Diário do coronavírus (10)


Pedro Correia,

 

Os restaurantes reabrirão na próxima segunda-feira. Não todos: cerca de um terço permanecerão fechados. Os proprietários decretaram falência, não aguentaram dois meses sem receitas, recusam acumular mais prejuízos. Porque, mesmo com a reabertura agora anunciada, os tempos serão muito difíceis. As pessoas desabituaram-se de comer fora e mantêm sérios receios sobre o rumo da pandemia. Quem não arrisca, não petisca – diz o ditado. Aqui é ao contrário: muitos dispensam o petisco, continuarão sem arriscar.

Tenho-me questionado, por estes dias, como será angustiante o quotidiano daqueles (ou daquelas, usemos o léxico em voga) que não cozinham. Conheço gente que não sabe estrelar um ovo, que é incapaz de fritar um bife, que ignora como se coze arroz. Nas filas das caixas de supermercado (soa já a antigo escrever assim), habituei-me a identificar as pessoas que cozinham por aquilo que compram. Se levam carne, peixe, ovos, legumes frescos – isso constitui um sério indício de que não se atrapalham entre panelas e frigideiras. Quem só leva latas e comida pré-confeccionada, evidencia elementar falta de perícia na cozinha. É o caso de muita gente jovem. Incluindo um número crescente de mulheres, algo impensável em gerações anteriores. 

 

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Se algo me trouxe de bom este já longo período de reclusão imposta pela força das circunstâncias, foi a redescoberta do prazer de cozinhar. Que inclui a planificação de ementas e a aquisição de víveres em função delas, além da preparação dos pratos em contínuas experiências culinárias para sacudir a modorra da rotina. Experiências bem-sucedidas, devo confessar com um grão de orgulho. E devidamente recompensadas, desde a fase em que irresistíveis odores vão invadindo a cozinha até ao momento em que a travessa chega à mesa. 

 

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Como já me puxa ao apetite enquanto escrevo estas linhas, apetece-me recordar aqui algumas das iguarias que tenho confeccionado com mais frequência nestas nove semanas sem frequentar restaurantes. 

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                                                                            Arroz de chouriço                                                                                                                           caldeirada de raia.jpg                                                                          Caldeirada de raia

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               Espargos, presunto e ovos                                Frango com mostarda e vinho do Porto

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           Massa com requeijão e cogumelos                    Ovas com pimentos e  milho doce

 

Acompanhei-as, por vezes, com leituras. De escritores gastrónomos, como Rex Stout ou Vásquez Montalbán. Ou Mario Vargas Llosa, que faz reiteradas e sempre entusiásticas referências à boa mesa. Já para não falar em vultos da nossa literatura, como o incomparável Aquilino Ribeiro, que se regalava com um petisco bem confeccionado, empurrado por pinga a preceito.

Aqui ficam três citações, com a devida vénia, ao mestre que nos legou monumentos à língua portuguesa e expressivas homenagens à arte culinária:

De Quando os Lobos Uivam: «Filomena tinha-lhes um bom caldo de grão-de-bico adubado com pespé de cerdo e uma arrozada de coelho bravo. Comeram-lhe bem, beberam-lhe melhor.» (p. 95).

De Volfrâmio: «Na trempe, como muito bem calculara, frigia uma boa febra de porco com fígado do mesmo, o fígado do suíno beirão que é melhor que de vitela e se dissolve formando um molho sobre o grosso que é o regalo dos regalos.» (p. 221)

D’ A Casa Grande de Romarigães: «Desde esse momentinho entregaram-se gostosamente à tasquinhação. O Lopes Calheiros trazia um lombo de vinha d’alhos, que era a primeira maravilha do Minho gastronómico. E estavam discorrendo sobre receitas culinárias – não há como o arroz de lampreia, se lhe adicionarem uma colher de manteiga de pato; uma posta de salmão com salada de alface e rodelas de cebola tenra vale um ano de Paraíso, hem, Padre Tirteu? Deixem lá, perdiz com couve murciana fermentada bate todos os petiscos inventados e por inventar.» (pp. 260-261)

 

Grande Aquilino: depois dele, e de Agustina, quase só encontro escritores enfastiados cá na terra. Matutam imenso, mas manducar não é com eles.

Ora vão por mim, caríssimos: fastio, nem vê-lo: haja apetite, haja saúde. E que o vírus se mantenha à distância. 

