uso passou a ser recomendado, incluindo a utilização de qualquer barreira que tape o nariz e a boca, caso não existam máscaras disponíveis.

        Entretanto, no Japão, na Coreia do Sul e em Taiwan, os restaurantes continuam abertos, a generalidade das pessoas usa máscara, estas não se encontram esgotadas e a vida continua sem quarentenas cegas transformadas em comissões liquidatárias da economia que nos resta.

          1. Apenas procurei ser objectivo. Mas gostei da gentileza.

            Retribuo os seus votos e espero que tudo corra bem a si e aos seus.

  12. Esta situação está ficar demasiadamente parecida com o filme V de Vingança e os presos devem ser deixados nas cadeias enquanto não controlarem o vírus nos idosos

  13. Segundo a DGS a morte ocorre em média 8 dias após a deteção dos sintomas. É por isso que p.ex. no Algarve demoram 10 (!) dias para fazer os testes nos lares……. Mais palavras para quê?

  14. A DGS afirma que um infectado morre em 8 dias após a deteção dos sintomas. Deve ser por isso que p.ex. Nos asilos do Algarve demoram 10 (!) dias a fazer os testes…….. Mais palavras para quê?

  15. Tem razão, nestas matérias somos todos aprendizes. Mas enquanto uns se reconhecem neste estatuto, outros armam-se em doutores da mula ruça, sem qualquer pudor: desdizem hoje o que solenemente afirmaram ontem… e a gente que os ature! Paciência e caldos de galinha!… Abraço!

  16. Na verdade, isso é uma prova cada vez maior da real preocupação das pessoas, estilo ” faz aquilo que eu digo, não faças aquilo que eu faço”!
    Da boca para fora, estamos todos ” muitíssimo preocupados” e ficamos chocados com a negatividade sobre o vírus, tumba negra que nos é vendida nos telejornais e outros.
    No concreto, cada vez mais o povinho perde o “medo” injetado 24 sobre 24 e atura com impaciência e meia-indiferença a publicidade dos vendilhões comunicativos ( plataformas das redes sociais, jornais, canais de televisão e rádios).
    Deixemo-nos de tretas e sejamos reais e assertivos: a continuar este cenário, em breve teremos o país exausto e a arriscar mais numa SARS do que num esgotamento coletivo.
    É absolutamente impossível as pessoas manterem-se fiéis e aguentarem por muito mais tempo este comportamento depressivo e estático. A barragem rebenta, mais cedo do que mais tarde, que fique previsto.

  17. gostei muito do termo “falta de coerencia”, e ocorre-me a cena “quem nao tiver telhados de vidro que atire a primeira pedra”.

    Na mesma, e aparentemente um blog, no caso, serve para o autor se expressar, mas por aqui, nao se fica a saber nada, se o autor acha que deveria ser diferente ou assado. .

    Esta omissao tem ao menos o beneficio mas para o proprio, de amanha nao ser apanhado em incoerencia.

    sim, sim, ainda nao é desta que vejo o PC ser mais papista que o papa, e tomar a dianteira dos patroes na reclamaçao de fundos e mais fundos a fundo perdido.

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