58 comentários em “Diário do coronavírus (10)”

  1. Parabéns Pedro, por este seu postal.
    Cá em casa sempre se cozinhou, mas desde há muito que não se fazia pão. Agora tenho-me regalado com os muitos tipos de pão que a minha mulher tem feito. Um regalo.
    Um regalo que não é só nosso, pois o fermento de padeiro passou a ser difícil de encontrar, mesmo nas grandes superfícies, sinal evidente que o que aconteceu connosco, está a acontecer em muitas casas. Eis uma vantagem inesperada do covid19…

    1. Porque não compra pão como costumava fazer?
      Eu compro pão, como sempre comprei, e nos mesmos locais em que sempre comprei.

      1. Porque nos dá gozo e porque é uma boa maneira de ocupar o tempo. Acredite que é também uma boa terapia para afastar algumas doenças.

        1. Nem mais! o trabalho desaparece afastado pelo prazer que emerge.
          De vez em quando também faço pão e descobri uma receita deliciosa.
          Faço o pão como todos fazem, mas no lugar da água adiciono um iogurte natural por cada 200 gramas de farinha. Se necessitar de água, vou acrescentando.
          Mas a minha verdadeira especialidade é a massa folhada. 🙂

          1. Tomei a devida nota, Cunhado. Quanto ao leitor anónimo, o nosso amigo TaA respondeu muito bem: é uma excelente forma de passar o tempo, tem efeitos comprovados enquanto profilaxia psíquica, permite antecipar e prolongar o prazer de comer, e tem inegáveis vantagens comparativas no capítulo sanitário. Sabemos lá quem e como, lá fora, cozinha para nós…

    2. Vantagem inesperada do “bicho”, sim. Diz bem, caro TaA.
      Ainda não me aventurei no pão, que aliás consumo muito pouco, mas lembro-me que no tempo da minha avó era corrente fazer-se em casa.
      Há males que vêm por bem: a pandemia em curso permite descobrir e redescobrir vocações domésticas. E poupar dinheiro, por via disso.

  2. Agora é só substituir o tomilho seco por tomilho fresco e o tomate de lata pelo tomate “verdadeiro” e está feito! :-))))

    Já agora, Pedro. Tomate pelado ou mesmo polpa em lata, fique-se pelos italianos, são mais caros, mas vai ver que valem bem a pena, além de que são 100% tomate – compare com os melhores de cá e vai ver 😉

    Gostei especialmente dos espargos com presunto e ovos, sentou-me na Extremadura à beira da estrada a comer qualquer coisa…

    1. Uma pergunta,esse tomate italiano que fala é fácil encontrar? Obrigada. Quanto aos pratos apresentados,muito bom aspecto.

      1. Muito fácil, a Mutti tem um que até tem manjericão, vende-se em lata: https://www.mutti-parma.com/es/productos/tomate-triturado/tomate-triturato-finemente

        Pingo Doce, ECI e Intermarché têm com toda a certeza.

        Depois tem esta “passata” da Cirio, encontra no Continente e no Auchan, por exemplo: https://www.continente.pt/stores/continente/pt-pt/public/Pages/ProductDetail.aspx?ProductId=2914484(eCsf_RetekProductCatalog_MegastoreContinenteOnline_Continente)

        Não têm conservantes, não são tão ácidos.

  3. Ora, grande feito. Bah!
    Há que tempos, e sem o bicho, que a mulher cá de casa sou eu. E com o malvado metido na vida da gente só tenho vindo a aperfeiçoar.
    Cozinhar, compras, fazer a cama das princesas, meter a lavar as roupas das princesas, engomar a roupa da princesa mais nova, aspirar, arrumar, meter a loiça na máquina, arrumar a cozinha, depositar o lixo, e por aí adiante.
    Com certeza, presumo, por cozinhar um arrozinho à maneira não vai querer ser elevado à categoria de herói. Ou vai?
    Aposto que nem sabe cozer um ovo sem o partir.
    E os segredos do mel no caril, ou num ensopado de borrego, Sabe? Hã hã, sabe?

    1. Mel no caril, sim. Tem razão: na dose certa, melhora.

      Ensopado de borrego, ainda não me aventurei. Mas está na minha lista de prioridades.
      Mas já fiz sopa de cação. E passou no teste.

      No resto que enumera, desenrasco-me em tudo. Seguindo aliás o excelso exemplo do nosso Presidente Rebelo de Sousa.

      1. Fez sopa de cação e passou no teste.
        Claro que passou! passa tudo no teste. Assim haja alegria colaboracionista, que passa sempre tudo no teste.
        Muito me apraz constatar que no geral, o género do qual faço parte ainda se mantém grande. Tirando um anónimo “macho comme il faut”, todos se elevam pela grandeza de saber que se a eles custa, a elas custa muito mais.
        Toda a força de um homem está em compreender isso, e não em gritar-lhe por bater com um pouco de mais força a porta do carro.

        Continuação de excelentes acepipes, paz e alegria.

  4. O que este vírus veio provar, é que os portugueses “papam” de tudo. Dos frescos aos enlatados, dos Costas aos Marcelos, das Temidos, à Graças, dos Centenos aos Novos Bancos.
    A diarreia que se segue é que não vai ser bonita de se ver.
    Nem todo o papel higiénico da Renova vai dar para limpar. Muitos vão infelizmente e por muito tempo atafulhados nela.

  5. Não sabem cozinhar, aprendem (os que não têm tempo é outra coisa). Em vez de investirem tempo em “workshops” de tudo quanto é tanga inútil ou mandarem séries, aprendam a cozinhar. O que não falta são livros e coisas na NET.
    Também aprendi sozinho, e fiz muita m**da de início. Comida da cantina fartou, se queria comer era isso…

    PS: ir a restaurante, só mesmo ao almoço em caso de necessidade. Como lazer, usar máscaras e lavar as mãos mais que o Pilatos, não obrigado.

    1. Fui eu, fui eu.
      O covidas atacou o browser.

      Arroz de peixe, caldeirada de cação, atum grelhado, chili com carne, caril de legumes…

  6. Ora aqui está um post de encher o olho e o estômago !! Acabei agora de assar um lombo de porco, marinou em sumo de laranja e vinho tinto, foi untado com um preparado de manteiga,colorau,sal ,alho,pimenta preta,limão,tomilho e manjericão
    Acamou em cima de rodelas de alho francês,cenoura e tomate. Rodeou-se de pimento vermelho,batatas pequenas, novas, levou um toque de azeite,vinho tinto,polvilhou-se com salsa picada e ala, forno.

    Beber-se- à o tinto da adega cooperativa de Pegões, corrente,honesto e óptima relação qualidade – preço.

    Abraço amigo e bom proveito

  7. Pedro questione – se porque é que os alunos no 12ano podem não ir a todas as aulas mas não podem ir apenas à disciplina para a qual vão fazer o exame de acesso ao Ensino Superior?

    Eu explico. Um aluno que queira informática e que necessita apenas do exame de matemática pode decidir a ficar em casa caso não vá assistir a nenhuma disciplina. Caso pretenda ir apenas às aulas de matemática, tem forçosamente de ir às outras. Isto não faz sentido nenhum. Oxalá a oposição pegue nisto

    1. A minha filha recebeu hoje uma dúzia de PDFs com burocracia dura – orientações cheias de referências a portarias e decretos-lei. É uma garantia de que nenhum miúdo vai ler.
      Recebeu também 3 horários diferentes. Nem eu entendo o que está ali. Se percebi bem, terá uma aula presencial, seguida duma aula pelo Teams porque o professor está num grupo de risco, e logo a seguir outra aula presencial.
      Se percebi bem, a carga horária é igual ao dantes, se percebi bem os meninos podem saír ao intervalo, e se percebi bem isto vai dar merda.
      Se percebi bem isto foi pensado por quem, ou não tem filhos, ou estão em escolas privadas onde tudo correrá muito bem.

      1. Mas acha que os filhos dos deputados, incluindo dos deputados do pcp e do be, estudam aonde? Na escola secundária da pontinha?

        Já aqui foi escrito por alguém, quem legisla, que é a assembleia, está completamente desfazada e afastada da realidade…. e quando vai legislar, consulta quem também está, em vez de consultar quem trabalha diretamente e na linha da frente do problema.

        É assim com tudo, porque seria diferente agora?

      2. António, eu assisti, on line, à conferência dada pelo secretário de estado da educação à CONFAP. Tudo conversa de encher chouriços. Exceptuando a parte em que o governante diz ser cocho, não percebi qual a lógica subjacente ao que foi decidido. Os miúdos do 12°ano têm todas as faltas justicadas, caso decidam ficar em casa. Se pretenderem ir assistir presencialmente às aulas da disciplina de exame são obrigados a ir a todas. Ex: o meu filho quer informática só necessitando de fazer exame de matemática. Se pretender ir às aulas da disciplina tem de ir às de português, ou terá faltas. Se decidir ficar em casa, não indo à nenhuma das aulas, as faltas ficam todas justificadas.

        Onde anda o PSD? E mesmo o Pedro Correia? 🙂

        1. O Pedro Correia anda hoje às voltas com ideias teutónicas: Kant, Hegel, Marx e Nietzsche.
          E (falando em Nietzsche), em eterno retorno, viaja também à poesia de Manuel Alegre, que hoje celebra 84 primaveras.

          1. Tudo de bom para vós, Pedro.
            Kant tentei, mas não consegui. Marx, idem aspas. Hegel li a Filosofia da História (comprado na Almedina, do Fórum Picoas /Saldanha)

            Nietzsche é um grande prosador. Um poeta. Lido em alemão consta ser sublime. Comprei grande parte dos seus livros, na Guimarães editora,ali para os lados da Rua da Conceição, salvo erro. Ainda por lá vi e ouvi algumas conversas platinados com o Dr. Paulo Teixeira da Cruz.
            Lisboa é uma linda cidade….

  8. Caro Patrício:

    A caldeirada de raia tem “marchado” algumas vezes, bem como a de bacalhau.

    As sobras de umas favas com chouriço, morcela e moura do Fundão deram origem uns dias mais tarde a um fenomenal arroz de fava com enchidos.

    Quanto a inovações também tem havido: Uma garrafa de espumante Freixenet, que estava no frigorífico desde a “final eight” de futsal, que não chegou ao fim, (mesmo à porta fechada), em virtude da eliminação da “melhor equipa de futsal da época de 2019”, (tivesse sido outro o resultado, e teriam sido efetuados os jogos restantes, menos que os já realizados), mas adiante o Freixenet não se bebeu na final, mas serviu para cozer umas peras-rocha.
    Ao espumante adicionei um bom copo de moscatel de Setúbal e um cálice de limoncello (para aromatizar), um pau de canela e uma estrela de aniz.
    Depois de cozidas e arrefecidas acompanhei com um gelado de baunilha e avelã.

    Vem aí o tempo das cerejas e muitas receitas com elas: gaspacho, tartes, com natas, com iogurte …

    Abaixo o fastio, viva o apetite

    Um abraço e muita saúde

    Leão do Fundão

    1. Ena, meu caro patrício. Imenso gosto em “vê-lo” por aqui.

      Parabéns pela criatividade gastronómica: como creio que alguém já terá dito, cozinhar reforça o nosso sistema imunitário.
      Se ninguém disse, digo eu agora.

      Forte abraço, e continuação de boa saúde. Que o apetite jamais nos falte.

  9. Confesso que desde que cozinhar virou obrigação que perdi esse prazer de cozinhar, faço porque sou obrigada e se alguém quiser cozinhar por mim até agradeço..

  10. É uma vergonha…

    As raparigas estão cada vez mais preguiçosas, não sabem cozinhar, e tem a mania das magrezas para parecerem modelos.

  11. Não vejo nenhuma diferença substancial entre a situação anterior e a atual para quem não saiba cozinhar. Dantes comia em restaurantes, agora em restaurantes come. É basicamente a mesma coisa, a mesma comida.
    A única diferença é que agora tem que ir buscar a comida ao restaurante e consumi-la em casa. Que é o que tenho feito em todos os almoços.

    1. Lamento dizer-lhe que até acho que V. deveria ser excluído aqui no blogue… Porque razão? Bom, porque é evidente que V. até não conseguiu perceber a “essência” dele: por aqui, todos aqueles machos que parecem ofendidos com o “PC” que domina o nosso universo, não só cozinham para o resto da família, como até, enquanto eles se degladiam que nem primatas selvagens, por causa dos seus acepipes, eles até já estão ocupados com outras lides domésticas…
      Este é, assim, um verdadeiro blogue de machos revolucionários – o que, evidentemente, até não é o seu caso: V., definitivamente, pactua com o actual status quo de opressão dos machos…

      Mas já agora cá vai o meu contributo solitário para aliviar o peso da opressão dos machos aqui do blogue: Frango à Brás!
      No dia anterior, cozer um peito de frango em água com alho e folhas de louro. Quando o peito estiver cozido, retirá-lo bem como os dentes de alho. Desfiar o frango e triturar o alho cozido – cuidado especial com os tendôes, espinhas e todos os restantes ingredientes indesejáveis da galinha.
      O quê? O peito da galinha não só não tem espinhas como não tem nada do que mencionei… Hmmm, é evidente que Vcs. não sabem do que falam!
      Mas continuando a receita:no dia seguinte, fazer um refogado de uma cebola picadinha com alho até não menos picado. Juntar ainda os talos de coentro e os pimentos fatiados finamente. Quando o refugado estiver no ponto, juntar o peito da galinha devidamente desfiado – se os que nos controlam aqui, o permitirem. Nesta altura, há que se lhe juntar (mesmo que “whatever”!) aquele “toque mágico”: 4 colheres de sopa de sal e, outras tantas de pimenta! Este “toque mágico” é um verdadeiro certificado de garantia de todos os machos que aqui no blogue, insistem ter sido eles que até têm impedido que os seus agregados familiares tenham passado fome.
      Hmmm, é como diria o outro: não é que eles agora, até são tão gays!..
      O resto da receita? É só retirar a frigideira do fogão e derramar-lhe 3 ovos mexidos com coentros, manjericão e outras ervas, para além da paperika, cominhos e sei lá mais o quê que gostem – eu junto, habitualmente, uma colher de caril em pó… ah, e não se esqueçam da azeitonas em quartos!

  12. adoro cozinhar , invento imenso , com pouco dinheiro e sai sempre tudo bem -:) no outro dia , não tinha peixe , pois fiz uma caldeirada de batatas pequenas com pele e ovos escalfados e coentros …estava tão bom .
    hoje , o jantar é : coelho com couve e feijão servidos ?

    1. Ena.
      Parabéns pela criatividade. É assim mesmo: há que “dar a volta ao texto”.

      Bom apetite!
      (Acaba de me pôr com vontade de fazer o almoço).

      Hoje, por aqui, vai ser um guisado de frango e feijão branco, com arroz de tomate e funcho.

  13. Boa tarde Pedro Correia
    Que esteja tudo bem consigo. A daqui lhe endereço uma chapelada por este texto.
    Pela minha parte, homem já dentro do chamado grupo de risco, esta fase da nossa vida em nada alterou a questão culinária isto é, eu e minha mulher cozinhamos mais vezes pois em dia nenhum vamos a restaurantes, mas não tem sido muito mais, pois na medida das nossas possibilidades temos ajudado (take away) dois dos restaurantes que mais visitávamos.
    Sem me pretender imiscuir nas artes de outrem e sobretudo respeitando os dotes de cada um, cá por casa quer para carnes no forno quer para peixes, a “cama” que lhes fazemos leva sempre cebola branca e roxa, alho francês, algumas vezes palitos de cenoura, ramos de ervas variadas, e quando se trata de peixe, a barriga é bem recheada com ervas diversas, frescas.
    A minha idosa mãe a dois meses dos 95, pôs-me a cozinhar aos 15 anos, ervilhas com ovos escalfados, ervilhas que nessa época coziam facilmente em panela normal; hoje tem que ser em panela de pressão ou a casca fica dura.
    Os nossos livros de cozinham têm sido bem pesquisados, alguns datam dos anos 20/30 do século passado.
    Saúde.
    António Cabral

    1. Obrigado pela partilha que aqui nos traz, meu caro António Cabral. Gostei muito de o ler.
      Votos de boa saúde para todos aí em casa e, em particular, a minha homenagem à Senhora sua Mãe.

  14. Acho indecente colocar-se fotografias dessas assim sem um aviso prévio de Perigo. Engorda-se só se olhar. Está tudo aprovadíssimo, salvo o requeijão. E registo a preferência pela Savora, a velha mostarda de sempre.

    Mas lá terei que fazer a defesa da mulheres que não estão viradas para os tachos. É diferente cozinhar porque se tem prazer nisso ou ter de fazer almoço e jantar – diariamente e uma vida inteira – por ser suposto. Percebo perfeitamente que muitos acedam às facilidades dos pré-confeccionados e dos take away (apesar de saber o mal que os primeiros fazem à saúde e os segundos à carteira), sobretudo no caso das mulheres com vidas atarefadas, com milhentas coisas para fazer e tratar ao mesmo tempo. Ou, então, para as mais velhas, que depois de uma vida inteira na cozinha, vêem com bons olhos o merecido descanso.

    Ando ali no limbo. Sei cozinhar o trivial e pouco mais do que isso mas não perco muito tempo, senão em dias em que estou para aí virada. Foi nesta quarentena que finalmente aprendi a fazer arroz seco e solto. Já tinha pedido conselhos a várias pessoas e lido outros tantos. Ele era tirar antes de acabar de cozinhar (o que faço sempre), ele era umas gotas de limão, e o sacana nada. Descobri sem querer que afinal o problema é que há vinte e tal anos que usava pouco azeite/óleo. É o que dá ser unhas-de-fome.

      1. Arroz seco e solto: é assim mesmo que gosto dele. E no Norte fazem-no com uma arte digna de inveja.
        Não contem comigo para arroz “malandrinho”, que em regra tem de ser comido com colher. E, em casos extremos, até exige escafandro.

  15. Não sou tão sofisticado na minha cozinha, mas também não passo fome.
    Gosto de cozinhar e só lamento ter aprendido tão tarde…
    Agora temos mais tempo… Para mim, o mais importante é saber o que fazer com o que tenho à mão…
    Espero e faço votos por que um dos resultados desta pandemia seja as pessoas aprenderem a cozinhar… a sentirem-se livres, auto-suficientes, capazes da dar a volta às dificuldades…
    A cozinha é um exemplo da vida que tem de mudar; nomeadamente para uma geração que cresceu com tudo feito, pronto a comer, a vestir, a desfrutar sem esforço e sem lhe reconhecer sequer o valor…

  16. Gostei do prato de espargos, a experimentar um dia destes. Agora só para aguçar o paladar, ou melhor fazer pirraça, ia ou não ia bem umas conquilhas, daquelas de Tavira, assim na frigideira com cebola, azeite e alho, mais uns coentros à mistura?

  17. «…As pessoas desabituaram-se de comer fora e mantêm sérios receios sobre o rumo da pandemia…»

    É mentira, os cidadãos deixaram e vão continuar a deixar de comer fora por não terem dinheiro devido ao desemprego e ao bloqueio da economia causados pelas infundadas medidas de estado de emergência, estado de calamidade, bloqueio da economia, cordão sanitário, prisão domiciliária dos cidadãos (confinamento), isolamento social, distanciamento social, quarentena, e uso obrigatório de máscaras.

    A tudo isto junte-se também o conjunto de medidas impostas e sem fundamento para que os clientes possam frequentar os espaços de restauração.

    O que não deixa de ser espantoso é como é que as empresas de restauração grandes ou pequenas se deixam submeter a tudo isto, sem antes exigirem estudos e relatórios médicos e científicos que justifiquem as medidas impostas pelo governo, a pretexto de uma falsa pandemia.

    Pior, parece que estamos a caminhar para Idade Média ou para uma realidade irracional, ao estilo ditadura monárquica, clerical, e neoliberal, como o regime da Inglaterra.

    1. “Pior, parece que estamos a caminhar para Idade Média ou para uma realidade irracional, ao estilo ditadura monárquica, clerical, e neoliberal, como o regime da Inglaterra.”

      Uma tremenda ditadura! Para lá, em maldade imensa, do que as palavras podem descrever. Aliás fogem de lá em massa, correndo riscos imensos e, se capturados, torturas indizíveis, para a Coreia do Norte.

      Costa

  18. Fico-me pelas iguarias apresentadas, apenas com uma ressalva, deve-se consumir de preferência produtos naturais e recorrer pouco aos processados ou enlatados, mas percebo que os Homens são um pouco básicos nos pequenos detalhes.[ prontos, agora cavei a minha própria sepultura…risos]
    Agora mais a sério, parabéns pelas delícias gastronómicas, continue está no bom caminho 😉

    1. Obrigado. O recurso aos enlatados foi esporádico, pois no auge da pandemia tinha mais confiança nas latas do que nos frescos. Como deve ter sucedido a muito boa gente.
      Votos de boa saúde.

  19. bom, bom…parabens. Uma primeira parte certinha, sem casos de policia. O

    confinamento opera maravilhas, como se vê, com o sr. PC feliz com os

    irresistiveis odores. Ao mesmo tempo que se esquiva ou mesmo se torna pera

    dura para o virus. Só falta colocar na entrada um quadro daqueles que tambem
    haviam antigamente, tipo : nao entre, se nao é desejado.

    saude da boa

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